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documenta

Educação estética: o que fazer?

A terceira e última revista da "documenta" 12 aborda a educação estética e o alcance social da arte contemporânea.

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'documenta' aponta urgência da educação estética

Education: é o título da terceira revista da documenta 12, uma compilação de contribuições internacionais sobre a formação estética e o alcance social da arte. "Hoje a educação estética é a única alternativa sólida à didática e ao academicismo, por um lado, e ao fetichismo mercantil, por outro": esta convicção do diretor artístico da documenta 12, Roger Buergel, citada no editorial do terceiro número da revista, assinala sua preocupação com a formação de um público apreciador de arte contemporânea.

A pretensão educativa da documenta 12 não tem a ver com didatismo, algo que fica evidente na exposição de Kassel. A idéia é induzir o visitante a associar questões estéticas levantadas pelo modernismo das décadas de 60 e 70 a soluções e procedimentos correlatos na arte contemporânea. Mas isso não é feito através de linhas de continuidade histórica, mas sim por meio de uma rede aberta de associações formais entre as obras expostas.

Uma outra política

Não é à toa que o terceiro número da revista da documenta destaca a ambição modernista de incluir o público diretamente no processo artístico. A participação ativa do observador em performances, happenings e intervenções e o interesse da arte conceitual pela obra aberta, a ser realizada somente com a interação do observador, marcam os trabalhos da década de 60 documentados pela revista.

Enquanto a arte daquela época, sobretudo em suas vertentes conceituais, tentou desmusealizar a apreciação artística e aproximá-la da vida e da sociedade, a arte contemporânea se vê confrontada com o ceticismo generalizado em relação ao igualitarismo possibilitado, pelo menos em tese, pelas democracias contemporâneas.

Diversos artigos publicados na terceira e última revista da documenta 12 tocam na questão da veiculação e abordam canais de contato para além da esfera virtual. Seja numa redação de revista móvel instalada em um trailer, deslocando-se pelos EUA, ou o "periódico com patas", uma espécie de jornal-mural no Peru, os canais de distribuição preocupam a arte contemporânea tanto quanto o contato com o público concernia os movimentos da década de 60.

Potencial político

A revista também aborda o alcance social do processo artístico, contrapondo os objetivos popularizantes da arte política de 40 anos atrás com sua recodificação no discurso contemporâneo, em que a função política parece se manter numa esfera mais simbólica.

Numa entrevista reproduzida no último número da documenta magazine, o filósofo francês Jacques Rancière insiste na disjunção entre arte e política hoje, diagnosticando a ausência de um consenso político entre a intelectualidade. Para ele, a eficácia da arte consistiria em "diluir as fronteiras, redistribuir as relações entre espaços e tempos, entre o real e o fictício".

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