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Economia

Deutsche Bahn não chega ao destino

Dez anos após ter surgido da fusão das companhias Bundesbahn e Reichsbahn, a Deutsche Bahn ainda está longe de atingir as metas fixadas na época. Especialistas não crêem que a empresa será privatizada tão cedo.

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Os trens rápidos ICE são o cartão de visita da DB

Os primeiros dez anos da Deutsche Bahn foram comemorados com toda pompa no luxuoso hotel Ritz Carlton, em Berlim, na tarde de quarta-feira. O chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, o ministro dos Transportes, Manfred Stolpe, e, claro, o presidente da companhia ferroviária, Hartmut Mehdorn, estiveram lá para festejar o jubileu, ressaltar os resultados positivos de suas gestões e traçar um futuro otimista.

Eles reconhecem, entretanto, que a DB ainda não chegou ao destino previsto em 1º de janeiro de 1994, quando as estatais Bundesbahn, da antiga Alemanha Ocidental, e Reichsbahn, da ex-Alemanha Oriental, foram fundidas numa empresa de capital societário. "O grande objetivo de aumentar o trânsito sobre trilhos não pôde ser atingido", admite o ministro.

Já o presidente da companhia afirma que, embora a "reforma ferroviária nunca terá fim", "o dever de casa foi feito" e no próximo ano a DB estará apta a ser privatizada com a venda de ações na bolsa de valores. No momento, todo o capital da empresa está nas mãos da União.

Finanças no vermelho

Tirando os convidados para a festa, é difícil encontrar quem veja motivos para comemorar. A fusão visou sobretudo combater o déficit do sistema ferroviário alemão. Em vez de chegar a 2003 com uma dívida total de quase 200 bilhões de euros, como se previa para as redes ferroviárias Bundesbahn e Reichsbahn, a Deutsche Bahn deveria estar trafegando com lucro.

Die Lahnbahn

Linhas regionais deficitárias estão sendo cortadas

A meta não foi atingida e a dívida da DB soma hoje cerca de 25 bilhões. "Nós contávamos na época com uma evolução melhor do faturamento", diz o professor Gerd Aberle, da Universidade de Giessen, que integrou a comissão que preparou a fusão.

Desde 2001, até mesmo o saldo operacional da Deutsche Bahn está no vermelho. Isto sem contabilizar as despesas com investimentos. Somente a União destinou 4,5 bilhões de euros para a melhoria da rede ferroviária. Para 2004, a verba deverá ser reduzida em cerca de 25%, diante da necessidade de Berlim combater o déficit público. Vários projetos terão de ser adiados, como as novas linhas do trem rápido ICE interligando a Baviera à capital do país.

Menos funcionários, maior produtividade

O ministro Stolpe destaca o aumento de 150% na produtividade da empresa nos últimos anos, assim como a utilização de trens mais velozes e a melhora na limpeza das estações, entre os pontos positivos. Nem por isso o movimento de passageiros tem crescido. Até setembro de 2003, o número de pessoas transportadas havia recuado 0,1% no ano. O índice foi beneficiado pelo inesperado aumento no uso dos trens regionais, compensando o fracasso da meta para as ligações de longa distância.

Um resultado oposto ao pretendido pela direção da Deutsche Bahn, que vem cortando linhas regionais deficitárias e priorizando a ampliação da malha dos trens ICE. "É um resultado magro para o qual mais de 100 mil ferroviários perderam seus empregos", critica Klaus-Dieter Hommel, presidente do sindicato de trabalhadores em transportes GDBA. Hoje, a DB tem pouco mais de 210 mil funcionários.

Passageiros insatisfeitos

Sem tornar o transporte ferroviário mais atraente, as perspectivas de privatização são escassas. "Afinal é o cliente quem traz o faturamento", observa Jürgen Kurz, da Associação de Proteção aos Acionistas (DSW), que não conta com a ida da DB à bolsa tão cedo. Há quem não considere realista qualquer previsão para esta década. Antes de mais nada, é preciso gerar lucro.

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A taxa de pontualidade está abaixo de 80%

Os passageiros têm motivos de sobra para não andar de trem com maior freqüência. O sistema de preços é complicado. Até mesmo os atendentes nos guichês se atrapalham com as inúmeras modalidades e as constantes alterações nas regras. Nas grandes estações, as filas para atendimento costumam ser longas. Linhas regionais de uso diário para ida ao trabalho vêm sendo cortadas. A taxa de pontualidade (com tolerância de cinco minutos) anda abaixo de 80%.

Mais motivos que dificultam a privatização

Além disso, os investimentos em infra-estrutura ferroviária custam caro e, sem perspectiva de retorno, a iniciativa privada não se interessa. Os cofres federais, que sustentam a companhia, estão vazios. E a concorrência vem crescendo. Empresas ferroviárias privadas transportam hoje 8% do total de passageiros. Companhias aéreas de baixo custo proliferaram nos últimos anos, oferecendo passagens baratas e roubando clientes da Deutsche Bahn. Enquanto o movimento de passageiros em trens e pelas estradas diminuiu, o transporte aéreo registrou crescimento de 6,6%.

"Enquanto um vôo for mais barato do que a viagem de táxi para a próxima estação ferroviária, será muito difícil a Deutsche Bahn se firmar no mercado de longa distância", comenta o sindicalista Hommel.

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