Detentos em prisão alemã podem frequentar escola e até universidade | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 23.09.2009
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Alemanha

Detentos em prisão alemã podem frequentar escola e até universidade

Na penitenciária de Freiburg, detentos podem concluir ensino médio e até fazer curso superior. O programa educacional é modelo de sucesso. Devido à oferta de ensino, detentos de outras prisões tentam mudar para Freiburg.

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Maioria do corpo docente da prisão de Freiburg é feminino

A penitenciária de Freiburg, no sul da Alemanha, não está entre as maiores do estado de Baden-Württemberg, mas entre as mais antigas. Arquitetonicamente, o edifício da prisão construída há 100 anos inspirou-se nos exemplos de penitenciárias norte-americanas. Porém em outros aspectos a penitenciária alemã percorre, há vários anos, caminhos bem diferentes daqueles seguidos pelos EUA.

Os presidiários cujas penas variam de 15 meses à prisão perpétua podem escolher entre o trabalho ou o estudo remunerado. Quem quiser concluir o ensino fundamental ( Hauptschule ou Realschule) ou até mesmo prestar o Abitur (certificado de conclusão do ensino médio que dá acesso ao ensino superior) pode esperar não somente ser libertado mais cedo, mas também melhores chances para um novo começo de vida após a prisão.

JVA Freiburg Unterricht

Rösch acha que dinheiro é bem empregado

A experiência mostra que quem termina ali sua formação escolar apresenta uma taxa de reincidência 15% menor do que a média. Atrás desses números estão destinos humanos, como também o benefício para a sociedade. Thomas Rösch, diretor da penitenciária, explica que "o encarceramento por si só também não serve nada ao cidadão lá fora. No contexto do regime penitenciário, deve-se tentar assegurar chances. A maioria dos detentos que levamos à escola também conclui o curso com sucesso. Ou seja, temos uma quota de aprovação bem superior a 90%".

Respeito pelos direitos alheios

Os cursos são dados em turmas pequenas. Durante as aulas, os prisioneiros podem se movimentar livremente. E recebem o salário normal de prisão – cerca de 120 euros mensais – como se estivessem trabalhando. Os detentos podem aprender línguas, participar de cursos de integração ou até mesmo, dependendo do grau de escolaridade, inscrever-se em um curso superior a distância na Universidade de Hagen.

JVA Freiburg

Função mais nobre da penitenciária é reintegração, diz diretor

Este é o caso de Vitali. O imigrante descendente de alemães do Cazaquistão, de 28 anos, cumpre pena de oito anos de reclusão em Freiburg. Seu objetivo é pelo menos o título de Bachelor na área de informática aplicada à economia.

"Com um B.A. [ Bachelor of Arts] e três línguas, pode-se ir mais longe neste mundo", disse Vitali com autoconfiança, acrescentando filosoficamente que "educação é a arte de receber aquilo que é desejado sem ferir os direitos alheios. Para tal, também são necessárias paciência e concentração".

No entanto, isso é o que faltou à maioria dos jovens que se tornaram criminosos. Por isso, na prisão, também se aprende como objetivos mais elevados de vida podem ser alcançados através da paciência e perseverança.

Os cerca de 20 estudantes universitários que estudam atualmente na penitenciária de Freiburg têm acesso online à Universidade Aberta de Hagen através de um "túnel" dentro da internet. Ou seja, na web, eles só podem se comunicar com seu estabelecimento educacional. As provas são feitas sob supervisão dos professores da prisão e enviadas posteriormente a Hagen. Durante o estudo, a compra de livros e de literatura especializada é financiada pela penitenciária.

Diminuição da violência

Um comitê de admissão decide se um detento deve frequentar um centro de formação escolar ou se inscrever em um curso superior a distância. Psicólogos, funcionários do serviço penitenciário e professores fazem parte da comissão. A professora de matemática Annika Kaindl é um deles.

Como todos os outros membros do corpo docente, a professora de 37 anos leva consigo um transmissor com um botão de emergência que, todavia, ainda não teve que apertar. "Uma vez, não sei por que, dois detentos avançaram um sobre o outro. Mas eu não me senti nada ameaçada. Pelo contrário, senti-me protegida pelos outros alunos que cuidaram de mim", afirmou Kaindl. O diretor Thomas Rösch faz outra observação: as aulas têm efeito positivo sobre o clima da prisão, a violência diminui.

Dinheiro bem empregado

A penitenciária de Freiburg emprega, em sua maioria, professores do sexo feminino. Naquele mundo masculino fechado, isso leva algumas vezes a problemas interpessoais. Renate Mayer, professora da Realschule, vivenciou isso em alguns casos excepcionais. "Houve detentos que simplesmente se apaixonaram. E foi difícil lidar com tais situações."

JVA Freiburg Englischunterricht

Mayer enfrentou problemas interpessoais

Por volta de 180 detentos frequentam os diversos cursos oferecidos na penitenciária de Freiburg. Segundo o diretor Rösch, o custo médio de 40 a 100 euros por dia, com detentos que cumprem penas longas, é um dinheiro bem empregado.

"Sei que existem detentos perigosos que não conseguimos alcançar com essa oferta. Também sei que existem vários presidiários aos quais podemos chegar, pondo em prática a tarefa mais nobre do regime penitenciário: a reintegração na sociedade."

Atualmente, devido à oferta de ensino, detentos de outras penitenciárias se candidatam a uma vaga na prisão de Freiburg. Vitali veio de Ravensburg. Com o diploma de informática aplicada à economia, ele quer fazer sua próxima viagem em liberdade.

Autor: Daniel Scheschkewitz (ca)
Revisão: Augusto Valente

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