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Eleições 2014

Eduardo Campos construiu carreira política no Nordeste

Neto de Miguel Arraes e chamado por Ariano Suassuna de o "político mais brilhante", candidato do PSB tinha raízes fortes em Pernambuco. Negava alcunha de coronel e dizia combater "atraso da política brasileira".

Eduardo Campos já nasceu no meio político. Neto de Miguel Arraes, governador de Pernambuco por três vezes, e filho da deputada Ana Arraes, foi da família que ele se cercou durante toda a sua carreira. Segundo seus aliados, ele tinha na esposa e mãe de seus cinco filhos, Renata, a conselheira mais influente. Ela e seu filho mais novo, Miguel, de apenas 8 meses, decidiram horas antes não embarcar no avião que caiu nesta quarta-feira (13/08) em Santos.

Formado em economia pela Universidade Federal de Pernambuco, o político de 49 anos começou sua militância como presidente do diretório acadêmico da faculdade, em 1985. Durante os estudos, negou um convite para fazer mestrado nos Estados Unidos e optou por seguir a tradição política familiar desde cedo. Tinha uma ligação cultural forte com o Nordeste e manifestava isso com orgulho.

Eduardo Campos und Marina Silva

Campos e Marina: jogada política

Logo passou a ser chefe de gabinete do avô, então governador de Pernambuco e o qual conhecera apenas aos 14 anos – Miguel Arraes passou boa parte da ditadura no exílio. Filiou-se ao PSB – deixando o PMDB junto com o avô – em 1990 e exerceu mandato de deputado estadual e cargos na administração pernambucana.

Campos era filho do poeta Maximiano Campos (1941-1998) e dizia ter em Ariano Suassuna, morto em julho passado, um segundo pai. O político morou numa casa em frente à do escritor e contava que costumava seguir os seus conselhos. Em abril, o poeta chegou a dizer que Eduardo Campos era o político "mais brilhante" que conheceu.

"Ele é a grande esperança. Getúlio, Jânio, Juscelino e Lula. Para mim, foram os melhores presidentes que o Brasil já teve. Se Eduardo Campos fizer pelo Brasil metade do que ele fez em Pernambuco, vai ganhar de todos os quatro", afirmou Suassuna então, ao jornal O Globo.

Campos foi ainda três vezes deputado federal e depois ministro da Ciência e Tecnologia durante o primeiro governo Lula (2004-2005). Governava Pernambuco desde 2007, reeleito em 2011 com 82% dos votos. Um dos programas de sua gestão com maior expressão é o Pacto Pela Vida, programa de segurança pública que, segundo estatísticas oficiais, diminuiu os índices de violência no Estado.

Brasilianische Präsidentin Dilma Rousseff im Stadion in Recife

Ao lado de Dilma, Campos inaugura a Arena Pernambuco, um dos estádio da Copa do Mundo

Para preparar o caminho rumo ao Palácio do Planalto, anunciou a saída do PSB da base do governo em setembro do ano passado, o que foi visto pelo PT como ato de "ingratidão". Ele tinha o desafio de se tornar conhecido entre os eleitores dos estados mais ao sul e, para isso, via o "mau humor das ruas" como uma oportunidade.

Certa vez, quando tachado de "coronel" por uma reportagem da revista The Economist, se irritou. Disse que a alcunha só era dada a políticos do Nordeste. Durante a curta campanha, adotou um tom moderado: uniu posturas suficientemente à esquerda para dialogar com as camadas mais pobres, criticou ações da presidente Dilma Rousseff, mas, ao mesmo tempo, não prometeu grandes mudanças.

Para alguns analistas, ele parecia tentar agradar a todos. A aliança com Marina Silva foi recebida como uma boa jogada política. Os dois vendiam a parceria como um "encontro de sonhos e de propostas" para "combater e superar o atraso da política brasileira". Nas ruas, porém, a proposta não vinha surtindo efeito.

Na última pesquisa Datafolha, Campos apareceu com apenas 8% das intenções de voto, 28 pontos atrás de Dilma e 12 atrás de Aécio Neves, candidato do PSDB.

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