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Ciência e Saúde

Droga experimental ZMapp cura macacos infectados por ebola

Novos testes em animais apresentam resultados promissores. Primatas que já manifestavam sintomas da doença, até cinco dias depois de serem infectados pelo vírus, foram curados, revela estudo.

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Macaco Rhesus

O medicamento experimental contra o ebola ZMapp surtiu efeito em macacos mesmo cinco dias depois da contaminação pelo vírus, segundo um novo estudo canadense. Os animais já mostravam fortes sintomas da doença, escreveram os autores da pesquisa recentemente publicada na revista científica britânica Nature.

A febre é somente um dos sintomas do ebola. Além disso, o número de glóbulos brancos aumenta, e o de plaquetas diminui, provocando o sangramento das mucosas. Todos esses sintomas diminuíram visivelmente após o tratamento com o ZMapp. Os macacos foram curados, relataram o pesquisador Gary Kobinger e sua equipe da Agência de Saúde Pública do Canadá.

Em testes anteriores, o ZMapp havia sido aplicado em animais logo depois de eles terem contraído o ebola. Mas, aparentemente, o remédio também funciona quando o tratamento começa somente cinco dias após a infecção.

Para o estudo canadense, dezoito macacos Rhesus infectados com o ebola foram tratados com o ZMapp. Um terço recebeu a primeira dose do medicamento três dias depois da infecção; um terço, quatro dias depois; e o restante, cinco dias depois. Outras duas doses da medicação foram administradas após um intervalo de três dias. Todos sobreviveram.

Sierra Leon Ebola Beerdigung Opfer 14.08.2014

Epidemia atual do ebola já deixou mais de 1,5 mil mortos na África Ocidental

Ainda não está claro se o ZMapp poderia alcançar um sucesso semelhante em seres humanos. As experiências até o momento limitam-se a dois americanos que foram infectados pelo vírus – tendo um deles, o médico Kent Brandly, recebido alta em meados de agosto. Dois outros pacientes começaram a ser tratados com o ZMapp, mas não resistiram à doença.

Poucas reservas

Quantidades enormes do ZMapp seriam necessárias para tratar as pessoas infectadas até o momento na epidemia atual, que já provocou mais de 3 mil casos da doença na África Ocidental. Entretanto, as reservas estão quase esgotadas e precisariam ser repostas.

A produção do ZMapp, porém, é complexa, segundo Bernhard Fleischer, do Instituto Bernhard-Nocht de Medicina Tropical, em Hamburgo, na Alemanha. "Trata-se de anticorpos monoclonais que foram desenvolvidos contra o vírus do ebola. Eles são muito similares aos anticorpos humanos."

Os anticorpos foram geneticamente modificados, e o material genético para a sua produção foi introduzido em plantas, que produzem, então, os anticorpos. "As plantas se desenvolvem bem e podem ser cultivadas em estufas em grande quantidade", diz Fleischer. "No entanto, o método de extração é muito complexo. É preciso extrair da planta essas poucas moléculas e eliminar resíduos."

Somente para emergências

Os anticorpos são armazenáveis e poderiam ser pré-produzidos, mas o fato é que ninguém contava com um surto do ebola como o atual. Assim, os estoques de ZMapp foram rapidamente esgotados. Por muito tempo, não ficou claro se um medicamento ainda em fase de testes poderia ser utilizado, até que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso de tratamentos experimentais.

"Deve-se sempre decidir se o benefício para o paciente é grande o suficiente para utilizar o medicamento não aprovado", pondera Fleischer. "É necessário decidir em cada caso. Isso não é algo que se pode distribuir em larga escala no momento, nem mesmo para profilaxia."

Fleischer afirma, entretanto, que os testes bem-sucedidos com macacos Rhesus são um passo importante para o avanço do tratamento de pessoas infectadas com pelo ebola.

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