Discórdia na grande coalizão de governo marca ano eleitoral alemão | Todas as informações sobre as eleições na Alemanha em 2017 | DW | 26.03.2009
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Eleição na Alemanha

Discórdia na grande coalizão de governo marca ano eleitoral alemão

Seis meses antes das eleições parlamentares na Alemanha, a grande coalizão de governo em Berlim, formada por CDU-CSU e SPD, está cada vez mais dividida.

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Steinmeier e Merkel: unidos até que a eleição os separe?

O ministro alemão das Relações Exteriores e candidato social-democrata ao governo de Berlim, Frank-Walter Steinmeier, afirmou nesta terça-feira (24/03) que há um verdadeiro "racha" na grande coalizão. O motivo seria um projeto de lei do ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück (SPD), dificultando a fraude fiscal através do envio de divisas para o exterior.

Devido à objeção da União, formada pelos partidos conservadores CDU e CSU, o projeto de lei não será examinado pelo gabinete de governo nesta semana. No combate a paraísos fiscais, os conservadores consideram a atuação internacional de Steinbrück como "um elefante em loja de porcelana", em alusão às recentes declarações do ministro alemão que ofenderam os suíços.

Com vista à crise financeira, o chefe de Estado alemão, Horst Köhler, advertiu a grande coalizão para que permaneça coesa até as eleições. Em seu discurso à nação, na terça-feira, Köhler exigiu que a coalizão de governo abandone os "espetáculos de luta" político-partidários. "Mesmo no contexto das eleições parlamentares, não existem férias para a responsabilidade governamental", afirmou o presidente alemão.

Projetos rejeitados

Um final prematuro da grande coalizão de governo não é esperado por nenhum dos dois lados, mas sua capacidade de ação é cada vez menor. É crescente o número de pontos conflituosos que não encontram solução. Depois do fracasso da reforma dos centros de encaminhamento profissional, agora é o projeto de salário mínimo para trabalhadores temporários que está ameaçado.

E, ainda que o gabinete de governo tenha dado seu aval, os partidos da União (CDU e CSU) rejeitam o plano de Steinbrück de permitir o desconto no imposto de renda das contribuições para o seguro de saúde.

Combate a paraísos fiscais

Uma discussão aberta como no caso dos paraísos fiscais, no entanto, ainda era novidade dentro da grande coalizão de governo em Berlim. O primeiro-secretário da bancada dos partidos da União no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Norbert Röttgen, afirmou que a escolha drástica de palavras de Steinbrück sobre países com sigilo bancário provocaria sérios danos à Alemanha.

O projeto de lei do ministro das Finanças se dirige principalmente contra nações como a Suíça e Luxemburgo. Pelo projeto, contribuintes que tiverem uma conta em países considerados paraísos fiscais terão que fornecer informações detalhadas sobre seus depósitos à receita federal alemã.

Falta de perfil partidário

Franz Müntefering

Müntefering atacou Merkel

A crescente falta de cooperação dos partidos conservadores diante de projetos dos social-democratas pode ser explicada como reação à queda na aprovação popular dos partidos da União (CDU e CSU) nas últimas pesquisas de opinião. Nesse sentido, nem mesmo a boa aprovação da chanceler federal Angela Merkel serve de compensação.

Durante muito tempo, a bancada dos partidos da União no Bundestag aceitou calada os compromissos feitos dentro do governo. Mas, com as quedas na aprovação popular e a proximidade das eleições, os deputados conservadores passaram a complicar cada vez mais a paz na grande coalizão, e na base partidária aumentam as reclamações sobre a falta de uma linha coerente de seus partidos.

Pondo ainda mais lenha na fogueira, a provocação parece ter se tornado estratégia dos social-democratas e de seu candidato, Frank-Walter Steinmeier. Os social-democratas tentam ganhar pontos com indiretas contra o estilo de governo de Merkel ou com propostas controversas como a exigência de uma rápida ajuda estatal para a abalada montadora Opel.

Críticas e ataques

Devido à rejeição de projetos defendidos pelo SPD, como a reforma dos centros de encaminhamento profissional e o combate à fraude fiscal, o presidente dos social-democratas, Franz Müntefering, acusou Merkel, em entrevista ao jornal alemão Bild nesta quarta-feira, de quebrar compromissos estabelecidos.

O secretário-geral da CDU, Ronald Pofalla, por sua vez, rebateu duramente as críticas do presidente do SPD à premiê alemã e atacou os social-democratas. "O SPD quer entrar numa campanha eleitoral sem levar em consideração as preocupações das pessoas que temem em perder seus postos de trabalho durante a crise", afirmou Pofalla nesta quarta-feira em Berlim.

Merkel também partiu para a ofensiva, no último domingo, declarando na televisão alemã que "na condição de premiê, cumprirei minha tarefa dentro desta coalizão, e isso para o período para o qual fomos eleitos. Eu só aconselho a todos que façam o mesmo".

Para o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, a declaração da premiê à apresentadora alemã Anne Will teria se referido somente ao seu atual mandato, mas não à descrição de suas intenções a curto prazo.

CA/AS/reuters/dpa/ap

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