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documenta

"Documenta" dedica tempo ao cinema

Ciclo de filmes a serem exibidos durante a "documenta" inclui "Porto das Caixas", do cineasta brasileiro Paulo César Sarraceni.

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George Saunders e Ingrid Bergman, em 'Viagem à Itália', de Rossellini

"O lugar do filme na documenta 12 é o cinema. Esta é a resposta curta aos debates dos últimos anos, a respeito da melhor forma de exibir imagens em movimento no contexto da arte", anuncia Alexander Horwath, responsável pelo seleção de filmes a serem exibidos durante a documenta de Kassel e diretor do Museu do Cinema de Viena.

A decisão de Horwath de levar o visitante da documenta ao cinema e não fazê-lo ver um filme aqui e outro ali, entre as obras de artes expostas, põe fim às acusações de que exposições – como a última documenta, por exemplo – integram filmes de curta e longa duração, sem, no entanto, prestar atenção na forma como estes devem ser exibidos. Má qualidade de som, pessoas entrando e saindo das "caixas pretas" e um sem-fim de interrupções que acabam, não raramente, numa recepção deficiente da obra exibida.

"Filmes normais"

Roberto Rossellini

Diretor italiano Roberto Rossellini

A seleção de Horwath em Kassel atrela a história do cinema à história da própria documenta, através da limitação do espaço de tempo do material escolhido: da segunda metade do último século até hoje. Ou seja, um período que começa com a primeira documenta, em 1955, e termina em 2007.

Serão 50 programas de um ou mais filmes, a serem exibidos em duas seções não consecutivas durante os cem dias de documenta. São filmes "de todos os gêneros", garante a curadoria: do popular à vanguarda e do documentário ao experimental.

Apesar da "diversidade" anunciada, os primeiros nomes de diretores listados deixam claro o pensamento atrás da escolha, que começa com ninguém menos que Roberto Rossellini, Abbas Kiarostami e Johan van der Keuken. Horwath cita em declarações à imprensa alemã seu retorno ao "conceito polêmico de um cinema normal", que remete a um ensaio do crítico Bert Rebhandl, de 1997, escrito durante a documenta 10, sob a curadoria da francesa Catherine David.

O "filme normal", no caso, é visto por Horwath não como o cinema comercial aos moldes de Hollywood, mas como um tipo de cinematografia que, apesar do apuro estético, raramente encontra espaço no universo das artes plásticas e numa mostra como a documenta.

Clássicos e experimentais

A idéia é distanciar-se do nicho dos portraits de artistas plásticos ou do foco específico em filmes experimentais, para dar espaço aos cânones da história do cinema.

Entre os escolhidos está, por exemplo, o clássico Viagem à Itália (1953), de Rossellini, o road movie iraniano Vida e nada mais (E a vida continua), de Kiarostami, e Férias Prolongadas, do grande documentarista holandês Johan van der Keuken, morto depois de concluir o filme, que tematiza com rara delicadeza seu próprio câncer.

Dos 96 filmes selecionados, consta apenas um brasileiro: Porto das Caixas (1961), de Paulo César Sarraceni, um retrato do machismo na sociedade brasileira e uma homenagem sutil da curadoria da mostra aos primórdios do Cinema Novo.

Destruindo mitos

Rainer Werner Faßbinder

Cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder

Nos cem dias de documenta, haverá certamente quase tudo para quase todos os gostos. Desde Mouchette, a virgem possuída (1967), de Robert Bresson, à noite de homenagem à Filmkunst, um gênero cinematográfico que, segundo os organizadores da mostra, "destrói os mitos do cotidiano [numa alusão às Mitologias, de Roland Barthes] e as ilusões da continuidade do tempo, sobre os quais esses mitos se apóiam".

Não destruído, mas sim transformado em história e embalsamado como obra de arte numa "documenta", está ainda, por ironia do destino, Num ano de 13 luas (1978). "O mais histérico, desesperado e grandioso filme de Rainer Werner Fassbinder", segundo os organizadores em Kassel.

Um filme no qual o cineasta alemão revela, com seu olhar cruel e impiedoso, os últimos dias na vida do transexual Elvira – personagem que destila desespero e neuroses, envolto pela arquitetura de concreto de Frankfurt e em busca de conforto num universo completamente desolado. Um exemplo de "vida nua" na ficção, bem antes de Agamben.

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  • Data 31.05.2007
  • Autoria Soraia Vilela
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  • Link permanente http://p.dw.com/p/Amr2
  • Data 31.05.2007
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