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Alemanha

Destino da Grécia na eurozona provoca racha na coalizão governamental alemã

Declaração do secretário-geral da CSU, Alexander Dobrindth, de que saída da Grécia da União Monetária seria caminho sem volta provoca crise entre conservadores cristãos e liberais em Berlim.

"Ladainhas provincianas", "simplesmente intolerável". Assim, colegas da coalizão liberal-cristã do governo alemão definiram as recentes declarações do secretário-geral da União Social Cristã (CSU), Alexander Dobrinth. Ele afirmara ao jornal Bild am Sonntag não ver outro caminho para a Grécia senão sua saída da zona do euro.

Com essa afirmação, o secretário da CSU bateu de frente com a chanceler federal alemã e presidente da União Democrata Cristã (CDU), Angela Merkel. Na última sexta-feira (24/08) ela havia declarado, após encontro com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, desejar "que a Grécia continue fazendo parte da zona do euro". E acrescentou não conhecer "ninguém da coalizão que não queira a mesma coisa". Ora, Dobrindt é, justamente, integrante da bancada comum da CDU-CSU no Bundestag (câmara baixa do parlamento).

Merkel: "pesar palavras"

Questionada sobre Dobrindt, Merkel afirmou numa entrevista televisiva na noite de domingo que a operação de salvamento do euro está em fase decisiva. "Por isso acho que precisamos pesar nossas palavras", disse a premiê.

Outros democrata-cristãos foram ainda mais explícitos. "A coisa já está difícil o bastante, e não vai melhorar se, todos os dias, alguém soltar uma bomba dessas", criticou o vice-presidente da CDU, Volker Bouffier, também governador do estado de Hessen.

O presidente do Bundestag, Norbert Lammert (CDU), seguiu a mesma linha: "A situação é séria demais para ser decidida na base da disputa retórica", criticou. Günther Oettinger, comissário da UE para Energia e também democrata-cristão, analisou assim a declaração de Dobrindt: "O estilo não é apropriado, nem o conteúdo e menos ainda a estratégia".

Eleições à sombra do euro

Com "estratégia", Oettinger se refere às tentativas dos social-cristãos de – usando de retórica brutal ,às custas dos países em crise da eurozona – ganhar pontos nas próximas eleições estaduais da Baviera, das quais depende a sobrevivência da CSU na coalizão do governo federal. Porém Dobrindt está indo longe demais – até mesmo para muitos de seus correligionários.

Premiês Angela Merkel (dir.) e Antonis Samaras: Grécia deve manter euro

Premiês Angela Merkel (dir.) e Antonis Samaras: Grécia deve manter euro

"A questão de se a Grécia fica ou não na zona do euro, não pode ser decidida nem no momento atual, nem a partir de um mero instinto visceral", adverte a presidente do agrupamento estadual da CSU no parlamento, Gerda Hasselfeldt.

Seu vice, Max Straubinger vai mais além. Foi ele que falou de "ladainhas provincianas", complementando: "É uma pérola do 'Absurdistão' acreditar que a Grécia vá se recuperar mais rápido com a dracma". Pois, com uma moeda desvalorizada, não será possível o país financiar suas importações, nem mesmo da Alemanha, explicitou.

Liberais também se distanciam

Nesta segunda-feira, a ministra alemã da Justiça e líder estadual do Partido Liberal Democrático (FDP) na Baviera, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, exigiu uma demonstração de autoridade por parte do presidente do CSU, Horst Seehofer. Ela instou-o a enquadrar o secretário-geral Dobrindt e a se comprometer univocamente com o curso da coalizão de Berlim em relação à Europa. "Seehofer precisa deixar bem claro que a CSU não irá se empenhar numa campanha eleitoral antieuropeia. A Europa é valiosa demais para que se permita que seja ameaçada por baboseiras populistas."

Há algum tempo, no entanto, Seehofer não se pronuncia sobre a crise europeia. É praxe antiga na CSU manter o presidente da legenda fora das discussões e deixar o secretário-geral como "galo de briga". Fora do comum, é o fato de, agora, ele não estar recebendo nenhum apoio. Não se ouve mais nada, nem mesmo do secretário de Finanças da Baviera, Markus Söder, que no início de agosto afirmara querer usar o caso da Grécia para "dar uma lição".

Com as palavras de Leutheusser-Schnarrenberger, o FDP bávaro distanciou-se claramente CSU, com quem compõe a coalizão estadual. Antes, o secretário da Economia da Baviera, o liberal Martin Zeil, apoiava Söder no conteúdo – embora não na forma. Em nível federal, o presidente do FDP, Philipp Rösler, fechou com Merkel na defesa de que a Grécia permaneça no euro. O líder liberal nunca exigiu o contrário. Embora há algumas semanas tenha causado celeuma com a declaração de que a saída da Grécia da União Monetária Europeia "já não assusta mais".

Autor: Peter Stützle (msb)
Revisão: Augusto Valente

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