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Mundo

Dez anos de Tony Blair: bom começo, final decepcionante

Há dez anos, Tony Blair, o então jovem presidente do Partido Trabalhista britânico, era eleito primeiro-ministro do Reino Unido. A DW-WORLD faz um balanço da era Blair, que pode chegar ao fim por estes dias.

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Tony Blair: lembranças não somente positivas

A noite da eleição de 1997 foi histórica. Relativamente pouco após o fechamento das urnas, estava claro que, depois de 18 anos de domínio conservador, as portas se abriam para uma "terceira via".

Jovem, dinâmico e carismático

Tony Blair mit Parlamentarierinnen 1997

Blair com parlamentares em maio de 1997

O jovem, dinâmico e carismático Tony Blair conseguira libertar o Partido Trabalhista britânico da imagem de uma facção de trabalhadores e sindicatos, angariando também a simpatia da classe média. Um ato conciliador, pois Blair manteve, ao mesmo tempo, os votos do eleitorado do seu partido. Com 43 anos de idade, ele se tornou o mais jovem premiê britânico desde 1812.

Dez anos mais tarde e depois de ganhar três eleições, o novo Partido Trabalhista britânico de Tony Blair ainda está no poder. Após ficar mais tempo no governo do que qualquer outro primeiro-ministro trabalhista, o próprio Blair prepara sua saída.

Não se sabe se Gordon Brown, indicado para ser seu sucessor, conseguirá vencer as próximas eleições. As pesquisas indicam que os conservadores, sob o comando do jovem David Cameron, estão novamente à frente.

Parceria Pública Privada

Nos anos que se passaram, muita coisa aconteceu. Blair preparou o Reino Unido para o século 21. Suas reformas trabalhistas – que, sem dúvidas, muito têm a agradecer à era Thatcher – trouxeram ao país trabalho e bem-estar. Através do programa welfare to work (bem-estar para o trabalho), uma combinação de incentivo e cobrança, o desemprego foi reduzido a níveis recordes.

Um salário-mínimo foi introduzido no país. Bilhões foram investidos na educação e na saúde. As dificuldades com gastos públicos, como a construção de prisões e estradas, foram superadas com a cooperação do setor privado através das chamadas PPPs, sigla em inglês para parceria público-privada – algo que o eleitorado tradicional do Partido Trabalhista britânico recusara veementemente, mas que repercutiu bem em grupos mais conservadores.

Britannia cool e Lady Di

Tony Blair und Cherie Blair vor Downing Street 10

Tony e Cherie Blair em frente à Downing Street 10

Blair permitiu que escoceses e galeses formassem suas próprias assembléias nacionais. O término do conflito da Irlanda do Norte também está entre seus maiores méritos. Há algumas semanas, seu governo conseguiu terminar com o marasmo na Irlanda do Norte e fazer com que os antigos inimigos iniciassem os trabalhos conjuntos. Além disso, Blair afastou-se da imagem empoeirada do político chato.

Contatos com ídolos pop transformaram o premiê em um representante da Britannia cool, a campanha publicitária de uma imagem moderna do Estado insular. Após a morte da princesa Diana, foi Blair também quem advertiu a Casa Real britânica a assumir um perfil mais próximo da realidade, preservando-a do desastre.

"Teflon Tony"

A eficiente máquina publicitária de Tony Blair apresentou, no entanto, um lado reverso. O conceito do s pin, a arte de reverter qualquer história a seu favor, colocou em dúvida a credibilidade de seu governo. Blair ganhou de seus opositores o apelido de "Teflon Tony", porque não ficou ligado a nenhum escândalo que envolveu seu governo. Nas mãos de Blair, a política recaiu em uma eficiente encenação midiática. Por isto, o conteúdo de verdade das declarações políticas foi questionado, muitas vezes, pelos eleitores.

George W. Bush und Tony Blair

Bush desacreditou Blair

Quando as armas de extermínio em massa, que deveriam justificar a Guerra do Iraque, não foram encontradas, a desconfiança dos eleitores atingiu seu ponto máximo. O desastre tomou conta de Blair. Pesquisas apontam que 60% dos britânicos consideram a Guerra do Iraque como seu maior erro. Seu apoio a George Bush, visto como cada vez mais incompetente, terminou em escárnio e na fama de "cão mandado" dos norte-americanos.

Também na política interna, a credibilidade do governo Blair acabou ferida. Por exemplo, através dos assim chamados cash for honours (dinheiro por honras), acusações de corrupção. Contribuições partidárias foram desviadas para assentos e condecorações na câmara alta.

Não há tempo certo

Na quinta-feira (03/05), realizam-se eleições para as assembléias nacionais escocesas e galesas, como também eleições municipais na Inglaterra. Apesar de normalmente a política externa não ser decisiva neste nível de eleição, parece que desta vez os eleitores também querem, aqui, punir Blair por sua estratégia no Iraque.

Na Escócia, o partido nacionalista SNP ameaça desbancar os trabalhistas da atual coalizão de governo como os liberal-democratas. O ponto certo para a renúncia de Blair? Na verdade, não há mais tempo certo para Blair. Mesmo que ele anuncie sua renúncia após a bem-sucedida posse do governo da Irlanda do Norte, em 8 de maio próximo, seus méritos ficam questionáveis para muitos britânicos.

Como Margaret Thatcher, Tony Blair se segurou por muito tempo no poder. Ele entrará na história como modernizador do Partido Trabalhista e da política britânica. No entanto, não serão somente os efeitos de sua política para o Iraque que garantirão, ainda por muito tempo, que sua lembrança não seja somente positiva.

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