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Brasil

Dilma busca parceria estratégica com EUA usando tom mais brando que Lula

Em sua primeira visita aos Estados Unidos como presidente, Dilma Rousseff vai com agenda menos política. Perfil mais técnico e menos contestador da líder indica que Brasil quer explorar oportunidades de lucro.

Nem reforma do Conselho de Segurança tampouco crítica aos subsídios agrícolas. A passagem de Dilma Rousseff pelos Estados Unidos deve seguir à risca a definição de "visita de cortesia" e deixar os assuntos polêmicos de fora. Ela desembarca em Washington no dia 9 de abril, pela primeira vez como presidente.

Na agenda oficial, temas como educação, tecnologia e segurança energética irão nortear as conversas entre Dilma e Obama, informou o Itamaraty. Acordos de peso, no entanto, devem ficar para a próxima oportunidade – Barack Obama ainda corre o risco de não ser reeleito em novembro, e qualquer contrato firmado agora teria que ser revisto numa presidência posterior.

Com perfil mais técnico, voltando-se para a exploração de oportunidades comerciais – e menos de relações de simpatia e antipatia, como na era Lula –, a administração de Dilma tem objetivos claros. "O país quer que, a médio prazo, o governo dos Estados Unidos lhe reconheça um status de 'parceiro estratégico' que, entre os emergentes, só a China e Índia têm", pontua Rafael Duarte Villa, especialista da Universidade de São Paulo, em conversa com a DW Brasil.

A antiga dependência

O Brasil está mais rico, menos dependente do mercado norte-americano, não precisa mais do suporte financeiro dos Estados Unidos ou do Fundo Monetário Internacional. Mas um cenário permaneceu praticamente inalterado: o país ainda não consegue impulsionar sozinho o seu desenvolvimento tecnológico.

"No passado, foi por meio de um amplo programa de cooperação entre MIT, Cornell University e a Força Aérea Brasileira que foram criadas as bases da indústria aeronáutica no Brasil", lembra Eiiti Sato, da Universidade de Brasília. Hoje, afirma o especialista, o país deve buscar a cooperação com os norte-americanos em setores como a biotecnologia.

Mais cedo, ou mais tarde, um ponto sensível – mas "essencial" – também deverá ser abordado nessa parceria, pontua Marcus Vinícius de Freitas, professor de direito e relações internacionais da Fundação Álvares Armando Penteado. "A cooperação militar para a proteção de recursos naturais. Particularmente na questão marítima, onde o Brasil terá grande exploração de petróleo." Segundo Freitas, as Forças Armadas estão defasadas e precisam melhorar a aquisição de equipamento.

O que deveria estar em jogo

Os Estados Unidos não são mais o principal parceiro comercial do Brasil – depois de 80 anos de liderança, a China desbancou os norte-americanos em 2009. Mas o vizinho de continente ainda é um importante consumidor de produtos manufaturados brasileiros e pode usar o país como fonte para matar sua sede de petróleo.

"O Brasil quer se transformar num fornecedor confiável de petróleo para os Estados Unidos, que enfrentam problemas clássicos com seus fornecedores – como Arábia Saudita e Venezuela", ressaltou Freitas. Há ainda o interesse pelo etanol brasileiro, que deixou de sofrer a taxação extra cobrada pelos norte-americanos desde janeiro. Nessa área, no entanto, o Brasil fica devendo, já que enfrenta dificuldades para atender a demanda interna.

As negociações com Washington também são importantes para aperfeiçoar um setor estratégico para o desejado futuro próspero brasileiro: a educação. Os Estados Unidos ainda detêm as melhores universidades do mundo, e o Brasil enfrenta graves problemas de qualificação de mão de obra. É por isso que a viagem oficial de Dilma Rousseff inclui visita a Harvard e encontros com acadêmicos.

Uma postura diferente

A presidente brasileira chega aos Estados Unidos com uma alta de popularidade em casa. Segundo a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, a taxa de aprovação subiu de 72% para 77%.

A postura de Dilma também deve aumentar as chances de uma agenda mais cooperativa. "A esperança é que esse diálogo esteja entrando numa nova fase onde, em ambos os lados, os ruídos diminuam e haja melhor entendimento das expectativas que cada um alimenta em relação ao outro", comenta Eiiti Sato.

Na visão de Rafael Duarte Villa, isso é o que também os Estados Unidos aguardam. "Bilateralmente, eles esperam, sim, um tratamento mais brando, de menos contestação, e de maior alinhamento que aquele que operou durante os anos dos governos Lula."

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque

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