1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Egípcios vão às ruas contra expansão de poderes de Morsi

Manifestantes protestam no Cairo e em várias cidades e incendeiam sedes da Irmandade Muçulmana. União Europeia e Estados Unidos fazem alerta sobre decreto presidencial.

default

Manifestantes retratam Morsi como faraó em protesto no Cairo

Milhares de pessoas saíram nesta sexta-feira (23/11) às ruas do Cairo e de outras cidades do Egito para protestar contra a decisão do presidente Mohammed Morsi de aumentar seus poderes. Numa atmosfera que lembrou as manifestações que derrubaram o ditador Hosni Mubarak em 2011, os manifestantes entraram em choque com a polícia na emblemática Praça Tahrir e chegaram a atear fogo em sedes da Irmandade Muçulmana em outras regiões.

Na quinta-feira, Morsi surpreendeu os egípcios ao anunciar a expansão de seus poderes como chefe de Estado, colocando suas decisões acima do poder judiciário e ordenando novas investigações para ex-integrantes do antigo regime, incluindo o próprio Mubarak.

"O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes na Praça Tahrir, repetindo os gritos usados nos protestos de fevereiro de 2011. "Mubarak, diga a Morsi que, depois do trono, vem a prisão."

A ampliação dos poderes foi anunciada num momento favorável para Morsi, que horas antes havia conseguido mediar um cessar-fogo para pôr fim ao conflito entre Israel e Hamas. E levantou dúvidas sobre se o Egito estaria se posicionando exatamente como na era Mubarak: um país que, por garantir estabilidade no Oriente Médio, tem seus abusos tolerados pelo Ocidente.

Partidários de Morsi alegam que o objetivo do decreto é acelerar a transição para a democracia, que nos últimos meses vinha esbarrando em questões judiciais. Mas seus detratores o acusam de tentar impor um governo baseado numa interpretação estrita do islamismo.

Presidente se defende

Diante de milhares de partidários, Morsi foi à sacada do palácio presidencial nesta sexta-feira defender sua decisão.

"A estabilidade política, a estabilidade social e a estabilidade econômica é o que eu quero e pelo que eu trabalho", afirmou. "Eu sempre estive, ainda estou e sempre estarei, se Deus quiser, com o povo, com o que o povo deseja, com uma legitimidade clara."

Demonstration Kairo Ägypten November 2012

Partidários de Morsi do lado de fora do palácio presidencial, no Cairo

Os incidentes mais graves aconteceram nas cidades de Ismailiya e Port Said, onde instalações do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, foram incendiadas. Manifestantes também atacaram uma sede do partido em Alexandria. Houve ainda choques, em várias cidades, entre partidários e opositores de Morsi.

A União Europeia apelou nesta sexta-feira a Morsi para que respeite "o processo democrático", e o Departamento de Estado dos EUA disse que o decreto presidencial “causou preocupação” entre egípcios e a comunidade internacional.

RPR/rtr/afp/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais