Durão Barroso diz que não só ″periferia da zona do euro″ está ameaçada | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 04.08.2011
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Economia

Durão Barroso diz que não só "periferia da zona do euro" está ameaçada

As dívidas que assolam os caixas públicos dos países da zona do euro preocupam Bruxelas cada vez mais. Comissão Europeia teme que mercados financeiros possam desestabilizar outros países.

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Problemas atingem 'cerne da UE'

O nervosismo dos mercados financeiros e a instabilidade cambial estão deixando as autoridades europeias nervosas. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, fez um apelo oficial aos 17 países da zona do euro para que façam com urgência uma reavaliação de "todos os elementos" relacionados ao fundo de resgate da zona do euro e pensem a respeito de uma possível ampliação dos recursos do mesmo.

Uma porta-voz de Barroso afirmou nesta quinta-feira (04/08) que a expressão "todos os elementos" diz respeito também ao financiamento dos até agora mais de 440 bilhões de euros do fundo europeu de auxílio à crise. Barroso sugeriu aos líderes da zona do euro a considerarem uma ampliação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), mas a ideia foi rechaçada por alemães e holandeses.

Cresce perigo de contágio

Em uma carta enviada aos chefes de Estado e de governo dos 17 países da zona do euro, Durão Barroso afirmou que o perigo de contágio com os efeitos da crise não se limita mais aos "países periféricos da zona do euro". Barroso escreveu que é preciso assegurar que o atual FEEF e o futuro Mecanismo de Estabilidade Europeu estejam "adequadamente providos", para que se possa enfrentar os riscos de contágio da crise da dívida pública no bloco.

EU-Gipfel in Brüssel

Durão Barroso: acionar 'todos os elementos'

As declarações de Durão Barroso desencadearam reações negativas na Alemanha. Um porta-voz do ministério alemão das Finanças declarou que a reabertura do debate apenas duas semanas após a cúpula extraordinária de 21 de julho último não contribui para tranquilizar os mercados.

Itália seria próxima candidata

Ainda não houve, contudo, uma implementação prática das medidas determinadas durante a cúpula. O leque de medidas de combate à crise e em prol da prevenção de falências públicas só poderá entrar em vigor quando os países da zona do euro tiverem deliberado suas respectivas leis a respeito e estas tiverem sido aprovadas pelos parlamentos de cada país.

Depois que a Irlanda, a Grécia e Portugal já receberam ajuda europeia, a situação da Itália e da Espanha vem sendo observada com muita cautela. Os dois países estão sendo pressionados pelo nervosismo dos mercados e precisam pagar juros recordes por seus títulos públicos. A razão é simples: cada vez mais investidores vendem os títulos destes dois países, o que leva os rendimentos dos mesmos às alturas. Isso dificulta futuros créditos para esses países.

Analistas veem a Itália como próximo candidato a receber ajuda do pacote de auxílio dos países da zona do euro. Segundo Eckart Tuchfeld, analista do Commerzbank, a Grécia já implementou diversas reformas dolorosas no país, enquanto na Espanha estão sendo preparadas amplas reformas. "No caso da Itália, não vemos que aconteça o mesmo", aponta o especialista.

Falta de comunicação

O acirramento da crise na Itália e na Espanha levou o Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira (04/08) a decidir-se pela compra de mais títulos públicos, após uma pausa de vários meses. O BCE já comprou grandes quantidades de títulos públicos da Grécia, Irlanda e de Portugal. Atualmente, a instituição detém 74 bilhões de euros em títulos públicos. Por outro lado, em sua reunião desta quinta-feira, o BCE manteve os juros-guia, como esperado, em 1,5%.

Durão Barroso salientou também que os mercados financeiros estão apontando para a falta de disciplina na comunicação entre os países europeus e para a imperfeição do pacote de auxílio às economias em crise. Segundo o presidente da Comissão Europeia, ainda não foi possível aos políticos convencer os mercados de "que estamos dando os passos certos para acabar com a crise".

SV/afp/rtr/dpa

Revisão: Roselaine Wandscheer

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