Duo berlinense mistura MPB e música experimental em disco de estreia | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 20.07.2011
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Cultura

Duo berlinense mistura MPB e música experimental em disco de estreia

Duo berlinense formado pelo brasileiro Chico Mello e pelo alemão Nicholas Bussmann mistura referências de MPB, música de câmara e eletrônica, criando uma bela bossa de experimentalismo e melancolia.

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Os músicos Nicholas Bussmann e Chico Mello

Achar uma definição para a música do duo berlinense Telebossa é uma tarefa difícil. A mistura entre música de câmara, bossa nova, samba, música eletrônica e contemporânea poderia ser definida como experimental. Um termo complexo que pode afastar ouvintes e privá-los das canções que fazem parte do álbum de estreia do duo, lançado recentemente na Alemanha, Estados Unidos e Japão.

A singularidade das sete canções que compõe o álbum Telebossa, da dupla homônima, está escondida em pequenos detalhes, que vão se revelando a cada audição.

Melancolia alemã, saudade brasileira

A dupla é formada pelo compositor brasileiro de música contemporânea Chico Mello e pelo alemão Nicholas Bussmann, que participa de diversos projetos de música eletrônica. O curitibano estudou música e medicina no Brasil. Em 1987, veio estudar na Alemanha e acabou fixando residência em Berlim.

Deutschland Brasililen Musik Telebossa Zeichnung

O duo berlinense Telebossa

Mello é um estudioso que tem um carinho especial pela música popular brasileira. Uma mistura de respeito e nostalgia. "Foi muito bom ser criança e adolescente durante os anos 60, uma fase tão rica da música popular brasileira", declarou. Desde pequeno, Mello cantava e tocava o violão. Em sua fase acadêmica, afastou-se um pouco da música, o que retomou quando se mudou para Berlim.

Nos anos 1990, ele aproximou esses dois universos ao passar uma temporada no Brasil, onde passou a recompor músicas populares criando uma conversa com a música contemporânea. "Comecei a re-harmonizar algumas canções. Experimentava, fazia loops como os músicos de free jazz. Passei a morar dentro dessas canções", completou o músico.

O brasileiro é figura conhecida nas rodas de música experimental em Berlim e acabou encontrando Nicholas Bussmann, popular na cena local por bandas como Kapital band 1. Depois de anos se encontrando na noite, o alemão convidou Mello para fazer música juntos. Dessas jam sessions nasceu o Telebossa.

Novela da repetição

O nome Telebossa veio do subtítulo de uma ópera que Mello compôs tendo como base uma peça inglesa que trabalhava a repetição. "Montamos a ópera como a gravação de uma telenovela. A música que compus brincava um pouco com o som das vogais e soava como um samba. Dessa mistura eu criei o subtítulo Telebossa", disse Mello. Bussmann gostou tanto do termo que acabou dando esse nome à parceria entre os dois músicos.

A dupla começou a gravar já nos primeiros encontros. Mello sugeriu um repertório que incluía músicas de Noel Rosa e Pixinguinha. "Levei para os ensaios algumas canções que eu já fazia e criamos novas versões juntos". Já Bussmann cuidou mais da concepção sonora do disco. "Ele é um gourmet do estúdio, além de um grande conhecedor de música pop", completou Mello.

Inverno de saudade

Do estúdio, a banda passou a se apresentar ao vivo. Mello canta e toca violão e Bussmann cuida do violoncelo. O próximo passo foi usar essas canções para o primeiro disco da dupla, que mescla o passado experimental e eletrônico dos artistas com a música de câmara.

O disco traz um repertório mais de samba e encontra a bossa na interpretação de Mello, que na verdade se inspirou na música indiana em sua maneira de cantar. "Estudando música indiana, aprendi a usar a voz de uma maneira mais simples e límpida, uma clareza e uma simplicidade que a bossa também tem. Em algumas regiões do norte da Índia, eles passam meses cantando uma nota só. A melodia é desfocada e me concentro na vibração", disse o músico.

O Telebossa vai cair na estrada para mostrar seu disco de estreia. Em outubro, a dupla faz shows no Estados Unidos. E eles já pensam em gravar um segundo disco. Segundo Mello assim que a temperatura esfriar eles voltam ao estúdio. Clima ideal para reconstruir clássicos, brincar com barulhinhos eletrônicos e encher o inverno daquela melancolia gostosa da saudade, que só a música brasileira consegue alcançar.

Texto: Marco Sanchez
Revisão: Carlos Albuquerque

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