1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

documenta

"documenta" 12: sucesso no fracasso?

Mostra de 100 dias em Kassel chega ao fim, contabilizando número recorde de visitantes e avalanche de ataques da mídia. Diretor artístico reage de forma exagerada e afirma estar feliz por incomodar.

default

Noack e Buergel: menos sorrisos que há 100 dias atrás

Os jornais alemães (nacionais e regionais), as revistas especializadas e os correspondentes dos periódicos estrangeiros enviados a Kassel foram quase unânimes ao destruir a 12ª documenta como uma mostra "sem conceito", que mistura alhos com bugalhos e mais parece "uma Oktoberfest sem cerveja".

Caráter de feira

Em meio à série de polêmicas, houve até quem questionasse o modelo documenta, afirmando que o mercado hoje fala mais alto e que as enormes feiras de arte são até mais significativas.

"Quando se abdica de critérios, que é o que a documenta fez, então se pode pensar nas feiras realmente como uma plataforma mais adequada para a arte do que as mostras de grande porte, que acabam sendo mais importantes para o marketing e o turismo das cidades onde acontecem do que para a própria arte", alfineta em entrevista ao diário Kölnische Rundschau Klaus Honnef, que participou da curadoria de duas documentas (1972 e 1977).

O veredicto de que até as feiras são mais consistentes que sua documenta é uma ironia do destino para o diretor artístico Roger M. Buergel, cujo discurso pregava exatamente a distância do mercado e o "não" aos nomes conhecidos do establishment. Porém, a estratégia de expor obras de artistas "que ninguém conhece" foi, ao contrário, interpretada por parte da crítica como truque publicitário para causar sensacionalismo.

Teste para macacos e papagaios

documenta 12 - Sheela Gowda

'And...,' da indiana Sheela Gowda

Indiferença e opressão

BdT documenta 12 - Mohnfeld

Papoulas exuberantes: momento raro

Perda da inocência

Deep Play, 2007 documenta12

'Deep Play', de Harun Farocki

Clique abaixo para continuar lendo.

Na memória acerca desta documenta 12, talvez reste, contudo, bem menos lembranças dos onipresentes Juan Davila, John McCracken e Cosima von Bonin que do trabalho sensível de Nasreen Mohamedi – "uma das grandes descobertas desta documenta" ( Berliner Zeitung) – e do contundente El Dorado pós-comunista dos jovens migrantes da obra de Danica Dakic – "um rap da esperança no meio do desespero" ( Der Tagesspiegel) – encenado à frente dos papéis de parede "idílicos" do século 19.

E certamente o Deep Play de Harun Farocki, videoinstalação em vários canais, que sacode o visitante ao expor o jogo midiático ao qual ele está exposto, numa reflexão ácida sobre as matrizes às quais nossa percepção está condicionada. Não apenas um tratado sobre a encenação do futebol, mas a prova definitiva de que "o olhar perdeu definitivamente sua inocência à frente da tela, mesmo quando o observador nem ao menos percebe [ao que está sendo submetido]" ( Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung).

Entre os adjetivos que desqualificaram a mostra de Buergel estão "catastrófica" ( New York Times) e "presa a uma atmosfera de indiferença e opressão" ( Frankfurter Rundschau) – observação pertinente ao Aue-Pavillon, estufa (semelhante às das feiras) onde se amontoaram obras de arte para desespero do visitante e desrespeito aos artistas que só tiveram suas obras ali expostas.

O dedo em riste em direção à curadoria veio ainda no registro incessante das papoulas que não floresceram como esperado na obra da artista Sanja Ivekovic, do arrozal que não cresceu do tailandês Sakarin Krue-On, da escultura Template do chinês Ai Weiwei, que desmoronou em dia de mau tempo. Foram as "pequenas catástrofes naturais" oferecidas de bandeja para a mídia ferina, observa o próprio Buergel em entrevista ao Hannoversche Allgemeine Zeitung.

A falta de consistência da mostra foi vista pela mídia no "excesso de encenação" ( taz) e nas "comparações formalistas, que podem até talvez testar a inteligência de macacos ou papagaios, mas são fatais como critérios de processos criativos" ( Süddeutsche Zeitung). Nos questionamentos às associações formais consideradas forçadas, a "migração da forma" como fio temático é entendida como mero rótulo adotado para esconder a falta de coerência.

"Eles [Roger M. Buergel e Ruth Noack] acreditam estar, com isso e com outros paralelos anacrônicos e traçados às pressas, contribuindo para uma compreensão mais profunda da arte. Na verdade, misturam não apenas épocas e situações que carecem de uma separação acurada, mas também negam todos os pressupostos técnicos de cada objeto e, o que é imperdoável, toda forma de individualidade", critica o jornal de Munique.

Leia mais