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Mundo

Divergências entre Merkel e Hollande ficam claras em Bruxelas

Enquanto a chanceler federal alemã defende o controle do orçamento dos membros da zona do euro, o presidente francês acredita que união bancária é a decisão-chave para ajudar os países em crise.

Pouco antes do início da cúpula da União Europeia – nesta quinta e sexta-feira (18 e 19/10) em Bruxelas – a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, mostram que estão em direções opostas. Enquanto a Alemanha insiste em mais comprometimento na aprovação de reformas socioeconômicas, o governo em Paris defende sobretudo a união bancária, que deverá facilitar o caminho para continuar com a ajuda aos países em crise.

Antes de embarcar para a capital belga, Merkel discursou no Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, em favor da UE. Ela defendeu que o comissário europeu de Finanças tenha mais força e poder de intervenção sobre orçamentos nacionais, uma espécie de poder de veto, caso os países não consigam cumprir suas metas de estabilidade. Os países membros da UE também deveriam acertar acordos vinculantes em nível europeu para estabelecer reformas.

"Sem dúvida, os passos levarão a mais qualidade na cooperação político-econômica na zona do euro", afirmou Merkel em Berlim, em discordância com seu ministro de Finanças, Wolfgang Schäuble. Por outro lado, ela contou com o apoio do comissário Olli Rehn.

Neste sentido, a Alemanha encontra restrições por parte da França, seu principal parceiro e segunda maior economia da UE. Segundo Hollande, o fortalecimento do comissário de Finanças não estaria nos debates em Bruxelas. "O tema desta cúpula não é a união fiscal, mas sim a união bancária", afirmou o presidente francês. Ele garante que a única decisão a ser tomada é colocar em prática a união bancária, e especialmente a planejada supervisão bancária, até o fim do ano.

Angela Merkel sugeriu a criação de um fundo solidário

Angela Merkel sugeriu a criação de um fundo solidário

Em julho passado, a zona do euro estabeleceu a supervisão bancária como condição para que os bancos atingidos futuramente pudessem pegar dinheiro emprestado diretamente com o fundo de resgate europeu. A medida foi pensada especialmente para a Espanha, que precisa proteger de maneira massiva seu setor financeiro com dinheiro do Estado. Assim, a quarta maior economia da UE teria mais confiança do mercado.

A chanceler federal alemã também sugeriu um fundo solidário europeu para financiamento das reformas nos países atingidos pela crise. O dinheiro deverá ser direcionado a projetos e ao fortalecimento da competitividade dos países, disse Merkel.

Ela sugeriu que o fundo seja alimentado com recursos vindos de impostos sobre transações financeiras, sobre o qual há pouco tempo 11 países chegaram a um acordo. Para a chanceler, a medida poderia levar que mais países decidissem adotar tal impsoto.

Críticas da oposição

O discurso da chanceler federal, no entanto, não convenceu a oposição. Os partidos A Esquerda (Linke), Verde (Grüne) e Social-Democrata da Alemanha (SPD, sigla em alemão) acusam Merkel de entrar ativamente tarde demais nestas questões. Mesmo os partidos Democrático Liberal (FDP) e a União Social Cristã (CSU), da coalizão, mostram-se também pouco animados com as ideias.

O pré-candidato do SPD à chancelaria federal na Alemanha, Peer Steinbrück, acusou as propostas de Merkel de não serem "originais", pois, segundo ele, os social-democratas teriam apresentado as ideias há dois anos. Steinbrück diz ainda que a chanceler teria ajudado a prejudicar a imagem da Alemanha junto a seus vizinhos. "Poucas vezes a Alemanha esteve tão isolada", disse.

Segundo Steinbrück, o governo sob o comando de Merkel quer fazer mais exigências com relação às reformas, mas não cumpre as próprias tarefas.

MSB/rtr/dapd/epd/afp
Revisão: Francis França

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