1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Eleições 2014

Dilma e Aécio baixam tom e fazem debate mais propositivo

Com discussão de propostas e menos ataques entre candidatos, membros do PT e do PSDB consideram duelo entre presidenciáveis mais esclarecedor para o eleitor que os anteriores. Mas corrupção na Petrobras volta a ser tema.

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) adotaram um tom menos agressivo e se concentraram na apresentação de propostas no debate deste domingo (19/10), organizado pela TV Record. Para lideranças do PT e do PSDB, o debate a uma semana do segundo turno foi mais propositivo e, por isso, mais útil ao eleitor.

O escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, a inflação e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) voltaram a ser tema de discussão. Entretanto, acusações de nepotismo e trocas de ofensas ficaram de fora do terceiro embate entre os candidatos no segundo turno.

A presidente reafirmou que "há indícios" de que houve desvio de dinheiro da Petrobras e que aguarda informações do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para tomar providências. "Não sei quem foi ou quanto foi. Assim que as informações forem divulgadas, irei investigar", disse a presidente.

A petista destacou que o PSDB também pode estar envolvido no esquema e lembrou casos de corrupção que envolvem tucanos, como o cartel do Metrô de São Paulo. Aécio retrucou: "A senhora confia no tesoureiro do seu partido [João Vaccari Neto]?", em referência aos indícios de que o PT possa ter recebido propina do esquema.

O tucano também criticou a gestão da Petrobras. "A candidata diz que a Petrobras vai muito bem, obrigada. Mas vai muito mal", afirmou. Dilma rebateu afirmando que as ações da estatal foram vendidas pelos tucanos "a preço de banana".

O candidato do PSDB, por sua vez, demonstrou preocupação com "os números pouco confiáveis" das instituições estatais sobre a economia do país, citando o IBGE e o Ipea.

Brasilien TV-Duell Rousseff Neves 19.10.2014

"Não sei quem foi ou quanto foi. Assim que as informações forem divulgadas, irei investigar", disse Dilma sobre suposto desvio de dinheiro na Petrobras

Ensino técnico

Em pergunta a Aécio, Dilma falou sobre o Pronatec. Ela acusou a gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC) de proibir, por meio de lei, que o governo federal construísse escolas técnicas.

"O governo do presidente Lula revogou essa proibição. Com isso, foram construídas 214 escolas técnicas. E eu construí 208, num total de 422", disse a petista.

Aécio respondeu que a lei do governo FHC apenas definia que as instituições de ensino fossem criadas em parceria com estados, municípios, ONGs e entidades ligadas ao sistema S, como Sesi e Senai.

"O Pronatec, que é uma bela experiência, não vem sendo administrado da forma como deveria, os jornais de hoje mostram isso. As pessoas se matriculam, saem alguns dias depois, mas continuam na estatística do seu governo", acusou o tucano.

Aécio prometeu manter e aprimorar o Pronatec, e afirmou que o programa é inspirado em iniciativas anteriores. "Candidata, eu não consigo entender essa sua obsessão de chamar os programas de 'meus'. O seu governo não inventou as escolas técnicas. Ao contrário. Essa é uma experiência que começou de forma muito exitosa aqui mesmo onde estamos, em São Paulo. Quem não conhece a experiência do governador Geraldo Alckmin com as ETEC's?", disse.

Nesse momento, o governador de São Paulo, que assistia ao programa do auditório, comemorou a menção e foi cumprimentado por aliados.

Dilma rebateu, afirmando que o Pronatec "não tem semelhança" com outros programas. "Oito milhões de pessoas tiveram acesso ao Pronatec. E ele é gratuito. Vocês jamais fizeram programa gratuito nessa escala, candidato, é completamente diferente", apontou.

Brasilien TV-Duell Rousseff Neves 19.10.2014

Aécio: "Não nos contentamos em ver o Brasil crescendo menos que todos os seus vizinhos, a inflação voltando a atormentar a vida do trabalhador"

Inflação em foco

O aumento de preços foi um dos temas principais das discussões do primeiro bloco. Aécio reiterou que pretende baixar a inflação para 3%. Dilma criticou a proposta sob o argumento de que a medida irá elevar a taxa de juros e triplicar os índices de desemprego.

"A receita é a mesma: Armínio Fraga [ministro da Economia de Aécio] e arrocho salarial. Vocês acreditam no FMI e sempre recorrem a ele quando precisam", disse a candidata.

O tucano afirmou, então, que países vizinhos praticam taxas de inflação por volta de 3% e que o Brasil pode alcançar esse patamar.

O debate foi dividido em três blocos, com rodadas de confronto direto e perguntas de livre escolha. Outros temas discutidos por Dilma e Aécio foram segurança pública, direitos trabalhistas, controle de fronteiras, avanços sociais e gestão de bancos públicos.

Dois projetos de Brasil

As considerações finais foram realizadas num quarto bloco, que não estava programado pela emissora. Dilma enfatizou que estão em jogo dois projetos de Brasil: o dela, que garantiu "avanços e conquistas para todos" e o do PSDB, que "condenou o povo brasileiro ao desemprego e ao arrocho salarial".

"Tenho certeza que você [eleitor] cresceu porque o Brasil mudou. E o Brasil mudou porque o governo tomou providências para ampliar e criar oportunidades", afirmou a presidente.

Depois de receber vaias, Aécio reiterou que fica cada vez mais claro que há dois projetos diferentes para o país, e que, ao contrário da de Dilma, a proposta dele é voltada para o futuro.

"Não nos contentamos em ver o Brasil crescendo menos que todos os seus vizinhos, a inflação voltando a atormentar a vida do trabalhador, e os nossos indicadores sociais piorando a cada ano. Eu sou candidato à Presidência da República para mudar de verdade o Brasil, não apenas no slogan", finalizou o tucano.

Menos agressivo

Após o debate, aliados elogiaram a postura dos candidatos. "Acho que a Dilma saiu-se muito bem, ela estava segura e exalando certeza naquilo que dizia", afirmou o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

O ministro da Casa Cilvil, Aloizio Mercadante, disse que debate "não é UFC [Ultimate Fighting Championship]". "Mas quando um candidato não tem como sustentar o debate, às vezes apela um pouco. Hoje nós preservamos aquilo que o eleitor brasileiro quer", disse.

Para o senador Eduardo Suplicy (PT), o debate foi menos agressivo e evidenciou "um nível mais alto de respeito" entre Dilma e Aécio. "Claro que colocaram denúncias e malfeitos aqui e acolá, mas eles já eram conhecidos. Então, o nível do debate foi mais sobre as proposições, o que contribuiu para esclarecer melhor os eleitores."

Alckmin disse que viu uma propaganda eleitoral do PT explorando o tema da falta de água no estado de São Paulo. "Acho isso um absurdo. É um desrespeito com a população de São Paulo", afirmou.

O vice de Aécio, Aloysio Nunes, considerou o debate melhor que os anteriores, porque Dilma estava menos agressiva. "Mas ela ainda continua obcecada por Minas Gerais e traz ao debate esse mundo de fantasia que ela apresenta no seu programa eleitoral."

O próximo e último debate presidencial será realizado pela TV Globo na próxima sexta-feira (24/10), dois dias antes do segundo turno.

Leia mais