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Alemanha

Dias nada harmônicos

Governo forte, oposição fraca e mesmo assim o início da "era Merkel" tem sido tudo menos tranqüilo. Revelações sobre conivência da Alemanha com as ações da CIA transformam caso em verdadeira caixa de Pandora.

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Merkel e ministro Steinmeier: sem motivos para tantos sorrisos

Cenários como o do atual Bundestag alemão são, via de regra, raros. De um lado, dois partidos arquiinimigos que se unem. De outro, uma minioposição fragmentada que dança conforme a música do momento, sem saber muito bem para onde ir. A atual coalizão de governo entre CDU/CSU e SPD tem nada menos que 73% dos votos no Parlamento. E uma maioria no Bundesrat, a câmara alta do Legislativo federal.

Atônitos em oposição aos antigos parceiros

Kuhn und Künast neue Fraktionsvorsitzende der Grünen

Renate Künast und Fritz Kuhn, líderes verdes

Do outro lado da aparentemente coesa maioria, estão os três pequenos da turma: liberais, verdes e esquerdistas. Os dois primeiros visivelmente atônitos com o novo posto de opositores aos antigos parceiros – os liberais formam tradicionalmente coalizões com os democrata-cristãos e os verdes acabam de deixar sete anos de governo ao lado dos social-democratas.

Com o Partido de Esquerda, a situação também não é muito diferente, uma vez que a facção como tal é recente: formada de um lado pelos dissidentes da social-democracia do Oeste alemão e de outro pelos neocomunistas do antigo PDS, facção derivada do partido único da ex-Alemanha Oriental.

Novas relações de poder

Daniel Bahr

Daniel Bahr, do Partido Liberal

"Durante a era Schröder", comenta o semanário Die Zeit, "a oposição governava sempre junto", já que os democrata-cristãos, mesmo sob a coalizão social-democrata-verde, mantiveram a maioria no Bundesrat. Ou seja, muitas das medidas defendidas pelo governo eram bloqueadas pela oposição quando chegavam à câmara alta. Ou nem sequer acabavam lá.

Já os pequenos partidos de oposição de hoje "precisam se acostumar às novas relações de poder", observa o parlamentar liberal Daniel Bahr ao jornal. "Pois, de certa forma, é muito estranho que somente o Partido de Esquerda aplauda quando fazemos um discurso no Parlamento".

Um embaralhamento de cartas um tanto quanto estranho, considerando que ideologicamente o Partido Liberal, árduo defensor de práticas neoliberais, os Verdes e o Partido de Esqueda têm muito pouco em comum. Mesmo assim, acabam no novo cenário assumindo posturas semelhantes, quando não unânimes.

Governo assume papel de oposição

Do pedestal de uma enorme maioria, o novo governo vem observando esta minioposição quase com indiferença. Pois a "oposição" real existente a partir de agora começa a ser criada dentro do próprio governo.

Mesmo que unidos em nome de uma coalizão, democrata-cristãos e social-democratas não acabaram de vez com as tradicionais diferenças que os separam. "A grande coalizão não se resume a governar. Ela assume também uma parte da oposição", observa o Die Zeit.

Clique ao lado para continuar lendo: política externa, o caso da CIA, envolvimento do governo anterior.

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