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Mundo

Efeitos colaterais para relações bilaterais

Às vésperas das eleições alemãs e pouco antes das brasileiras, especula-se sobre as conseqüências de eventuais mudanças de governo – tanto de um quanto do outro lado do Atlântico – para as relações entre os dois países.

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Gerhard Schröder e Fernando Henrique Cardoso, em fevereiro último

O Brasil e a Alemanha têm um histórico de relações amistosas, mas nem sempre isentas de conflito. Nas últimas décadas, não houve entre os dois países um contato absolutamente linear. Aqui e acolá, arestas tiveram que ser aparadas. Nos últimos anos, no entanto, como descreve Matthias Matussek, correspondente no Rio de Janeiro do semanário Der Spiegel, em entrevista à DW-WORLD, "as relações entre Alemanha e Brasil, no que concerne à política, são isentas de tensão de uma forma quase ignorante".

Íntimos e distantes - Apesar da palidez de conflitos, a possibilidade de uma troca de governo em Berlim ou Brasília pode acarretar mudanças nas relações transatlânticas, mesmo que suaves. Desde o início da ditadura militar até o atual governo de Fernando Henrique Cardoso, o diálogo bilateral viveu fases bastante distintas, oscilando entre a intimidade e a distância.

Os rumos da política externa brasileira sempre dependeram de fatores internos. "Uma análise das relações teuto-brasileiras depende não só dos resultados das eleições na Alemanha, mas também das brasileiras", comenta Renate Rott, professora do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.

Chá das cinco - Nos últimos quatro anos, houve uma intensa troca de amabilidades de gabinete entre Fernando Henrique Cardoso e Gerhard Schröder. Mudar as figuras deste cenário por Lula e pelo direitista Stoiber talvez não renda tanto chá das cinco como os ocorridos entre os atuais governos. "Isso seria um ponto interessante: se o Brasil fosse para a centro-esquerda, enquanto a Alemanha voltasse para a direita. Os brasileiros teriam, com uma eleição dessas, se mostrado exaustos das reformas neoliberais e os alemães da falta das mesmas", comenta o jornalista Matussek.

Neoliberalismo out - Em uma análise do quadro político brasileiro feita para o diário berlinense die tageszeitung, Gerhard Dilger afirma que "todos os quatro candidatos à presidência no Brasil movem-se à esquerda do centro. As receitas neoliberais estão out – principalmente em função do desastre na vizinha Argentina. Os tecnocratas ortodoxos da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso estão há muito na defensiva. E, se os programas de governo são cambiáveis, o que conta é a personalidade na mídia".

E é exatamente graças à capacidade de trânsito na mídia que a social-democracia alemã deverá provavelmente sobreviver a mais essa prova de fogo. Apesar das altas taxas de desemprego, do baixo crescimento econômico e de uma reforma tributária até hoje em parte emperrada, o premiê alemão ganhou a simpatia do eleitorado após as manobras bem-sucedidas no contorno das recentes inundações no país. O que prova que o neoliberalismo rico e "autônomo" de primeiro mundo difere bastante do tupiniquim.

Unidos pelo antiamericanismo? - Além disso, a posição antiamericana na crise do Iraque fez com que Schröder abocanhasse mais votos entre os eleitores de esquerda. Nesse tipo de reação à hegemonia dos EUA, diga-se de passagem, está outro ponto crucial, que pode vir a dar o tom às relações teuto-brasileiras no futuro. E isso não importando se entre amigos social-democratas ou entre petistas e conservadores alemães.

O estreitamento das relações econômicas com a Alemanha, nos últimos anos, compôs a base da chamada "opção européia" da política externa do Brasil e fez parte do esforço de autonomia do país em relação a Washington, segundo publica Christian Lohbauer em seu livro Brasil - Alemanha. Faces de uma parceria. "O que os dois países têm em comum é um ceticismo considerável frente aos EUA. Esse tipo de coisa deve, no futuro, desempenhar um papel muito mais importante do que as coalizões de governo em cada país", observa Matussek.

Acordos verdes - Em termos concretos, as diversas cooperações existentes entre os governos dos dois países devem persistir, mesmo porque boa parte delas acontece no âmbito de organizações não-governamentais. Teme-se, no entanto, que acordos bilaterais firmados pelo atual ministério alemão do Meio Ambiente - hoje nas mãos dos verdes - possam ser revertidos com uma volta dos conservadores ao poder.

Quanto ao intercâmbio cultural entre os dois países, este deve resistir a quaisquer desventuras da política. "Os tempos em que se discutia sobre a ideologia da auto-representação da Alemanha no exterior já se foram". Escolher entre "Fassbinder ou Goethe?" (Matussek) não faz mais parte do repertório nem dos mais ortodoxos conservadores.

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