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Alemanha

Dupla cidadania provoca atrito na Alemanha

Políticos conservadores afirmam que as novas leis de imigração, que permitem a dupla nacionalidade em determinados casos, prejudicam o processo de integração de estrangeiros no país.

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Imigrantes turcos em Munique

O crescente número de pessoas que possuem outra cidadania além da alemã desencadeou uma discussão política no país. Para o secretário do Interior da Baviera, Günther Beckstein, "as piores expectativas foram superadas". Mais de 40% de todos os estrangeiros que receberam a cidadania alemã, após a entrada em vigor das novas leis de imigração, mantiveram seus passaportes de origem.

Segundo dados publicados pelo semanário Welt am Sonntag, em 2001 foram concedidas mais de 178 mil nacionalidades alemãs, sendo que 88.995 dos requerentes não abdicaram de suas cidadanias de origem. Entre estes, cerca de 23 mil são crianças, filhos de imigrantes, que terão que optar por uma das nacionalidades quando atingirem a maioridade.

"Dupla fidelidade" - Segundo Beckstein, representante da conservadora União Democrata Cristã (CSU), "a dupla nacionalidade é contrária à integração. Um cidadão deve defender sua nova pátria. A fidelidade dupla traz o risco da criação de sociedades paralelas e provoca o surgimento de guetos, cujas conseqüências negativas podem ser observadas em várias cidades alemãs".

O social-democrata Otto Schily, ministro do Interior, acusa seus adversários políticos de deturpar os fatos: "Um aumento drástico da cidadania dupla na Alemanha não ocorreu". Para o ministro, os democratas-cristãos ignoram que o maior contingente entre os detentores de dupla nacionalidade é de imigrantes do Leste Europeu, que têm direito à cidadania por serem descendentes de alemães. Entre 1993 e 2000, 1,2 milhão de pessoas receberam um passaporte alemão desta forma, sem ter que abdicar de sua nacionalidade de origem.

Refugiados - Além desse grupo, há uma pequena parcela de estrangeiros na Alemanha, que a partir da entrada em vigor das novas leis procurou reaver sua cidadania antiga, abdicada quando da obtenção da alemã. Também asilados e refugiados políticos não precisam abdicar de suas cidadanias de origem quando recebem a alemã, pois para isso "teriam que entrar em contato com os Estados que os perseguem", observa Schilly.

A tentativa dos democratas-cristãos de promover uma campanha contra a dupla cidadania, incitando a opinião pública, parece, no entanto, não surtir efeito entre a população alemã. Tudo indica que os ânimos se acalmaram em relação ao tema, pois, "na prática, a concessão da dupla nacionalidade transcorre sem maiores problemas", como afirma o diário Neue Osnabrücker Zeitung.