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Economia

Direção da ThyssenKrupp enfrenta acionistas em meio a escândalos

Investimentos equivocados e uma série de escândalos colocaram a tradicional siderúrgica na maior crise da sua história. Agora chegou a hora de a direção encarar os acionistas, que não receberam dividendos no ano passado.

Direção e conselho de administração do grupo empresarial ThyssenKrupp devem se preparar para uma assembleia geral tumultuada nesta sexta-feira (18/01), em Bochum, na Alemanha. Isso porque a tradicional empresa siderúrgica encontra-se numa crise sem precedentes, e não apenas financeira.

Se ao término do ano fiscal anterior os acionistas receberam 45 centavos por ação, desta vez eles ficaram de mãos vazias. Prejuízos bilionários causados por investimentos equivocados no exterior e uma série de escândalos desequilibraram as contas da ThyssenKrupp.

Às vésperas da assembleia geral, organizações de acionistas anunciaram que vão cobrar explicações do conselho de administração e de seu presidente, Gerhard Cromme. Até a associação dos conselhos de administração da Alemanha sugeriu a Cromme que renuncie ao cargo.

Perspectivas ruins

A multinacional, que emprega 170 mil funcionários em todo o mundo, fatura cerca 50 bilhões de euros por ano. Ainda assim está no vermelho. Um dos motivos é a construção de duas siderúrgicas, nos Estados Unidos e no Brasil, com as quais a ThyssenKrupp pretendia ampliar sua presença internacional. Porém, em vez dos estimados 3 bilhões de euros em custos, os projetos já engoliram mais de 12 bilhões.

O presidente da empresa, Heinrich Hiesinger, empenha-se na venda das duas unidades, mas não terá resultados concretos para apresentar aos acionistas nesta sexta.

Cromme também está sob fogo cruzado por causa dos investimentos no exterior. Ele se defende afirmando que o conselho de administração não foi suficientemente informado sobre a situação das unidades no exterior. Mas a renomada empresa de consultoria ISS criticou em um estudo a "falta de vontade" do grêmio controlador em admitir erros. Por isso, os consultores aconselham os acionistas a não isentar de responsabilidade o conselho de administração.

Brasilien Deutschland ThyssenKrupp-Stahlwerk bei Rio de Janeiro

Siderúrgica da ThyssenKrupp na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, gerou milhões de euros em prejuízos

Um escândalo atrás do outro

Mas a empresa também foi prejudicada por diversos escândalos, como os pagamentos de suborno no Cazaquistão e Uzbequistão, em projetos de engenharia civil. A participação no chamado "cartel dos trilhos", ao lado de duas outras empresas, rendeu mais manchetes negativas à ThyssenKrupp. A formação de cartel causou prejuízos de milhões de euros à empresa ferroviária Deutsche Bahn e outras companhias de transporte público. A ThyssenKrupp foi multada em 103 milhões de euros por participar do esquema.

Como se tudo isso já não bastasse, há ainda o escândalo das viagens de luxo para diretores e jornalistas convidados. Diante desse cenário, três dos seis membros da direção tiveram que deixar a empresa. Essa "limpeza" no alto escalão teve por objetivo sinalizar uma mudança na cultura empresarial da ThyssenKrupp.

Mas os escândalos continuaram vindo à tona. O representante dos trabalhadores no conselho de administração, Bertin Eichler, do sindicato IG Metall, desistiu de uma nova candidatura ao posto após se tornar público que ele também participara de viagens de luxo, incluindo uma para o Grande Prêmio de Fórmula 1 de Xangai.

Sobrou também para o candidato a chanceler

A crise na ThyssenKrupp afetou ainda outro membro do conselho de administração: Peer Steinbrück, candidato do Partido Social Democrata (SPD) à chanceleria federal. Fontes internas e confiáveis vazaram, aparentemente de maneira proposital, a informação de que Steinbrück havia assegurado ao conselho de administração da ThyssenKrupp que pretendia se empenhar por custos mais baixos de energia para a empresa.

Gerhard Cromme Aufsichtsratsvorsitzender ThyssenKrupp AG

Gerhard Cromme terá que encarar a fúria dos acionistas

Steinbrück ainda teria aconselhado a direção da multinacional a não tornar públicas as falcatruas do "cartel dos trilhos". Hiesinger, porém, ignorou essa sugestão.

Diante desse contexto, a assembleia geral da ThyssenKrupp em Bochum, nesta sexta-feira, deverá ser tumultuada. Não se trata "apenas" de finanças, mas também da credibilidade do comando da empresa. Cromme ainda pode contar com o apoio do presidente da Fundação Krupp, Berthold Beitz, de 99 anos de idade. Com 25% da ações, a fundação é a acionista majoritária da ThyssenKrupp.

Cromme é tido até mesmo como sucessor de Beitz na fundação. Nos mais de 200 anos de história, essa "lealdade masculina" sempre esteve presente na empresa. Só que, nesta sexta, a decisão sobre o futuro de Cromme não será de Beitz, mas dos acionistas.

Autor: Klaus Deuse (pv)
Revisão: Alexandre Schossler

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