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Mundo

Eagles of Death Metal quer tocar na reabertura do Bataclan

Em entrevista, membros da banda relatam o que vivenciaram quando terroristas invadiram o clube Bataclan, onde o grupo se apresentava, e mataram 89 pessoas. "Quero voltar lá e viver", diz vocalista.

Josh Homme e Jesse Hughes em entrevista ao site Vice

Josh Homme e Jesse Hughes em entrevista ao site Vice

A banda de rock americana Eagles of Death Metal quer ser a primeira a tocar na casa de espetáculos Bataclan, em Paris, quando ela reabrir após os atentados de 13 de Novembro.

"Quero ser a primeira banda a tocar no Bataclan que ele reabrir porque eu estava lá quando ele se silenciou", declarou o vocalista do grupo, Jesse Hughes,

ao site Vice

.

"Eu não posso esperar. Nossos amigos foram lá para ouvir rock and roll e morreram. Eu quero voltar lá e viver", disse Hughes. "Precisamos terminar a turnê", acrescentou o baterista Joshua Homme.

A banda estava na sexta canção quando

três terroristas invadiram o local atirando

, deixando um saldo final de 89 mortos e dezenas de feridos. O show no Bataclan estava esgotado e 1.500 pessoas encontravam-se no clube.

Quase duas semanas depois do ataque, Hughes e seus colegas tentaram responder às questões de Shane Smith, fundador do Vice. Com o desespero na voz, Hughes conta de forma hesitante os acontecimentos daquela noite e chora durante a entrevista, que teve de ser interrompida várias vezes.

"Eu pensei que os amplificadores tivessem quebrado", relembra o baterista Julian Dorio sobre os primeiros segundos do ataque. "Mas os tiros eram tão violentos."

"Nós não sabíamos o que estava acontecendo", diz o guitarrista Eden Galindo.

"Eles dispararam imediatamente", relata o engenheiro de som Shawn London, que estava próximo à entrada. "Um deles gritou Allahu akbar (Deus é grande). Aí eu soube do que se tratava."

Eagles of Death Metal Jesse Hughes

Jesse Hughes, vocalista da banda Eagles of Death Metal

Hughes conta que correu para o vestiário à procura de sua namorada, Tuesday Cross. Como não a encontrou, abriu uma porta para um corredor e deu de cara com um dos atiradores. O atirador mirou nele, mas atingiu a porta. Hughes conseguiu encontrar uma saída e reencontrou sua namorada do lado de fora.

Segundo Hughes, muitas pessoas fugiram para o vestiário, mas os terroristas mataram todas, "exceto uma que se escondeu embaixo da minha jaqueta de couro".

London também se deparou com um atirador: "Ele chegou à mesa de controle, os comandos voaram por todos os lados". London conta que se jogou no chão e conseguiu escapar com outras pessoas pelas grandes portas de vidro estilhaçadas na entrada do Bataclan.

Os outros membros da banda e Cross escaparam por uma entrada lateral. Mas uma pessoa da equipe não conseguiu fugir: o chefe de merchandising Nick Alexander, uma das vítimas fatais do ataque.

Segundo Hughes, ele não pediu por ajuda porque não queria que ninguém se machucasse. "Eu me senti tão culpado", diz, por ter deixado os membros da banda para trás no palco. "Tantos se colocaram em frente a outras pessoas", e é por isso que Hughes acha que tantos foram mortos.

Hughes e Homme fundaram a banda em 1998. Homme não estava no Bataclan naquela noite e ficou sabendo do ocorrido quando membros da banda lhe telefonaram de uma central da polícia, após terem escapado. Ele conta que, no início, não conseguia entender o que tinha acontecido. "É um longo tempo que cada um precisa para entender o que fazer, o que aconteceu e por quê."

Durante a entrevista, Homme segurava uma lista com os nomes dos mortos em suas mãos. Hughes mal consegue olhar para ela. "Eu gostaria de poder falar com os pais deles", diz Homme. O que ele lhes diria? Ele hesita na resposta: "Talvez não haja nada que eu possa dizer... Talvez seja ok não haver palavras, talvez não deva haver palavras para isso."

AF/dpa/rtr/afp

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