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documenta

"documenta" 12 encena espaço ilimitado de analogias

Ao esboçar alguns referenciais modernos da arte contemporânea e a transformação das formas de um espaço cultural para o outro, a "documenta" 12 cria um labirinto infinito de analogias entre diferentes tempos e espaços.

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Plantio de arroz tailandês em Kassel

A documenta 12 foi inaugurada em Kassel, mas o suspense não acabou. Para Roger Buergel, diretor artístico deste importante evento internacional de arte contemporânea, uma exposição que se dá por terminada está morta. A mostra ainda deverá se transformar ao longo de cem dias, desde a abertura para o público, 16 de junho, até o encerramento em 23 de setembro.

Um dos motivos de grande especulação até então tinha sido a lista de artistas participantes. Isso foi mantido em sigilo na medida do possível, embora já estivesse claro que esta não seria uma documenta de grandes nomes.

Após a divulgação da lista, Buergel afirmou não se sentir nem um pouco obrigado a justificar sua escolha perante a opinião pública, argumentando que seu interesse era fazer uma exposição para despertar e cultivar o "espírito estético". Se bem que este espírito estético, admitiu ele, evidentemente seja transmitido por indivíduos.

Arte para uns e para todos

Aliás, a documenta 12 revela a interdependência da experiência estética individual e da recepção coletiva de arte, abrindo espaço tanto para a fruição intimista como para a apreciação comunitária das obras expostas.

As peças que exigem uma atenção mais concentrada, seja pelo detalhamento ou sutileza da execução, estão expostas em gabinetes de diferentes cores, sob uma iluminação que insula as obras e permite maior foco na contemplação.

Este é o caso das miniaturas, dos desenhos, das pinturas e dos objetos expostos na Neue Galerie e no Schloss Wilhelmshöhe. O uso de cor como fundo da obra foi algo que exigiu uma certa negociação com os artistas, habituados às superfícies brancas como espaço de suas obras. Mas a direção artística conseguiu se impor com sua máxima " light cube em vez de white cube".

Deutschland Kunst Documenta 12 Giraffe

'The Zoo Story', instalação do austríaco Peter Friedl

Já as grandes instalações, os painéis e as esculturas agrupadas no Fridericianum, no Aue-Pavillon ou no documenta-Halle estão dispostos em grandes ágoras, assimilando as massas de visitantes ao seu raio de alcance. Nestes casos, a apreciação das obras necessariamente se torna uma experiência coletiva, gerando um vínculo maior entre os observadores.

Nem tudo se deixa globalizar

"Migração da forma" é um dos princípios centrais da concepção da documenta 12. Ao expor obras modernistas produzidas em algumas partes do mundo nas décadas de 60 e 70, a exposição remete a referenciais locais da arte produzida hoje.

A produtiva tensão entre o local e o global revelada pela exposição de Kassel faz o visitante atinar para o fato de que a globalização não necessariamente dilui especificidades regionais e históricas.

Enquanto há coisas que se deixam transportar de um lugar para o outro, há outras que só podem ser apreciadas in loco. Esta é uma "mensagem" que a documenta 12 transmite com clareza. Como representar a China numa exposição internacional de arte contemporânea, como transladar o contexto de produção das obras para um outro lugar?

Na performance Fairytale, o artista chinês Ai Weiwei resolveu convidar 1.001 chineses a Kassel durante a documenta, 200 de cada vez. A "representação" chinesa na mostra é reforçada com 1001 cadeiras de madeira da dinastia Qing (1644–1911), espalhadas pelos espaços de exposição para os visitantes descansarem.

Deutschland Kunst Documenta 12 der spanische Meisterkoch Ferran Adria

Ferran Adrià

Já o cozinheiro catalão Ferran Adrià participa da documenta 12 sem nenhuma obra em Kassel. Seu restaurante elBulli, em Cala Montjoi, na Espanha, será território da documenta 12 até setembro.

Além de enviar convidados para lá, a documenta declarou que todas as pessoas a visitarem o renomado restaurante de vanguarda neste período estarão automaticamente visitando a exposição.

Reisfelder auf der documenta 12 von Sakarin Krue-On

Terraced Rice Fields Art Project, Sakarin Krue-On

Quanto ao arrozal que o tailandês Sakarin Krue-On tenta plantar nos terraços da Willemshöhe de Kassel, o primeiro jamais cultivado a céu aberto na Alemanha, a transplantação é um experimento que pode perfeitamente dar errado. E os obstáculos locais não são apenas de ordem meteorológica. O plantio foi atrasado pela descoberta de possíveis bombas não detonadas da Segunda Guerra.

Leia mais sobre a inauguração da documenta 12. >>>

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