Doações de companhias estrangeiras influenciam eleições nos EUA | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.11.2010
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Mundo

Doações de companhias estrangeiras influenciam eleições nos EUA

Norte-americanos escolhem seus representantes na Câmara e no Senado. Democratas e republicanos discutem devido doações de firmas estrangeiras. Porém há muito empresas como Basf e Telekom codeterminam política dos EUA.

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Pleito para Congresso movimenta norte-americanos

Nesta terça-feira (02/11) transcorrem as eleições legislativas nos Estados Unidos. Um dos temas enfatizados pelos democratas é o financiamento da campanha republicana, pois, com uma decisão no início de 2010, a Suprema Corte norte-americana possibilitou, pela primeira vez, doações quase ilimitadas por grupos de ação, empresas e sindicatos. Desde então, os republicanos bloqueiam a aprovação da lei que prevê, pelo menos, a divulgação das fontes de verbas.

Nessa zona indefinida, os democratas espalharam a suposição de que dinheiro estrangeiro também esteja envolvido na incrível bonança financeira de seus adversários políticos. O sucesso dessa estratégia dos democratas é, porém, questionável, pois há muito conglomerados estrangeiros – também alemães – participam legalmente da campanha eleitoral estadunidense.

Nuvens de dúvida

Em discurso diante de 4.500 espectadores, em 7 de outubro último, na Bowie State University de Maryland, o presidente dos EUA, Barack Obama, dirigiu críticas a certos doadores dos candidatos republicanos ao Congresso:

"[Os republicanos] aplicam somas ilimitadas em clipes de publicidade atacando os candidatos democratas sem revelar quem está por trás... Pode ser a indústria petrolífera, ou a de seguros. O dinheiro pode até vir de empresas estrangeiras. Não se sabe, porque eles não precisam divulgar."

Para os bons entendedores, essas meias palavras bastaram: Obama se referia à Câmara de Comércio dos EUA, que injeta 75 milhões de dólares na campanha de seus oponentes. Ele classificou o sigilo de fontes como "um perigo, não só para os democratas, mas para nossa democracia".

Indignação republicana

Desde então, um debate acirrado se iniciou na mídia norte-americana sobre a pertinência da estratégia eleitoral democrata, a qual, ao menos segundo seus detratores republicanos, teria algo de desesperado.

Karl Rove, ex-assessor de George W. Bush, é atualmente um dos mais influentes coletores e distribuidores de verbas dentro do Partido Republicano. Ele reagiu com indignação: "Essas pessoas não têm vergonha? O presidente preza tão pouco assim seu cargo, a ponto de lançar tais críticas infundadas sobre seus inimigos políticos? Como o presidente pode dizer uma coisa dessas?"

De fato, até o momento os democratas não conseguiram provar que a campanha republicana seja paga também com dinheiro vindo do exterior, por exemplo, da China. E, por sua vez, os republicanos não se sentiram obrigados a revelar a origem de seus milhões. Mas isso não os prejudicou, já que a maior parte dos norte-americanos tem outras preocupações, que não o financiamento da campanha.

O truque dos comitês de ação política

Nesse ínterim, o jornal Washington Post aponta para o fato de que, há muito tempo, centenas de firmas estrangeiras influenciam legalmente os embates eleitorais do país, através de suas sucursais norte-americanas. Pois estas têm o direito de fundar oficialmente comitês de ação política (PAC – political action committees), e assim coletar e distribuir doações eleitorais.

No ano passado, tais comitês dedicaram 60 milhões de dólares a ambos os partidos ou a determinados candidatos, dos quais 12 milhões de dólares para o atual ciclo eleitoral. Da Alemanha, participam, no momento, a Basf, Bayer, Siemens e EADS, entre outras.

A T-Mobile USA (sucursal da Telekom alemã) chega a ocupar o oitavo lugar entre as firmas estrangeiras envolvidas na campanha, com 320 mil dólares doados. Os documentos da Comissão Eleitoral Federal provam até mesmo que 57% dessa soma foi destinada aos democratas e 43% aos republicanos.

O topo da lista dos doadores estrangeiros é ocupado pela cervejaria belga Anheuser-Busch, a fabricante de armamentos britânica BAE Systems e a farmacêutica GlaxoSmithKline, com 513 mil a 643 mil dólares.

Interesses empresariais x norte-americanos

Embora tenham se beneficiado em 2010 de maneira extraordinária dessas doações, os democratas haviam tentado restringir a influência das companhias estrangeiras. Sua meta era que, no futuro, mais instituições multinacionais passassem a ser classificadas como "estrangeiras", evitando assim que suas sucursais estadunidenses pudessem fundar PACs.

Contudo, os republicanos barraram essa lei. Muito para a alegria da Basf, que, neste aspecto, conta com os lobistas mais ativos em Washington D.C..

Indagado pelo Washington Post sobre os critérios empregados pela gigante da indústria farmacêutica no financiamento da campanha eleitoral dos Estados Unidos, Steve Goldberg, vice-presidente da empresa no país, esclareceu que avalia os candidatos "com base em suas posições sobre determinados temas-chave com relevância para nossos negócios e em sua relação com os postos da Basf no país".

Autoria: Silke Hasselmann (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

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