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Mundo

Diplomacia européia às voltas com programa nuclear iraniano

Sob pressão exercida pela UE, o governo iraniano adia retomada das atividade nucleares no país. A ameaça de que a usina de Isfahan voltaria a funcionar causou turbulências diplomáticas em Berlim, Paris e Londres.

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Usina atômica em Isfahan

Embora autoridades iranianas tenham anunciado nesta segunda-feira (01/08) que a usina nuclear em Isfahan iria reiniciar imediatamente suas atividades de enriquecimento do urânio, um porta-voz do governo em Teerã afirmou que o país vai esperar "mais dois dias", respondendo a um pedido da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tem sua sede em Viena.

O anúncio de que Isfahan voltaria nesta segunda-feira à ativa desencadeou nos círculos diplomáticos europeus negociações por todos os lados. Segundo informações não oficiais, o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, telefonou várias vezes para o diretor da AIEA, Mohammed el Baradei. O ministro francês do Exterior, Philippe Douste-Blazy, havia declarado no decorrer do dia que a ameaça do governo iraniano seria "completamente inaceitável".

Política interna

Tudo indica que os motivos de o Irã ter anunciado que retoma suas atividades nucleares suspensas há pouco, exatamente quando um acordo com a UE parecia próximo, têm suas raízes acima de tudo na política interna e menos nas dificuldades em negociar com os europeus.

Para o atual presidente, Mohamed Khatami, em sua última semana no cargo, parece ser de extrema importância passar o governo para seu sucessor, Mahmoud Ahmadinejad, sem deixar pendente uma questão crucial como esta.

Com isso, Khatami lustra sua própria imagem dentro do país e poupa o próximo governante de ter que anunciar, entre uma de suas primeiras ações, uma medida que esbarra em tamanha resistência no exterior. O que fortaleceria sem dúvida sua imagem de radical linha dura.

UE: imagem ferida

Chatami besucht Uran-Anreicherungsanlage Iran Uran Atomstreit

Khatami visita usina de enriquecimento de urânio

Os europeus se sentem tripudiados pelas ameaças de Teerã. Afinal, eles investiram tempo e energia nas negociações, muito também com o propósito de provar aos EUA que poderiam conseguir mais com palavras do que com ameaças de guerra.

Uma análise dos fatos mostra, porém, que a postura do governo iraniano não significa o fim dos esforços em prol de um acordo. Isso foi inclusive o que disse claramente o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Hamid Reza Asefi: as atividades nucleares serão retomadas em Isfahan, mas não no grande centro de energia atômica em Natanz.

Além disso, Asefi afirmou que o país não pretende enriquecer urânio e continua disposto a negociar com a União Européia. E, o que é muito importante, as portas das usinas nucleares continuarão abertas para os especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que já se encontram no país.

"Nos próximos dias"

Ou seja, Teerã não ameaça fabricar bombas atômicas, mas simplesmente provoca, de forma pouco usual, novas posturas da UE. Pois o Reino Unido, a França e a Alemanha vêm desde 2003 "pensando" a respeito de propostas concretas a serem feitas ao Irã neste contexto. Depois da ameaça concreta de que Isfahan voltaria às suas atividades imediatamente, Berlim, Londres e Paris anunciaram que pretendem expor suas propostas concretas já "nos próximos dias".

Iran Atomkraftwerk im Süden des Landes undatiertes Foto Uran Atomstreit

Usina atômica no sul do Irã

O Irã foi várias vezes convocado a prorrogar a suspensão de suas atividades atômicas. As reações foram sempre semelhantes, com Teerã reafirmando que, afinal de contas, nada que estava sendo feito ali iria de encontro às convenções internaiconais. E que o país só levava adiante a pesquisa nuclear com fins pacíficos.

Fato é que Teerã espera dos europeus uma série de ações em troca: desde o apoio nas negociações para o ingresso na OMC até a transferência de tecnologia no setor nuclear.

Veto na ONU

A discórdia pode, no fim, ter sido mesmo uma tempestade em copo d'água. Considerando que a AIEA tenha sido informada nesta segunda-feira por Teerã, seus especialistas levariam pelo menos três dias até que pudessem tomar uma posição a respeito.

E mesmo partindo do princípio de que a organização fosse reagir prontamente à questão, enviando o problema ao Conselho de Segurança da ONU, é provável que este não tomasse nenhuma posição drástica em relação a Teerã. Pois dentro do Conselho a China, e talvez também a Rússia, iriam certamente fazer uso do poder de veto para evitar o envio de uma sanção ao governo iraniano.

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