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Cultura

Dresden emerge das águas

Um ano após as enchentes que tanta destruição causaram na Alemanha e em outros países, Dresden retoma a vida cultural, após reconstrução e restaurações, como expõe Bernd Graessler, nesta reportagem da DEUTSCHE WELLE.

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A Semperoper (esq.) e a praça Zwinger (dir.), em 14/08/02

Dezenas de mortos, centenas de feridos, milhares de pessoas desabrigadas e centenas de milhares evacuadas - esse o trágico balanço de vítimas da "enchente do século" em agosto de 2002 na Europa. Ela atingiu principalmente a República Tcheca, a Áustria e o leste da Alemanha.

A onda de solidariedade foi grande. Donativos em dinheiro e espécie foram encaminhados às regiões afetadas. Em várias partes do país, pessoas largaram tudo para ajudar a construir diques, com tratores, veículos ou enchendo sacos de areia com as próprias mãos.

A volta dos turistas

Em Dresden, cidade próxima às fronteiras tcheca e polonesa, a população passou dias tratando de salvar das águas quadros e objetos de artes do arcevo de importantes museus. Sua mundialmente famosa praça (Zwinger) com construções barrocas do século 18, bem como o teatro de ópera Semperoper foram inundados.

Um ano depois, os trabalhos de reconstrução estão praticamente concluídos. "Em geral eu diria que Dresden se recuperou da enchente. E o que é muito importante, o número de turistas voltou a aumentar", disse à DEUTSCHE WELLE o prefeito Ingolf Rossberg.

Aspectos positivos da catástrofe

No calçamento da praça diante da Ópera Estatal da Saxônia o visitante atento ainda notam restos da lama vermelha do Rio Elba, que não comportou o dilúvio iniciado em julho de 2002.

Mas na Semperoper, que retomou a programação em abril, o diretor técnico Volker Butzmann está até satisfeito com a grande renovação forçada pelas enchentes. "De uma só vez nós pudemos renovar toda a parte técnica, o chão nas oficinas do teatro. Para muitos teatros, não passa de um sonho, poder fazer uma reforma tão grande. Bem, esse é o lado positivo. Na época, isso nem nos passou pela cabeça".

Solidariedade salvou mestres da pintura

As águas atingiram nove metros na famosa ópera, invadindo a casa de máquinas do palco, os camarins, as oficinas e o restaurante. Mas isso só aconteceu porque a direção da Semperoper foi solidária com um museu próximo, a Gemäldegalerie. Situado na praça, ele estava para sucumbir às águas que ali fariam estragos irreparáveis.

"No praça, o perigo era que os quadros dos velhos mestres da pintura afogassem. Os colegas amarraram todos eles no teto, mas a água subia e subia. Então eles nos pediram para tirarmos a água de lá, dizendo que na ópera não seria problema consertar depois o assoalho, mas os quadros estragariam. E foi assim que nós bombeamos a água da praça para a ópera."

Rubens, Rembrandt, Raffael e Tizian agradeceram a ação solidária na hora do aperto, que os salvou do afogamento. E seis bombeiros conseguiram tapar um dique no Elba no último minuto, antes que as águas invadissem também o belo saguão da Semperoper. Os 25 milhões de euros para o saneamento do teatro vieram do fundo estatal para a reconstrução. Inúmeras pessoas de todo o mundo doaram especialmente para a Semperoper, ao todo 2,5 milhões de euros. Com o que restou dos recursos, a direção está reparando agora os enormes cenários e substituindo os móveis que não foi possível restaurar.

Conselho cívico ajuda vítimas

Longe do mundo da arte é que se desenrolam os verdadeiros dramas, disse à DW Winfried Ripp, da Fundação Cívica Dresden. Nos subúrbios e cidadezinhas ainda há casas sem reboque e muitos comerciantes e autônomos estão à beira na ruína, ao não poderem fazer seus negócios. Ripp preside o conselho de cidadãos que a prefeitura nomeou para ajudar a decidir sobre a distribuição de mais de 10 milhões de euros de donativos particulares.

"Quem teve um prejuízo de 100 mil euros, recebeu 80 mil do Estado, os outros 20 não foram reembolsados. Muitas pessoas, por exemplo, tinham uma casa que era o seguro da sua velhice, pois sua aposentadoria é muito pequena. Os autônomos foram os mais afetados. E quem perdeu tudo o que havia dentro de casa, recebeu no máximo 20% do valor do seguro" - expõe.

Um banco central de dados na Cruz Vermelha, com o simbólico nome de Fênix, registrou 90% dos donativos, excluindo o máximo possível qualquer desvio ou fraude. Até o fim do ano, o conselho se reunirá, pois ainda há casos de pessoas que precisam de ajuda, segundo Winfried Ripp. Como um mágico de Radebeul, que deixou passar o prazo para solicitar indenização. As águas do Rio Elba levaram todo o material das suas apresentações. E como não sobrou nem a varinha de condão, o conselho ajudou-o liberando 20 mil euros.

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