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Cultura

Documentário revela universo cruel de adolescentes brasileiras

Sandra Werneck e Gisela Camara, diretoras de 'Meninas", exibido no Festival de Berlim, falam à DW-WORLD sobre a ausência do pai, o papel da violência e a ingenuidade das crianças que se tornam mães no Brasil.

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'Meninas', dirigido por Sandra Werneck e Gisela Camara

No Brasil, conta Gisela Camara, 24% das gravidezes anuais são de adolescentes até 19 anos. Os casos de mães entre 10 e 14 anos, às quais o documentário Meninas é dedicado, perfazem 0,8% das gestações no país. Em termos relativos, observa a diretora, "pode não ser muito", mas em termos absolutos "é explosivo".

"Brincando de boneca"

Um dos cuidados das diretoras do filme, exibido na mostra Panorama, do Festival de Berlim, foi o de não deixar o documentário se transformar em uma espécie de tratado institucional, do tipo que explica e contextualiza o fenômeno – crescente no Brasil – das gravidezes prematuras. Isso teria feito com que o filme ficasse "sem alma e perdesse sua essência, que é o cotidiano das meninas", justifica Sandra Werneck ( Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis, Cazuza).

O resultado, ao contrário, é um documentário que não esconde a proximidade com suas personagens e que vai alinhavando, aos poucos, um contato entre estas e o espectador. Tudo num cenário em que crianças vão se preparando para ser mães de outras crianças. "Até outro dia ela ainda chupava dedo vendo televisão", é um dos comentários que se ouve.

Ausência crônica do pai

A ausência do pai é outro tema que permeia o filme. A ausência prenunciada dos futuros pais pode ser lida no comportamento de um deles, que tem duas ex-namoradas grávidas ao mesmo tempo. E a ausência passada dos pais das próprias meninas, que são figuras ausentes no contexto familiar. Uma forma de comportamento que "faz parte da cultura das periferias há anos", observa Sandra Werneck.

A trilha sonora em determinado momento pincela: "jeito de menina, corpo de mulher". Enquanto isso, uma das protagonistas sonha em "crescer junto" com o bebê que está gerando: "A gente vai poder ir junto para os bailes".

A mistura de sonho e ingenuidade esconde, em algum lugar, a tragédia em cada uma delas. "As meninas trazem no solo uma delicadeza, mas o subsolo é trágico", conclui Sandra Werneck.

Meninas ávidas apenas por um mínimo de atenção e em busca de algum papel a ser desempenhado dentro da sociedade. Um papel que a sociedade, até aquele momento, insiste em lhes negar.

Clique na próxima página para ler a íntegra da entrevista com as diretoras Sandra Werneck e Gisela Camara, realizada durante o Festival de Cinema de Berlim.

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