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Alemanha

Eficácia de remédios em xeque

Análise de 1,5 mil remédios vendidos sem receita médica na Alemanha revela que apenas 40% são eficientes. Alguns estão em circulação também no Brasil.

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Efeitos colaterais compensam?

No país das indústrias química e farmacêutica por excelência, o lobby junto a médicos e farmácias é proporcionalmente grande. Um estudo encomendado pela fundação Warentest, que testa produtos para o consumidor, revelou que 40% dos remédios que podem ser comprados sem receita médica na Alemanha são eficazes, 40% são pouco eficazes e os 20% restantes de eficiência duvidosa.

No teste, 30 pesquisadores analisaram as bulas dos 1,5 mil remédios mais populares entres os alemães. Gerd Glaeske, coordenador da pesquisa, admira-se com os princípios ativos encontrados: "Alguns produtos combinam álcool com ervas, outros, ditos emagrecedores, funcionam à base de laxante."

A indústria fatura 4,3 bilhões de euros ao ano com o 1,6 bilhão de embalagens de medicamentos vendidos sem receita médica no país. Isso, entretanto, perfaz apenas um terço do faturamento das farmácias. Para as receitas médicas, são cobradas taxas fixas, proporcionais ao preço do medicamento. O restante é pago pelos planos de saúde. Nas farmácias alemãs, os balconistas são todos profissionais do setor.

Manual orienta o consumidor

Como os médicos têm cada vez mais reduzidas suas cotas de prescrição pelos planos de saúde, as pessoas tendem a comprar cada vez mais nas farmácias. Neste sentido, a pesquisa foi publicada em livro e serve de apoio aos consumidores.

Além dos medicamentos considerados eficientes, o manual de orientação contém ainda conselhos úteis para tratamentos caseiros e uma lista que compara preços entre os remédios com os mesmos princípios ativos.

Objeto da análise foram os medicamentos mais conhecidos, alguns inclusive no Brasil, como Otalgan, contra dor de ouvido, e Nicotinell, para parar de fumar. Por se tratar de gotas, tanto Otalgan como Otodolor dificilmente conseguem atingir seu objetivo, se o tímpano estiver intacto. Já as drogas Nicorette e Nicotinell foram avaliadas como eficientes.

Aliviar de um lado, prejudicar de outro

Muitos cremes contra espinhas são criticados pelos especialistas por conterem enxofre, que por sua vez pode causar ou piorar a acne já existente. Problemáticos, também, produtos já consagrados, como Wick MediNait (do laboratório americano Vick), usado pelas pessoas resfriadas para descansarem à noite. Os especialistas advertem que a concentração de 18% de álcool pode ser prejudicial ao fígado.

Já a cafeína, encontrada em muitos preparados contra dor de cabeça, pode prejudicar os rins. O coordenador do estudo lembra que 10% dos pacientes de diálise sofrem de insuficiência renal porque consumiram muitos analgésicos. Na lista dos produtos considerados ineficientes, aparecem ainda pastilhas de ação limitada quando a garganta estiver infeccionada ou drogas contra distúrbios sexuais.

Uma das causas do problema, segundo a Warentest, é a falta de informações independentes, em favor do consumidor. Por isso, a ministra alemã da Saúde, Ulla Schmidt, apela aos consumidores para que procurem se manter informados.

A social-democrata avisou ainda que pretende mudar a forma de lucro das farmácias e que em meados do próximo ano deve ser publicada uma lista positiva de medicamentos, a exemplo do que já é praticado em vários países da União Européia.