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Mundo

Diplomata afirma: "O Irã precisa de garantias"

O impasse nuclear com o Irã se aproxima de um ponto decisivo. Gunter Pleuger, ex-embaixador alemão na ONU, é a favor de que se continuem as negociações e enumerou cinco pontos essenciais para sua retomada.

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Há 26 anos os iranianos sofrem sanções

No impasse sobre o programa nuclear do Irã, a jogada é agora do Conselho de Segurança Mundial. Depois que Teerã ignorou o segundo ultimato das Nações Unidas, o órgão das Nações Unidas pretende deliberar quanto às "medidas apropriadas" contra Teerã.

Nesta segunda-feira (26/02) as cinco nações com poder de veto no Conselho de Segurança – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia – e a Alemanha se reúnem para debater a questão.

Gunter Pleuger zu Irak Resolution

Gunter Pleuger, na ONU, em foto de 2004

Em entrevista ao website tagesschau.de, o ex-embaixador da Alemanha na ONU, Gunter Pleuger, exortou todos os envolvidos no conflito a seguirem o exemplo do impasse nuclear com a Coréia do Norte, retornando à mesa de negociações.

"Os europeus estão certos. Eles dizem: estamos prontos a retomar as negociações a qualquer momento. O pomo da discórdia é a pergunta: antes de voltar a negociar, os iranianos têm que suspender o enriquecimento do urânio? [...] Seria sensato encontrar um meio-termo que preserve a imagem das duas partes."

"Importante é restabelecer a confiança"

Pleuger explicou que o que está em questão não é o direito de Teerã de enriquecer urânio, e assim dominar todo o ciclo da produção de combustíveis atômicos. Este ponto já está devidamente esclarecido no Acordo de Não-proliferação de Armas Atômicas.

O importante no momento é restabelecer a confiança, já que o governo de Mahmud Ahmadinedjad quebrou as regras estabelecidas pela Organização Internacional de Energia Atômica (OIEA). Por este motivo o país está sob suspeita de querer enriquecer urânio com o fim de construir uma bomba nuclear.

Cinco pontos

O diplomata alemão enumerou cinco pontos que, a seu ver, devem guiar as futuras negociações. "Primeiro: o Irã deve obedecer a condição de não construir armas atômicas, e permitir que o cumprimento seja comprovado pela OIEA. Segundo: em contrapartida o país tem que poder utilizar plenamente a energia atômica."

Como terceiro ponto, Pleuger acredita que se devem suspender as sanções sob as quais o país vive há 26 anos. "O Irã deve ser colocado no rol das nações comerciais."

Em quarto lugar, os iranianos precisam de uma garantia de segurança. "Afinal de contas, foram a única potência do Oriente Médio a ser atacada com armas de extermínio em massa." Isso ocorreu na guerra com o Iraque, na década de 1980.

Por último, "é necessário dar aos iranianos um papel no processo de pacificação do Oriente Médio". Pleuger comparou esta medida à criação, na Europa, da Conferência de Segurança e Cooperação, com o fim de "abrir novos canais de comunicação na perigosa situação do conflito Leste-Oeste".

Co-responsabilidade norte-americana

O jurista e cientista político de 65 anos, ativo até 2006 no Ministério alemão de Relações Exteriores, lembra, contudo, que os europeus não têm como cuidar desses cinco tópicos sozinhos. "A suspensão das sanções bilaterais é tarefa dos norte-americanos. Também a garantia de segurança só tem crédito se os EUA participarem."

Pleuger assegurou que, apesar das semelhanças, não se deve temer no momento que os EUA venham a interferir no Irã, como ocorreu no Afeganistão e no Iraque, pois as situações são comparáveis. Por um lado, um ataque ao Irã possivelmente desestabilizaria toda a região, por outro, seria "muito mais difícil do ponto de vista militar, já que os EUA estão muito ocupados com o Iraque".

Uma intervenção seria, portanto, na sua opinião, "extremamente perigosa e teria pouco sentido". "Por isso, acredito: os europeus se encarregam das negociações, na atual situação, e os Estados Unidos brandem o cassetete em segundo plano", resumiu Gunter Pleuger.

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