Destino de tanques alemães, Arábia Saudita tem regime opressor | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.07.2011
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Mundo

Destino de tanques alemães, Arábia Saudita tem regime opressor

O regime do rei Abdullah cortou pela raiz as tentativas de levar a chamada primavera árabe à Arábia Saudita e agiu para reprimir os protestos no vizinho Barein.

Rei Abdullah liberou 36 milhões para os cidadãos sauditas

Rei Abdullah liberou 36 milhões de dólares para os sauditas

Em fevereiro, quando os moradores do Barein saíram às ruas para iniciar uma revolução no pequeno reinado do Golfo, a família dominante reagiu duramente. Mas, para que os protestos fossem controlados, era necessário pedir ajuda, especialmente "ao grande irmão" vizinho.

Já em meados de março, a Arábia Saudita enviou mil soldados, membros da Guarda Nacional do rei saudita Abdullah. Para ele, o movimento de protesto no Barein era, de qualquer maneira, uma pedra no sapato. Há quem diga que os sauditas marcharam sem que a ajuda deles tivesse sido sequer solicitada.

A força dos vizinhos

Maryam al-Khawaja

Maryam Al Khawaja, ativista dos direitos humanos

A versão oficial diz que os soldados do país vizinho entraram em ação apenas para proteger instalações estratégicas importantes. Ativistas dos direitos humanos, como a bareinita Maryam al Khawaja, duvidam da versão oficial. "Segundo o governo, os sauditas deveriam, por exemplo, fazer a segurança das unidades de exploração de petróleo. Mas há testemunhas que dizem que as tropas sauditas se envolveram nos ataques a manifestantes em meados de março e que eles forneceram o pessoal para interditar ruas em todo o país", diz a ativista.

Com máscaras escuras cobrindo o rosto e armados com metralhadoras, os soldados sauditas estariam à procura dos chamados "traidores xiitas", relatam testemunhas. Em Riad, a família real sunita não tolera insurgentes de outras crenças nem o início de um movimento democrático. Assim, na visão de especialistas, foi de bom grado que os sauditas ajudaram a reprimir os protestos no Barein.

Dentro das fronteiras

Em seu próprio território, a liderança saudita não chegou tão longe – a Arábia Saudita cortou pela raiz o que parecia ser uma ramificação da primavera árabe. Quando, em março, houve um chamado via Facebook para um "dia de ira", seguindo o modelo egípcio, o ministro do Interior lembrou imediatamente, num tom ameaçador, que demonstrações são proibidas na Arábia Saudita. Foi o suficiente.

Houve apenas pequenas manifestações, que foram rapidamente dispersadas pela polícia. Num país onde as pessoas ainda são chicoteadas e a pena de morte é executada com a espada, há um profundo respeito pelo poder do Estado. Ou também pode-se dizer: o medo é dominante.

Da mesma maneira que usa a força contra seus inimigos, o rei Abdullah trata com enorme generosidade seus seguidores. O governante, de 86 anos, é o monarca mais velho do mundo e tenta agir de modo mais inteligente que Ben Ali e Mubarak. Como parte de um pacote de medidas, ele disponibilizou 36 milhões de dólares para que todos os cidadãos tenham acesso à moradia, trabalho e, quando preciso, uma espécie de seguro-desemprego.

Há ainda um outro setor no qual o reinado islâmico não se preocupa em gastar dinheiro: armamentos. Segundo jornais britânicos, a Arábia Saudita considera obter a bomba atômica para fazer frente ao Irã, arqui-inimigo dos sauditas. Mas o país já tem à disposição armas de alta tecnologia. O Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, do inglês) afirma que, em 2010, os sauditas gastaram 543 milhões de euros em armamentos. O valor deixa o país na nona posição no ranking de importação de armas.

Uma situação que deixa ativistas como Maryam al Khawaja perplexos. A repressão dos déspotas contra o movimento democrático é, assim, levada adiante com armas ocidentais: "A questão que se coloca é: porque os governos estrangeiros, que já não apoiam os insurgentes, ainda fornecem armas que serão usadas para reprimir os protestos", questiona a ativista.

Autora: Cornelia Wegerhoff (np)
Revisão: Alexandre Schossler

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