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Economia

Economistas alemães divergem sobre déficit americano

O rombo recorde no orçamento dos Estados Unidos ameaça a economia mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional. Entre os economistas alemães, há divergências nesta análise.

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Há dúvidas sobre a recuperação da conjuntura nos EUA

O FMI não tem tradição antiamericana, o que faz com que o recente relatório da instituição dirigida pelo alemão Horst Köhler sobre a política financeira de Washington gere um debate ainda maior do que o que provocaria por seu próprio conteúdo. O documento critica, em tom incomum, o rumo das finanças norte-americanas e o déficit recorde do governo George W. Bush. Embora os EUA tenham sem dúvida apoiado a economia mundial nos últimos anos com reduções de juros, "os déficits americanos escondem também significativos riscos para o resto do mundo", adverte o relatório.

De fato, a mudança de poupador para devedor-mor se processa em velocidade extraordinária. No ano fiscal recém-encerrado, o déficit público saltou para 374 bilhões de dólares, um recorde. Há apenas três anos, os Estados Unidos ainda apresentavam superávit. Para 2004, os economistas aguardam uma nova marca histórica negativa.

Esquizofrenia – Apesar da rapidez e do tamanho da dívida, a tese de que o déficit americano ameaça a economia mundial é polêmica entre os especialistas. "É preciso deixar a ingenuidade de lado. Se os americanos não tivessem feito isto, a conjuntura mundial seria hoje muito pior", enfatiza Stefan Schneider.

O chefe de tendências macroeconômicas do Deutsche Bank Research considera esquizofrênicas as numerosas críticas ao déficit americano. Por um lado, acusa-se o déficit de perigoso para a conjuntura, por outro a indústria automobilística comemora o boom de vendas nos EUA, segundo o também economista-chefe internacional do banco alemão.

"Não vemos no momento grandes riscos de os EUA perderem o controle sobre seu déficit orçamentário, pois para nós está claro que o próximo presidente americano – tanto faz como se chame – irá combater o déficit público estrutural do país", enfatiza Schneider. Resumindo: a equipe do Deutsche Bank Research conta que Washington voltará a reduzir as despesas públicas e aumentar os impostos em 2005 ou 2006.

Ceticismo – Outros economistas, entretanto, olham céticos para o futuro. Se o déficit orçamentário vai prejudicar a economia mundial, depende do desenvolvimento da conjuntura nos EUA, avalia Thomas Amend, do banco HSBC Trinkaus & Burkhardt, em Frankfurt. "Se a economia mantiver no segundo trimestre a mesma dinâmica de agora, então a redução do déficit não deverá ser problema. No entanto, não estamos tão otimistas com a evolução da economia americana neste ano", afirma o economista.

Amend observa que, para baixar o desemprego, seria necessário abrir 15 mil postos de trabalho por mês nos EUA. Porém, até agora, apesar do crescimento econômico recorde no último trimestre e dos muitos empregos criados, ainda não se pode atestar uma mudança na tendência do mercado de trabalho. Atualmente, o índice de desemprego nos EUA permanece em cerca de 6%, uma taxa considerada alta para o país.

Sem moral – No Deutsche Bank Research, entretanto, espera-se a virada na economia do outro lado do Atlântico ainda este ano, precondição para baixar o déficit. "De acordo com o cenário que prevemos, a recuperação econômica será auto-sustentável em 2004, ou seja, os investimentos privados e as despesas dos consumidores vão crescer e os lucros das empresas subirão", diz Schneider.

O lucro das empresas americanas já está se multiplicando mais depressa que o das européias, acrescenta o especialista em tendências macroeconômicas. O economista-chefe internacional do DB Research acrescenta ainda que os europeus, por outro lado, não estão com moral para criticar o déficit orçamentário de Washington. Afinal, Alemanha e França, dois dos mais importantes países da União Européia, prevêem déficits de 3,5% para 2004, ferindo mais uma vez o Pacto de Estabilidade da UE.

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