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Ciência e Saúde

Ebola nem sempre provoca sintomas em pacientes, diz pesquisador

Pesquisadores encontraram pacientes que não apresentam os sintomas, mas podem transmitir o vírus. Rápido diagnóstico é a melhor maneira de evitar que o surto se espalhe.

Um dos surtos mais grave de ebola da história já matou 121 pessoas na África Ocidental, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessa região, segundo informações divulgadas pela OMS nesta terça-feira (15/04), o risco de contrair a doença é maior entre trabalhadores da área da saúde, familiares dos infectados, pessoas que tiveram contato direto com o corpo das vítimas e caçadores. O número de casos suspeitos chegou aos 200.

O governo da Guiné afirmou que a epidemia está sob controle no país. Nas últimas semanas, organizações internacionais reforçaram as medidas emergenciais para impedir a difusão do vírus pela região.

O Instituto Bernhard-Nocht para Medicina Tropical, localizado em Hamburgo, na Alemanha, enviou pesquisadores para auxiliar os países afetados. Segundo o médico Jonas Schmidt-Chanasit, que coordena a iniciativa, o rápido diagnóstico da doença é importante para reduzir o número de casos.

Entretanto, uma nova constatação preocupa os cientistas. Algumas pessoas carregavam o vírus, mas não apresentaram os sintomas do ebola. Em entrevista à DW, Schmidt-Chanasit fala sobre a epidemia e as chances de ela chegar em outros países.

Jonas Schmidt-Chanasit

Jonas Schmidt-Chanasit

DW: Até o momento o vírus Ebola está concentrado na África Ocidental. Quais são as chances de ele se propagar por outras regiões?

Jonas Schmidt-Chanasit: É difícil prever. Como a OMS afirmou, essa situação é especial, pois é a primeira vez que um surto em grande escala ocorre na África Ocidental. A organização prevê que dentro de três ou quatro meses a situação será controlada. As pessoas viajam muito nessa região, ao contrário do Congo, onde os surtos aconteceram em regiões afastadas. Assim, a questão é quão rápida e quão bem a situação será controlada.

Quais são as medidas adotadas na região?

São diferentes. Muito importante é o rápido diagnóstico da doença. Para isso, há um laboratório móvel na Guiné operado por uma equipe multinacional. Também é importante identificar pessoas que tiveram contato com o vírus. Há uma equipe epidemiológica que está circulando pelo país para fazer esse controle. Para verificar se as pessoas foram ou não infectadas, elas são controladas ao longo de 21 dias.

O que acontece quando a infecção é detectada em um paciente?

O objetivo ideal é identificar todas as pessoas que tiveram contato com os infectados. Os doentes são levados para hospitais apropriados que foram montados pela organização Médicos sem Fronteiras. Às vezes é difícil localizar pessoas que tiveram contato com a doença. Por exemplo, há pessoas que têm medo de ir ao hospital, pois acreditam que lá serão realmente infectadas pelo ebola.

Agora foram encontrados os primeiros indícios de pacientes que não apresentam os sintomas da doença, mas podem transmitir o vírus. Isso é novo e um fato importante para podemos localizar esses pacientes e observá-los.

Antigamente, pensávamos que as pessoas precisavam estar muito doentes ou ter pelo menos uma febre considerável para possuir uma quantidade elevada do vírus nos fluídos corporais. Mas essa nova descoberta torna o controle mais difícil e ainda precisa ser mais pesquisada.

Quão rápido o vírus se propaga quando ele aparece?

Depende. Se nada for feito, ele se propaga em grande escala e com muita força. Com as medidas apropriadas, o processo é mais lento. Ele parece se concentrar na região do primeiro surto, que atualmente são locais isolados na Guiné, no sudeste do país.

Assim, há a esperança de que o ebola não se espalhe por muitos outros países. Nós temos a notícia positiva de que não foram registrados casos em Gana. Lá todos os testes deram negativo. As suspeitas em Serra Leoa e Mali também não se confirmaram. Até agora, dois países foram atingidos Guiné e Libéria.

Qual é o tempo de vida do vírus?

Partindo de pessoas, ou seja, pacientes infectados, o vírus não morre imediatamente com a morte da pessoa. Ele pode sobreviver por um determinado tempo nos fluídos corporais de organismos mortos. Algumas pessoas podem se infectar durante determinados rituais como, por exemplo, a lavagem do corpo da pessoa falecida. Quando o processo de decomposição é iniciado após algumas semanas, o vírus provavelmente não é mais infeccioso.

O vírus ebola pode se difundir por outros países e continentes, como a pandemia causada por vírus da gripe?

Não, para isso o vírus é muito agressivo. Ele mata muito rápido. A doença é muito mais grave que a influenza. Os doentes são identificados rapidamente, porque os sintomas são muito fortes.

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