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Economia

Devorando a Alstom

A disputa em torno da Alstom pode ser uma nova prova de fogo para a política de concorrência européia. Após o caso da Aventis, agora a Siemens demostra interesse pelo deficitário conglomerado misto francês.

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Patrick Kron, presidente da Alstom

A Comissão Européia e o governo francês alcançaram um consenso provisório para salvar o deficitário conglomerado industrial Alstom. A companhia francesa com 70 mil funcionários terá que vender alguns de seus setores, mantendo, contudo, os principais: transporte, energia e construção de navios. A assinatura do acordo entre a UE e Paris está prevista para 26 de maio, depois que os bancos credores aprovarem o plano de saneamento da empresa.

O comissário Mario Monti, da pasta que regulamenta o livre comércio na UE, afirmou, após longa conversa com o ministro das Finanças da França, Nicolas Sarkozy, no início desta semana, estar preparado o fundamento para um acordo. Este depende de o governo francês comprometer-se a diversas medidas. A Bolsa de Valores de Paris reagiu positivamente às notícias: as ações da Alstom subiram 17,4%, alcançando 1,35 euro.

A doença dos grupos mistos

A Alstom fabrica o trem de alta velocidade TGV, turbinas a gás, porta-aviões e navios de cruzeiro. O Queen Mary 2 foi construído em seus estaleiros de Saint Nazaire. Ela padece da moléstia de muitos grupos mistos, onde atividades deficitárias consomem os lucros dos setores bem sucedidos. Em 2003, acusou um déficit de 1,4 bilhão de euros, precisando recorrer à ajuda estatal. O governo arcou com 800 milhões de euros, de um total de 3,2 bilhões de euros, sendo o restante coberto pelos bancos BNP Paribas e Crédit Agricole.

Há meses a União Européia e a França vêm debatendo o destino da Alstom. Para aplicar uma nova injeção de capital de 4,7 bilhões de euros, o Estado francês dependia do sinal verde da Comissão Européia. Esta exigia que a Alstom se separasse de alguns setores, embora a França fosse contra o esfacelamento do conglomerado industrial. Atualmente suas dívidas chegam a cinco bilhões de euros, e crescem rapidamente. A dinâmica funesta dentro da Alstom reflete-se ainda em suas ações, cuja cotação despencou para os atuais 1 a 2 euros, depois de valerem entre 18 e 20 euros, no início de 2002.

Resistência pro forma

Os departamentos menores da Alstom, como os de distribuição de eletricidade e de turbinas industriais, já estão sendo vendidos. A alemã Siemens e o grupo francês de energia nuclear Areva declararam-se dispostos a auxiliar na reestruturação da Alstom, assumindo os departamentos de transportes e energia atômica. A eventual intervenção da Siemens é problemática para a UE, que procura evitar a formação de monopólios.

A entrada em cena de um parceiro francês não só corresponde aos interesses de Paris como pode pacificar a UE, que insiste num saneamento da Alstom, após a injeção de capital. Segundo a imprensa, a resistência da Alstom é apenas pro forma, já que sua única alternativa será a insolvência. Os Estados Unidos poderão também tentar vetar a operação. Incorporando parte da Alstom, a Siemens passará a ameaçar para o atual líder do mercado de turbinas, a General Electric.

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