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Cultura

Documentário de Wenders ainda influencia cena artística

O filme "Buena Vista Social Club", dirigido pelo cineasta alemão, possibilita o surgimento de Roberto Fonseca, o novo astro da música cubana, que gravou em estúdio baiano.

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Pianista Roberto Fonseca

Já se vão quase dez anos que Wim Wenders passou por Havana, Amsterdã e Nova York rodando cenas do seu documentário sobre um grupo de velhos músicos cubanos para aquele que iria se tornar um de seus filmes de maior prestígio internacional, o Buena Vista Social Club, que ganhou as telas em 1999.

Inspirando outros colegas

Filmplakat Buena Vista Social Club

Cartaz de 'Buena Vista Social Club'

A película, inspirada no álbum homônimo produzido pelo guitarrista norte-americano Ry Cooder três anos antes, conquistou o mundo inteiro, recolocando a música cubana no centro das atenções. Não era para menos, afinal de contas, os artistas enfocados no documentário eram gente da estirpe de Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Rubén Gonzáles, Omara Portuondo e Eliades Ochoa, a nata do son e do bolero de Cuba.

Buena Vista Social Club foi o primeiro trabalho de Wim Wenders filmado inteiramente com tecnologia digital, o que viabilizou os custos do projeto, que acabou aclamado pela crítica especializada, fisgando o prêmio de melhor documentário no European Film Awards. Ele desencadeou uma verdadeira febre de películas de caráter musical, realizadas nos quatro cantos do mundo – como Moro no Brasil e Brasileirinho, do finlandês de Mika Kaurismäki, e a série The Blues, produzida por Martin Scorsese, dentre muitos outros.

A obra de Wenders gerou também uma infinidade de livros e discos que têm a música de Cuba como tema. Dentre os mais recentes álbuns lançados na Europa, está Zamazu, do pianista de jazz Roberto Fonseca, que vem sendo considerado por muitos um dos melhores discos de todos os tempos já produzidos na ilha caribenha.

Carreira precoce

Roberto Fonseca começou na música tocando bateria, mas ao completar oito anos de idade já estava encarando o teclado preto-e-branco da Escola de Música Guillermo Tomás, em Havana, aprendendo a arte que já fizera a fama de conterrâneos como Bola de Nieve, Rubén Gonzáles, Chucho Valdés e Gonzalo Rubalcaba.

Depois de se destacar no Festival Internacional Jazz Plaza, na capital cubana, Roberto começou a ganhar notoriedade além-mar. Fez sua primeira excursão à Europa aos 21 anos acompanhando o cantor Augusto Enriquez, e logo depois formou com o saxofonista Javier Zalba o grupo Temperamento.

Seu primeiro disco-solo, Tiene que Ver, foi lançado em 1999, e de lá pra cá, o pianista veio colecionando conquistas que o levaram a gravar seu quarto disco para um respeitado selo alemão, o Enja Records, de Munique.

Gravações na Bahia

Roberto Fonseca

Capa de 'Zamazu', de Roberto Fonseca

O que levou o pianista à Bahia foi algo muito especial para ele: "Cuba e Brasil são países muito ligados no que diz respeito à religião e à música, sobretudo nos ritmos africanos. Fomos gravar no Brasil porque essa mescla de ritmos afro-cubanos e afro-brasileiros nunca havia sido feita antes", afirma Roberto.

Depois de se dedicar de corpo e alma à música do cantor Ibrahim Ferrer (1927/2005) e a Omara Portuondo, Roberto Fonseca, 32 anos, queria investir toda experiência adquirida com eles num trabalho conceitualmente mais ousado. E foi encontrar no produtor brasileiro Alê Siqueira, que trazia em seu currículo álbuns como Tribalistas, de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes e Carlito Marrón, de Brown, um grande aliado.

Aliado importante

"Conheci Alê quando ele estava produzindo o disco Flor de Amor (2004) de Omara, do qual participei como pianista. Pensei logo depois em fazer um álbum meu também com ele". A sintonia entre Roberto e Alê se deu logo nos primeiros momentos.

"Quando estávamos fazendo Carlito Marrón, havia os músicos cubanos Papi Oviedo e Angá Diaz que tocavam nele e eram artistas produzidos por Daniel Florestano. Daniel me viu trabalhando na Bahia, e me convidou para produzir o Flor de Amor, de Omara. Fui para Cuba, e lá conheci Roberto. Tivemos uma afinidade musical imediata!", exalta Alê Siqueira.

Zamazu conta com a participação especial do criador da Timbalada, Carlinhos Brown, num disco que faz justiça ao enorme talento do pianista e compositor havanês , que está excursionando pela Europa com seu quarteto cubano que inclui Javier Zalba nos sopros, Omar González no baixo, Ramsés Rodriguez na bateria e Emílio del Monte na percussão.

Buena Vista 2, 3, etc.?

Buena Vista Social Club

O Buena Vista Social Club. Ibrahim Ferrer é o de casaco vermelho

Ibrahim Ferrer, que morreu em 2005, só alcançou o devido reconhecimento muito mais tarde."Eu experimento agora o sonho da minha juventude, no corpo de um homem velho", declarou o sábio músico cubano à imprensa alemã, ao falar da importância do filme de Wenders para a música cubana e os músicos de sua geração, no final da década passada. Buena Vista Social Club é um filme que parece não ter terminado. Ele deve render ainda em breve muitos outros desdobramentos, influente que é na recente história do cinema. "Temos mais de 80 horas de filmagem, um material maravilhoso, que poderia perfeitamente ser dividido em três partes, Havana, Amsterdã e Nova York", insinuou certa vez Wim Wenders.

Parte do disco Zamazu foi gravada no Brasil, mais precisamente no estúdio Ilha dos Sapos, em Salvador, Bahia, de propriedade de Carlinhos Brown. "Ficamos cerca de uma semana gravando por lá. Eu já conhecia o país, onde havia tocado com Ibrahim Ferrer", conta Roberto Fonseca, que acompanhou a estrela do Buena Vista até sua derradeira turnê Mi Sueño – A Bolero Songbook Tour 2005.

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