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Economia

Dortmund vai testar etanol brasileiro

Acordo de parceria na área de biocombustível foi anunciado no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que reuniu mais de mil empresários dos dois países em Fortaleza.

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Logotipo do encontro bilateral que discutiu novas cooperações

O Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2005 foi "uma feira de idéias, uma plataforma para o contato entre empresários", declarou o presidente da Basf América do Sul e da Câmara Brasil-Alemanha (AHK), Rolf-Dieter Acker, ao avaliar os resultados do evento, que terminou nesta terça-feira (05/07), em Fortaleza. "Antes de fechar negócios, os empresários precisam se conhecer, trocar propostas. Foram discutidos novos temas de interesse, os quais serão amadurecidos e certamente terão possibilidade de resultar em ações concretas", afirmou.

Desde domingo (03/07), mais de mil empresários alemães e brasileiros discutiram questões ligadas às relações bilaterais, com destaque para a agroindústria, energias renováveis, turismo, infra-estrutura e investimentos, com resultados concretos em termos de novas cooperações.

Na área de biocombustível, foi anunciado um acordo entre Brasil e Alemanha que prevê testes com biodiesel (mistura de diesel com óleos naturais, como a mamona, palma e a soja) em dez ônibus de Fortaleza. Já na cidade alemã de Dortmund, serão feitas experiências com o etanol. Cerca de 120 veículos de órgãos da administração pública municipal usarão o sistema de combustível flex-fuel. Os testes serão feitos em três frotas, uma usará etanol brasileiro, outra etanol alemão e a terceira, uma mistura dos dois combustíveis.

No setor de energias renováveis, as empresas Fuhrlander, da Alemanha, e Ventos, do Brasil, vão investir 125 milhões de dólares no Ceará até 2007. As obras da nova indústria de aerogeradores terão início na primeira quinzena deste mês, no terminal portuário do Pecém. Até julho de 2007 serão produzidos 256 aerogeradores, todos para os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte.

Em agosto próximo, a Fuhrlander selecionará 20 técnicos e quatro engenheiros brasileiros para treinamento na Alemanha, a fim de transferir a tecnologia de construção dos aerogeradores para o Brasil, anunciou a empresa.

Mais investimentos dependem de reformas

Segundo o presidente da AHK, Rolf-Dieter Acker, em 2004, os empresários alemães investiram 800 milhões de dólares no Brasil, 60% a mais do que os 500 milhões de dólares investidos em 2003. "Mais de 1200 empresas alemãs já atuam no país, que tem muitas áreas de negócios rentáveis, em que vale a pena investir", disse, durante o painel "Investimentos no Brasil – Engajamento a Favor do Crescimento Sustentável". O comércio entre os dois países totalizou 10 bilhões de dólares no ano passado.

O embaixador brasileiro na Alemanha, José Artur Denot Medeiros, lembrou que os investimentos alemães no Brasil chegaram a representar, no passado, 25% do total das aplicações estrangeiras no país, ao passo que hoje significam apenas 5%. "Esse cenário precisa ser revertido", declarou.

A receita para reverter esse quadro foi apontada por Uriel Sharef, membro da diretoria da Siemens, na reunião temática "O Brasil como Pólo de Investimento, Competindo com Outros Países". Segundo Scharef, o Brasil precisa ampliar e melhorar as condições de infra-estrutura e de logística aeroportuária, reduzir a burocracia nos negócios, regulamentar de forma clara as atividades produtivas e diminuir a carga fiscal dos investimentos para atrair mais empresas estrangeiras.

Dr. Michael Rogowski, Präsident des Bundesverbandes der Deutschen Industrie (BDI)

Michael Rogowski, vice-presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI)

"O Brasil é e continuará sendo o país preferido pelos empresários alemães na América Latina", disse o vice-presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Michael Rogowski.

Mercosul e Copa

Já na abertuta do encontro, no domingo, o vice-ministro alemão da Economia e do Trabalho, Rezzo Schlauch, provocara o ministro Luiz Fernando Furlan ao cobrar dos chamados ''vencedores da globalização'' – Brasil, China e Índia – maior abertura do setor industrial e reformas aduaneiras. Ele destacou o empenho da União Européia em abrir o seu setor agrícola, solicitando uma contrapartida do Brasil.

Tanto Schlauch quanto Rogowski pediram mais empenho brasileiro na consolidação do Mercosul e na aproximação do bloco com a União Européia. "Esse é um momento histórico de convergência, de trocas comerciais, oportunidade
para o diálogo, para o trabalho e para expansão do relacionamento bilateral entre Brasil e Alemanha", afirmou Schlauch.

Realizado logo após a conquista brasileira da Copa das Confederações na Alemanha, o encontro de Fortaleza, o primeiro do gênero realizado no Nordeste, também não escapou à febre do futebol. Durante o evento foi apresentado um terminal de internet multifuncional, especialmente desenvolvido para oferecer a turistas e torcedores entretenimento e informações sobre a Copa do Mundo de 2006. Foi montado um "Chute a Gol" que atraiu a atenção dos participantes durante os intervalos.

Calcula-se que cerca de 10 mil brasileiros visitarão a Alemanha durante o Mundial do ano que vem, quando o encontro bilateral acontece em Berlim.

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