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Mundo

Dilma usa Assembleia da ONU para atacar EUA por espionagem

Presidente evita menção direta a americanos, mas usa grande parte de seu discurso para condenar e repudiar política de inteligência de Washington. A internet, afirmou, não pode ser "campo de batalha entre Estados".

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Dilma Rousseff abriu a sessão da 68ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York

A presidente Dilma Rousseff criticou de forma rígida o programa de espionagem americano em discurso, nesta terça-feira (24/09), na abertura da 68ª Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em sua intervenção, Dilma disse que o combate ao terrorismo – alegação usada por Washington – não serve como justificativa para espionar cidadãos de outros países.

O discurso na ONU é realizado uma semana depois de a presidente cancelar a visita de Estado que faria a Washington em 23 de outubro, que agravou o mal-estar com o governo Barack Obama. Nesta terça-feira, Dilma falou em "violação dos direitos humanos" e destacou que não apenas cidadãos foram alvo da espionagem, mas também ela mesma, o corpo diplomático brasileiro e a Petrobras.

"O Brasil sabe se proteger. Repudia, combate e não abriga terroristas", disse Dilma num discurso em que evitou referência nominal aos EUA. "Somos um país democrático rodeado de países democráticos. Sem respeito à soberania não pode haver relações adequadas entre os países."

Obama se defende

Em clara referência às atividades levadas a cabo pelos EUA, a presidente disse que uma soberania não pode se firmar em detrimento de outra: "Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outro país."

Dilma abordou o assunto logo nos primeiros minutos de seu discurso e, em nenhum momento, escondeu sua indignação com as ações americanas. Ela pediu que a ONU desempenhe um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos EUA e disse que a internet não pode ser "um novo campo de batalha entre os Estados."

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“Não podemos permitir que ações ilegais recorrentes sejam tidas como normais”, frisou a presidente.

Dilma foi seguida na tribuna por Obama, que fez referência breve e sem menção direta à questão da espionagem. "Nós começamos a rever a forma como organizamos a inteligência, de modo a alcançar um balanço adequado entre a preocupação do nossos cidadãos e nossos aliados", afirmou o presidente americano.

Contra intervenção na Síria

No discurso, a presidente Dilma voltou a se posicionar contra uma intervenção militar na Síria e criticou a disposição dos EUA e de seus aliados de agir sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU. “O abandono do multilateralismo é o prenúncio de guerras.”

Ela considerou, ainda, preocupante a polarização observada no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Dilma pediu, com urgência, uma reforma do organismo até 2015 com a inclusão de novos membros permanentes, o que, segundo ela, “permitirá sanar o atual déficit de representatividade e legitimidade do conselho”.

Para a presidente, é preocupante a limitada representação do Conselho de Segurança da ONU face aos novos desafios do século 21. Exemplos disso, afirmou, são "a grande dificuldade" de oferecer solução para o conflito sírio e a "paralisia" no tratamento da questão entre israelenses e palestinos.

A presidente aproveitou para falar sobre a onda de protestos que levou milhões de brasileiros às ruas, em junho do ano passado. Ela afirmou que o governo não reprimiu as manifestações, porque também veio das ruas.

O Brasil realiza o discurso de abertura da reunião anual desde 1947, por ter sido um dos primeiros países-membros a se associarem às Nações Unidas, em 1945.

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