1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Economista relativiza influência de debates políticos sobre mercados financeiros

Chefes de governo e de Estado dos quatro maiores países europeus exigiram em Londres mais transparência nos mercados financeiros. Isso é muito pouco e chega tarde demais, segundo o economista Thomas Straubhaar.

default

Mercados têm regras próprias, diz Straubhaar

A minicúpula sobre a crise financeira internacional realizada em Londres, na terça-feira (29/01), terminou com um apelo dos chefes de governo e de Estado da Alemanha, do Reino Unido, da França e da Itália – os maiores países industriais da União Européia – por mais transparência nos mercados.

Thomas Straubhaar

Thomas Straubhaar

Em conversa com DW-WORLD.DE, Thomas Straubhaar, diretor do Instituto de Economia Internacional de Hamburgo (HWWI), fala sobre o alcance limitado de debates políticos sobre os mercados financeiros, a necessidade de ponderação ao se estabelecer regulamentos internacionais e seus prognósticos para 2008.

DW-WORLD.DE: Ouve-se falar cada vez mais de pânico nos mercados financeiros e de bancos em crise. Até que ponto a situação é realmente dramática?

Thomas Straubhaar: Para os mercados financeiros, a situação é com certeza muito dramática. Ao todo, perderam-se em questão de dias valores contábeis no montante de vários bilhões, e isso naturalmente tem conseqüências enormes para muitos indivíduos afetados.

Para a economia real, estamos até agora esperançosos de que a queda dos índices das bolsas e a crise financeira e imobiliária nos Estados Unidos não tenham um efeito tão pronunciado na Alemanha. Os mercados financeiros têm um ritmo diferente dos mercados de bens, dos mercados comerciais e dos mercados de fatores. O desenvolvimento nos mercados financeiros é uma coisa, o desenvolvimento da conjuntura nos mercados reais é outra coisa.

Os políticos falam cada vez mais em soluções e em medidas para a prevenção de crises. Os líderes dos quatro maiores países industriais da União Européia se encontraram para deliberar sobre o desenvolvimento dos mercados financeiros. É realmente possível que os países melhorem a situação, agindo em conjunto?

Tais encontros têm sem dúvida um grande valor simbólico, porque transmitem a mensagem de que os políticos estão conscientes do problema, se preocupam com o desenvolvimento dos mercados financeiros e estão tomando providências. Mas, para os mercados financeiros, encontros desse tipo são sem importância.

Os mercados financeiros operam segundo regras próprias, são mais agitados, têm menos fôlego, são fortemente influenciados por puras expectativas econômicas. Todas as reações dos políticos chegam tarde demais, ainda mais quando são imprecisas. A dinâmica própria dos mercados é impulsionada [pela crise], e até que termine o refluxo das últimas ondas desse choque, os debates políticos terão pouca influência sobre o processo.

O máximo que os políticos podem fazer é refletir, para uma próxima fase, sobre como mudar ou melhor aplicar as regulamentações. Isso é com certeza importante. Mas em termos de desenvolvimento real da conjuntura econômica, o que é debatido nas altas esferas políticas tem importância menor do que o reflexo desse debate nas políticas diárias.

Podemos apenas esperar que [os líderes políticos] não tentem influenciar os mercados por meio de reações ditadas pelo pânico, mesmo porque não é possível exercer influência a curto prazo sobre os mercados. Reações apressadas são menos importantes do que a reflexão sobre que condições legais básicas seriam necessárias para um mercado financeiro globalizado.

Que condições deveria haver então?

Primeiramente tornou-se claro que é preciso que haja transparência. Nós nos conscientizamos de que um gerenciamento de riscos sem transparência pode levar a grandes problemas. Todos os envolvidos exigem agora algo como a obrigatoriedade de informação.

Em segundo lugar, tornou-se claro que os direitos dos acionistas precisam ser fortalecidos, e que também eles precisam ter uma visão clara das atividades das diretorias das empresas. Os conselhos de administração no fundo têm a responsabilidade de garantir esses direitos. Mas se eles não o fazem de maneira suficiente, então é preciso refletir sobre como garantir que aquilo que pertence aos acionistas não seja dilapidado por erros de membros da diretoria.

Os países deveriam decidir em conjunto sobre essas condições legais?

Uma das funções importantes desses encontros internacionais é que eles permitem discutir sobre como esses temas são tratados e solucionados nos outros países. Aprender através da experiência de outros países é, portanto, um efeito muito importante e positivo.

Depois é preciso perguntar-se se cada país tem a capacidade de agir isoladamente, ou se há a necessidade de acordos internacionais. Agentes internacionais necessitam de regras internacionais, é o que se diz.

É importante utilizar esses encontros para definir até que ponto é necessário criar limites em nível internacional para os mercados financeiros globalizados. É um processo que exige ponderação, pois com regras internacionais se inibe também a concorrência dos regulamentos nacionais, e ela pode incentivar experimentos e avanços.

Quais são seus prognósticos para 2008?

Isto depende da referência da qual se parte. Se tomarmos os dois últimos anos como referência, então 2008 será um ano bem pior. Mas se partirmos dos cinco primeiros anos desta década, então temos um ano melhor pela frente.

O desenvolvimento no mercado de trabalho continuará sendo positivo. Haverá mais geração do que cortes de empregos. O clima na Alemanha será melhor do que parece ser hoje.

Um crescimento de 1,5% a 2% é ainda uma boa média, mesmo que menos acelerada. Eu diria que será um ano de rupturas. Depois de dois anos bons, em 2008 a questão é: para onde as coisas caminham a médio prazo? Não há nenhum motivo para pânico. Mas é importante mandar os sinais certos, por exemplo, preparando um programa de redução de impostos para 2009.

Thomas Straubhaar é professor de Relações Econômicas Internacionais na Universidade de Hamburgo e diretor do HWWI, de tendência liberal.

Leia mais