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Alemanha

Diálogo com muçulmanos é única alternativa, diz mídia alemã

Imprensa avalia positivamente a Conferência Islâmica iniciada pelo governo em Berlim, mas pergunta por que as conversações não começaram antes.

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Ministro Schäuble (em cadeira de rodas), rodeado por representantes islâmicos

O principal assunto dos editoriais dos jornais alemães nesta quinta-feira (28/09) foi a Conferência Islâmica Alemã, realizada na quarta-feira em Berlim, como primeira tentativa de estabelecer um diálogo entre o governo e representantes muçulmanos no país.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Para que a integração de pessoas oriundas de um outro mundo cultural e religioso vá além da retórica, é preciso que o diálogo iniciado agora seja sincero e sem restrições ou efeitos táticos. Para muitos muçulmanos, isso pode representar um longo e duro caminho de saída de seus guetos. Sobretudo para aqueles que praticam o islamismo tradicional. Eles terão de engolir algumas coisas que serão exigidas pelo Estado secular para que o diálogo possa ser bem-sucedido."

Kölner Stadt-Anzeiger: "A grande tarefa conjunta é admitir e permitir a pluralidade. Isso precisa ser aceito também pelas organizações puramente islâmicas. Elas estão longe de representar todos os muçulmanos na Alemanha, mesmo que passem essa impressão à opinião pública. Afinal, há muçulmanos que não são crentes e que pretendem se manifestar livremente. Exatamente como muitos cristãos, cuja confissão só existe no papel. Não deve haver vínculo religioso forçado. Essa é a questão decisiva."

Nürnberger Nachrichten: "O diálogo iniciado ontem pode contribuir para uma melhor compreensão mútua. O que causa perplexidade é que ele não tenha sido iniciado antes em nível de Estado. É possível que isso se deva à fragmentação da comunidade muçulmana. O importante é que Schäuble [Wolfgang Schäuble, ministro do Interior] segue caminhos novos. Somente o diálogo controverso aumenta o respeito mútuo. E não o fato de funcionários precipitados do meio cultural alemão cancelarem óperas. Isso é incompatível com a liberdade da arte e dá aos fundamentalistas um direito de veto que não lhes cabe."

Stuttgarter Zeitung: "Não há alternativa a não ser fortalecer, pacientemente, as forças moderadas de um islamismo conciliado com os valores europeus. O caminho até lá é longo. A mensagem deve ser: os muçulmanos fazem parte da nossa sociedade. Eles têm os mesmos direitos e deveres. Se, mesmo assim, muçulmanos radicais querem aprofundar o fosso, não se deve ainda ajudá-los. Nossa ordem liberal não é tão frágil assim que precise ser constantemente defendida em grande pose contra a ameaça islâmica às vezes difusa e superestimada."

Tageszeitung (Berlim): "Sem dúvida, a cúpula islâmica foi um acontecimento histórico. Até agora, faltava ao Estado um interlocutor central que estivesse em condições de representar os 3,2 milhões de muçulmanos na Alemanha. As quatro grandes organizações islâmicas querem puxar no mesmo lado da corda. Tal conselho não pode ser imposto de cima para baixo, como mostra o exemplo da França, onde o ministro do Interior fracassou na tentativa de compor a seu gosto um conselho pelo qual quase ninguém se sentia representado. A Alemanha não deve repetir esse erro. Por sorte, Schäuble parece estar consciente disso."

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