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Economia

Disputas internas ameaçam bilionário projeto Desertec

A ideia de produzir energia solar nos desertos do norte da África e exportá-la para a Europa causou euforia quando foi anunciada. Mas seguidas desistências ameaçam o projeto.

A Iniciativa Industrial Desertec (DII, na sigla em inglês) foi fundada em 2009 com o objetivo de construir unidades de geração de energia solar no Marrocos e em outros países de clima desértico.

Trata-se de um plano ousado, que causou sensação em escala mundial. E também polêmica por causa do plano de se exportar uma parte da energia a ser gerada no norte da África para a Europa. O volume de investimentos chegaria a 400 bilhões de euros nas próximas décadas.

Entre os fundadores do consórcio industrial estão gigantes alemãs, como a Siemens, a seguradora Münchener Rück e as empresas de energia Eon e RWE, mas também a Fundação Desertec, uma organização da sociedade civil e sem fins lucrativos.

E é justamente a fundação que decidiu abandonar o projeto. "A razão principal é a disputa interna pelos rumos do negócio", afirma Thiemo Gropp, diretor da fundação. "Infelizmente esse debate se tornou público. Isso fere o conceito e também a visão Desertec, ao qual muitos aderiram em todo o mundo."

Energia para a África ou para a Europa?

Segundo a imprensa alemã, a disputa interna é sobre quando e se a exportação de energia do deserto africano para a Europa pode vir a acontecer.

Dos mais de 50 associados e parceiros que compunham o consórcio, restaram apenas 30, afirma a imprensa. Entre os que desistiram recentemente estão parceiros de peso, como a Siemens e a Bosch.

"A DII é uma organização independente e tem o direito de ter brigas internas, mas não usando o nome Desertec", critica Gropp. Desertec, afirma, é uma iniciativa da sociedade civil, tocada há anos por pessoas interessadas no assunto, em conjunto com o Clube de Roma, e essa iniciativa não deve ser manchada por uma disputa interna da indústria.

O consórcio industrial perdeu boa parte dos parceiros, mas declara estar firme em seus objetivos

O consórcio industrial perdeu boa parte dos parceiros, mas declara estar firme em seus objetivos

A DII afirma ter ficado surpresa e abalada com a saída da fundação. O porta-voz do consórcio, Klaus Schmidtke, diz não entender os motivos apresentados. Ele argumenta que, há poucos dias, num evento conjunto, o ambiente era positivo, e que a decisão da fundação foi repentina e comunicada pela imprensa.

"Talvez haja uma percepção errônea por parte da fundação", analisa o porta-voz. Mesmo assim, o consórcio se mantém firme em seu objetivo de expandir as fontes de energia renovável no deserto para suprir a demanda da África do Norte e do Oriente Médio. E claro que também da Europa. "Queremos pouco a pouco aumentar as exportações nas próximas décadas", diz Schmidtke.

Sinais de entendimento no futuro

Mas o consórcio terá que levar o projeto adiante sem a marca Desertec. A fundação exige a exclusividade do uso da marca, confirma Gropp. "Levamos conosco a marca e o conceito, não como uma atitude hostil, mas como um alerta e um pedido para esclarecer a situação, para que no momento apropriado possamos voltar a conversar."

A declaração sugere que as relações entre a fundação e o consórcio não estão irremediavelmente cortadas. O porta-voz da DII interpreta de forma positiva esse sinal, afirmado que vê com bons olhos um possível retorno à mesa de negociações.

"As pessoas na Europa, no norte da África ou no Oriente Médio não querem ler na imprensa notícias sobre disputas e conflitos", afirma. Em primeiro lugar deve estar a ideia de levar adiante a geração de energia no deserto, e sugestões construtivas são bem-vindas.

Segundo ele, a iniciativa não corre o risco de fracassar com a desistência da Fundação Desertec. Nomes de peso, como as gigantes energéticas RWE e Eon, reafirmaram seu apoio à DII.

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