1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Dossiê de Blair contra Bagdá não convence peritos alemães

Especialistas consideram insuficientes as informações do dossiê sobre o Iraque apresentado pelo premiê britânico, Tony Blair.

default

O polêmico dossiê sobre armas de extermínio do Iraque foi recebido com cautela

O dossiê ofereceria indícios relevantes de que Bagdá tentou desenvolver armas químicas, biológicas e nucleares desde a retirada dos inspetores da ONU do país, em 1998. A tentativa de Saddam Hussein importar urânio da África ou comprar material de tecnologia nuclear e o retorno de especialistas iraquianos ao país, por exemplo, são suficientes para deixar apreensiva a comunidade internacional.

No entanto, a imprecisão dos dados do dossiê, baseado estritamente em fontes dos serviços secretos ocidentais, impossíveis de serem verificadas, portanto, causou apenas ceticismo até agora. O documento não chegou a impressionar a França e a Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dos quais depende a aprovação de uma possível ofensiva da comunidade internacional contra o Iraque.

Faltam provas sobre agentes biológicos

Na avaliação do perito em armas de extermínio do Instituto de Pesquisa da Paz de Hamburgo, Götz Neuneck, o Iraque já chegou a representar perigo em 1990, quando Saddam Hussein ainda dispunha de grande número mísseis Scud – uma ameaça que perdeu sentido após a desintegração do arsenal aéreo do país.

Em entrevista ao diário alemão Süddeutsche Zeitung, Neuneck também lembrou que a produção de armas químicas requer uma quantidade enorme de material e que a distribuição dos agentes no caso das armas biológicas é extremamente complicada.

O perito em armas biológicas da organização alemã e americana Sunshine Project, Jan van Aken, também se refere à falta de provas de que o Iraque tenha retomado a produção de agentes biológicos e químicos.

Sem infra-estrutura para produzir bomba atômica

Quanto ao arsenal nuclear do Iraque, o dossiê alerta que Saddam Hussein estaria apto a produzir a bomba atômica dentro de um a dois anos. Para Götz Neuneck, isso deve ser encarado com seriedade, sobretudo porque o Iraque disporia de know-how técnico satisfatório.

Por outro lado, as instalações militares para estes fins foram destruídas durante a permanência dos inspetores da ONU no país, o que dificulta enormemente a produção da bomba atômica. O dossiê documenta que Bagdá conseguiu reunir 30 quilos de material nuclear por meio de contrabando, sem especificar – por exemplo – qual tipo de urânio foi comprado.