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Economia

Efeitos da nova cara

Empresariado alemão declara simpatia a um futuro governo Lula, credita os temores do mercado à mera especulação financeira e afirma que candidato do PT é visto como "enérgica força de polarização frente aos EUA".

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Vitória de Lula não mudará fundamentos da política econômica brasileira, acredita Confederação Alemã das Indústrias

"O candidato Lula foi transformado em um espantalho avesso à economia de mercado. No entanto, até agora, nenhum dos especialistas financeiros em questão conseguiu fornecer um argumento convincente que justificasse esses prognósticos sombrios", observa Peter Rösler, vice-presidente da associação Ibero-Amerika, que reúne empresários europeus atuantes na América Latina, em entrevista à DW-WORLD.

Poucas mudanças – "O pânico dos atores do mercado financeiro internacional" em relação a uma vitória de Lula, segundo Rösler, é completamente exagerado, uma vez que "os conceitos político-econômicos de Lula aproximam-se gradualmente dos princípios básicos do atual governo brasileiro", completa o especialista alemão.

A mesma opinião é defendida à DW-WORLD pela diretora para América Latina da Confederação Alemã das Indústrias (BDI), Sigrid Zirbel: "Os últimos pronunciamentos de Lula e seus assessores parecem indicar que não haverá nenhuma mudança fundamental na política econômica brasileira".

O fantasma da crise na Argentina pairando sobre o Brasil não parece, para os representantes do empresariado alemão, um perigo iminente. "Trata-se principalmente de especulação e de uma psicologia que não tem muito a ver com a situação econômica real do Brasil. Ao contrário da Argentina, o país introduziu, a tempo, uma política cambial flexível", analisa Zirbel.

Mensagens enigmáticas – O mesmo otimismo não parece, no entanto, dominar as páginas econômicas dos diários alemães. Em entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, na edição da última quarta-feira (23), Christian Stracke, analista da americana CreditSights Inc., alerta quanto ao risco Brasil: "As mensagens de Lula e seus consultores são mistas."

Para Stracke, a forma a ser adotada pela equipe econômica de um futuro governo Lula para manter os compromissos do país perante o FMI "continua um enigma". Também o Dresdner Bank da América Latina, segundo o Frankfurter Allgemeine, desconfia dos "vagos anúncios de Lula" em relação à política econômica.

Segundo o diário, o mercado deve, após o 27 de outubro, testar a capacidade de uma administração Lula em conduzir a economia brasileira. "Depois das eleições, é possível que haja uma recuperação do câmbio", cogita Stracke, da CreditSights. A confiança deverá ser, diga-se de passagem, o ponto crucial para os rumos do Brasil.

Confiança acima de tudo – "O desenvolvimento econômico deverá depender essencialmente de quanto o novo presidente será capaz de estabelecer a confiança e de sua capacidade de impor-se. Fala-se aqui também do exterior, perante o qual o novo presidente terá que ganhar a confiança", observa Claudio Zettel, do Ministério alemão de Educação e Pesquisa, em entrevista à DW-WORLD.

Já Zirbel, da BDI, acredita que "o importante, acima de tudo, é que o novo governo brasileiro consiga rapidamente acabar com as inseguranças do momento, restabelecendo a confiança na política econômica do país".

Empresários alemães – As relações bilaterais entre Brasil e Alemanha – o maior parceiro comercial do país na União Européia – não devem, segundo Zirbel, ser alteradas por um ou outro partido no Palácio do Planalto. "Os empresários alemães no Brasil também já deixaram claro que podem aceitar bem Lula", afirma Rösler, da associação Ibero-Amerika.

Já no âmbito da política econômica externa, acredita-se que um eventual governo petista poderá dar maior peso à reivindicação por relações comerciais internacionais mais justas, como a luta pela abertura dos mercados dos países industrializados para produtos agrícolas das nações mais pobres.

Atenção da mídia – Fato é que a mídia alemã, nos últimos anos, não deu tamanho destaque a uma eleição presidencial brasileira quanto tem dado a esta. As razões de tanto interesse do olhar europeu às urnas tupiniquins são apontadas pelos especialistas como uma conseqüência, em primeiro plano, da recessão mundial. Uma falência brasileira, no caso, acentuaria ainda mais os maus ventos que sopram em todas as direções no momento.

"Cresce o medo de que o desmoronamento de grandes nações possa desencadear o efeito dominó, estendendo a crise a todo o mundo", analisa Rösler. Já Zettel, do Ministério da Educação, lembra que "em função da interdependência econômica mundial, sob o signo da ‘globalização’, e por causa da associação regional através do Mercosul, esta eleição brasileira ganha, economicamente, um maior significado".

De suma importância, no entanto, é o detalhe: os rumos do Brasil, bem ou mal, surtem efeitos na economia norte-americana, estando aí o ponto de interesse da imprensa européia no resultado das eleições brasileiras. "Lula é visto como uma enérgica força de polarizaração frente aos EUA, o que pode levar a tensões em relação a temas como a formação da Alca, a zona de livre de comércio das Américas", afirma Zirbel, diretora da Confederação das Indústrias.

Plástica com efeito – Como se vê, exceto uma ou outra observação retraída, a operação plástica empreendida pela equipe de marketing de Lula parece ter, perante o olhar internacional, igualado o candidato do PT a qualquer neoliberal de carteirinha. "Lula mudou muito desde a última eleição, tendo hoje muito pouco a ver com o candidato radical de esquerda de 1989, 1994 e 1998", descreve Zirbel.

Resta saber até que ponto o petista, se eleito, obedecerá às ordens de manutenção do status quo ditadas pelo mercado e pelos grandes da economia mundial ou dará voz às premissas básicas de seu partido, que um dia lhe ergueram como representante popular.

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