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Alemanha

Doping faz TVs suspenderem transmissão da Volta da França

Após primeiro teste positivo de testosterona do ciclista Patrik Sinkewitz, TVs públicas alemãs suspendem transmissão da Volta da França e políticos questionam o financiamento público de esportes em geral.

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Escândalos no ciclismo podem se estender a outros esportes

O mais recente caso de doping envolvendo o ciclista Patrik Sinkewitz da equipe alemã T-Mobile, patrocinado pela companhia telefônica alemã, levou as principais redes de TV pública do país a cancelarem a transmissão da Volta da França até que o caso seja esclarecido.

A análise da primeira amostra de sangue do ciclista acusou a presença de um nível seis vez maior de testosterona do que o normal. Sinkewitz está suspenso até que saia o resultado de uma segunda amostra. A colisão com um espectador, no último domingo (15/07), fez o ciclista abandonar a prova e voltar à Alemanha.

Não somente o financiamento do ciclismo através de fundos públicos foi questionado por políticos do Parlamento alemão, na última quinta-feira (19/07), mas também o financiamento de outras modalidades de esporte em geral.

"Não se pode imaginar que o doping seja restrito ao ciclismo"

"Fundos públicos estão sendo mais do que questionados", afirmou Peter Danckert, presidente da Comissão de Esportes do Bundestag. "Isto se aplica ao ciclismo e também a outros tipos de esporte".

Patrick Sinkewitz

Patrik Sinkewitz é acusado de doping

A grande preocupação, no entanto, está sendo a declaração conjunta das duas maiores redes públicas de TV alemãs, ARD e ZDF, de abandonarem sua cobertura da Volta da França até o "esclarecimento do caso Patrik Sinkewitz". Cerca de um milhão de alemães acompanhavam a transmissão ao vivo da Volta na TV. "Isto é um aviso para o ciclismo e para qualquer outro tipo de esporte", afirmou Nikolaus Brender, redator-chefe da ZDF.

Teme-se que a decisão das duas redes possa ter implicações também para outros esportes. Dagmar Reim, diretor da rede de TV de Berlim-Brandemburgo (RBB), afirmou que "realmente não se pode imaginar que o doping seja restrito ao ciclismo".

Pouca anuência da mídia

A mídia européia reagiu com pouca anuência à declaração das redes de televisão alemãs. O espanhol El País escreveu: "A saída da ARD e ZDF é um golpe duro para um esporte cuja receita provém exclusivamente da aparição de patrocinadores nas transmissões".

O jornal italiano Il Messaggero afirmou que "a Volta da França pode ser contada de várias maneiras, também por relatar mais sobre doping do que sobre a corrida em si. O cancelamento das transmissões não faz a Volta mais limpa, mas lhe dá o carimbo de contaminada e a faz isolar-se. Será este o caso dos Jogos Olímpicos, do Mundial de Atletismo, do Futebol? Não se sabe. A sorte está lançada e o debate continua".

Para o britânico Daily Telegraph, "um total de 90 minutos de transmissão estavam planejados pelas redes de TV para a transmissão da Volta. O órgão responsável pela organização do evento, a Amaury Sport Organization (ASO), criticou as redes alemães, que representam sua segunda maior fonte de receita através da venda de direitos de transmissão".

O redator-chefe do jornal alemão Frankfurter Rundschau comenta que "ARD e ZFD tornaram-se colegas dos organizadores da Volta em uma mesma equipe. Ou seja, eles faziam propaganda, não jornalismo. Agora, que o ciclismo se encontra em apuros, eles também estão no mesmo barco. Desta forma, têm que reagir".

"O doping custa muito dinheiro"

Deutschland Radsport Doping Probe

Doping custa caro

Enquanto isso, importantes patrocinadores estão reconsiderando seus programas de patrocínio esportivo. T-Mobile, patrocinador do time mais diretamente envolvido nas acusações de doping, irá reconsiderar seu programa de patrocínio na próxima reunião de seu conselho administrativo, afirmou Ado Wilhelm, vice-presidente do grêmio, ao jornal Süddeutsche Zeitung, na quinta-feira (19/07).

A companhia de bebidas alemã Gerolsteiner, patrocinadora de uma outra equipe da Volta da França, também anunciou que esperará até agosto para decidir se continua com seu patrocínio do ciclismo, afirmou o porta-voz Stefan Göbel.

No entanto, Sylvia Schenk, ex-presidente da Federação do Ciclismo Alemão, declarou, em entrevista à TV RBB, que concorda com o cancelamento das transmissões da Volta: "O doping custa muito dinheiro. É o dinheiro que os patrocinadores e as TVs trazem para o esporte. É óbvio que se tem que tirar o dinheiro para que as pessoas comecem a pensar e percam a possibilidade financeira de se doparem". (ca)

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