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Mundo

Divisão de responsabilidade em missões da ONU gera debate

Força de manutenção da paz das Nações Unidas divide-se entre aqueles que fornecem verbas e os que enviam tropas a zonas em conflito. Para os países da Otan, a liderança da ONU não é digna de confiança.

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Soldado da ONU em ação

Os que querem fazer algo em prol da paz no mundo podem contribuir de duas formas dentro das Nações Unidas: com recursos financeiros ou com envio de pessoal. Mais de 70% do orçamento do programa de manutenção da paz da organização vêm dos EUA, Japão e dos países ricos da União Européia.

Isso, enquanto Paquistão, Bangladesh e a Índia enviam 35% do contingente de soldados em ação às regiões de conflito. Desde 1948, 2400 capacetes azuis da ONU já morreram em missões mundo afora – 10% deles vindos destes países e outros 10% de Gana, Nigéria e Zâmbia. Nesta terça-feira (29/05), os cem soldados mortos no último ano recebem da ONU uma homenagem póstuma.

Engajamento honesto?

UNO Gebäude in New York

Sede da ONU em Nova York

Uma questão, porém, esconde-se por trás deste desequilíbrio entre países financiadores e países fornecedores de pessoal: é justo que os ricos paguem para que os pobres sejam enviados a zonas de guerra? É possível acreditar num engajamento honesto destes países, que pagam pelas missões da ONU, mas não participam delas com soldados?

"Os norte-americanos parecem seguir uma lei própria: a de não se submeterem ao comando das Nações Unidas, fazendo eles mesmos o trabalho sujo, com ou sem um mandato da ONU", diz Volker Rittberger, da Fundação Alemã de Pesquisa sobre a Paz.

Durante a Guerra Fria, as superpotências mantiveram-se afastadas das regras de manutenção da paz estabelecidas pelas Nações Unidas. Em 1993, a morte de 30 soldados norte-americanos quebrou a confiança de Washington na capacidade de liderança da ONU nas zonas de conflito.

Pouco depois, em 1994, os genocídios em Ruanda e em Srebrenica, na Bósnia-Herzegóvina, ocorridos sob os olhos das tropas da ONU, confirmaram para o governo norte-americano a incapacidade de ação dos capacetes azuis. Hoje, os EUA possuem 150 mil soldados no Iraque, mas apenas 310 submetidos ao comando da ONU.

Entre si

O Constituição do Japão, segundo maior financiador das tropas de manutenção de paz das Nações Unidas, não permite que o país envie soldados ao exterior. Também os europeus preferem, via de regra, enviar soldados das tropas comuns da Otan do que se unirem a forças formadas por contingentes do Terceiro Mundo.

"Isso deixa uma sensação não igualitária. Os europeus, entre si, costumam dar passes às cegas, como num time de futebol em que os jogadores já estão acostumados uns com os outros", diz o cientista político Rittberger.

O Exército alemão, por exemplo, está presente no Afeganistão e no Kosovo – ao lado de parceiros como a Itália e a Noruega e sob o comando da Otan. A União Européia planeja até mesmo a criação de tropas próprias, aptas a entrarem em ação em regime de urgência, caso necessário. "Não se confia muito nas Nações Unidas como órgão competente a conduzir todas essas missões, pois a organização não possui uma estrutura de comando capaz de funcionar também em tempos de paz", diz Rittberger.

Imagem negativa

UN-Soldaten im Kongo

Capacetes azuis da ONU no Congo

Outra dificuldade para os países ocidentais em relação à ONU são as manchetes negativas sobre as missões de paz no Congo, onde pesam sobre os capacetes azuis acusações de assédio sexual às mulheres nativas e envolvimento no tráfico de drogas e ouro. "Tal falta de disciplina macula a imagem das missões da ONU", diz o especialista Rittberger.

Ele vê no baixo grau de profissionalismo das tropas e em deficiências na forma como são oneradas as possíveis razões para a situação: "Soldados mal pagos são mais passíveis de corrupção", diz.

Através de projetos unitários, os países que mais fornecem verbas para a ONU pretendem aplicar nas Nações Unidas "a doutrina da Otan". Para a missão de paz no Líbano, por exemplo, os europeus criaram uma célula de planejamento dentro da sede da ONU, em Nova York. No Sudão, a UE apóia, ao lado da Otan, a missão de paz sob a liderança da União Africana.

Aprendizado mútuo

Os países mais pobres, cujos soldados formam a maior parte das tropas das Nações Unidas, costumam aceitar passivamente o papel a eles delegado. Thorsten Benner, que desenvolve pesquisas sobre a política de segurança de paz da ONU, no Instituto de Polícia Pública Global, em Berlim, vê três razões para isso:

"Primeiro, esses países são remunerados por enviarem soldados a zonas de conflito e acabam ganhando com isso. Segundo, eles próprios acreditam nas missões de paz das Nações Unidas. E, por último, as Forças Armadas dessas nações geralmente melhor preparo para intervir em países em desenvolvimento".

Benner está convencido de que também os países-membros da Otan deveriam aprender com pequenas nações da ONU, como a Libéria, por exemplo, onde tropas africanas, que têm melhor conhecimento da região e da cultura local, atuam ao lado de soldados alemães, britânicos e norte-americanos.

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