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Brasil

Despejo de 200 famílias de hotel abandonado vira confronto em São Paulo

Sem-teto e policiais se enfrentam durante ação de reintegração de posse no centro da capital paulista. PM usa gás lacrimogêneo e balas de borracha em operação que resulta em ao menos 70 detidos e três feridos.

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Ônibus é incendiado por volta das 10h em frente ao Teatro Municipal

O despejo de cerca de 200 famílias que ocupavam um hotel abandonado causou confusão nesta terça-feira (16/09) no centro de São Paulo. Houve enfrentamentos entre a Polícia Militar e um grupo de sem-teto, e o conflito se espalhou pelas ruas centrais da cidade. A PM usou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.

Houve depredação de lojas e um ônibus foi incendiado. Sofás, armários, portas e pedaços de cama foram lançados desde o edifício como resposta à ação da PM. Esse foi o estopim dos distúrbios que duraram cerca de cinco horas e deixaram ao menos 70 pessoas detidas e três feridas.

O conflito começou nas primeiras horas da manhã, quando as forças policiais chegaram ao edifício – localizado no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João – para cumprir a ordem de despejo das famílias que ocupavam o imóvel de 20 andares desde março. O hotel está abandonado há cerca de dez anos.

Um grupo de sem-teto se negou a abandonar o edifício e saiu em direção à rua em um protesto que causou caos no trânsito da região, o incêndio de um ônibus em frente ao Theatro Municipal – a cerca de cem metros da prefeitura – por volta das 10h e, também, vários saques ao comércio.

Em resposta, a PM lançou bombas de gás lacrimogêneo e disparou balas de borracha para reprimir a manifestação organizada pelo grupo Frente de Luta por Moradia (FLM), que congrega cerca de dez entidades ligadas aos sem-teto e representa mais de 3.500 famílias.

As autoridades tiveram que interromper o trânsito, o que causou grande congestionamento na região. Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), que gerencia o sistema de transporte público por ônibus na capital paulista, ao menos 30 linhas que passam pela região central da cidade ficaram prejudicadas.

Brasilien - Proteste nach Widerinbesitznahme eines Hotels durch die Polizei

Confronto entre PM e grupo de sem-teto deixou ao menos três pessoas feridas

Terceira tentativa de despejo

O despejo foi ordenado pela juíza civil Maria Fernanda Belli a pedido da empresa proprietária do imóvel, a Aquários Hotel, disse um porta-voz do governo do Estado de São Paulo. De acordo com a PM, esta foi a terceira ação de reintegração de posse no local. As outras duas tentativas fracassaram no mês de junho.

O comandante da PM, Glauco Silva de Carvalho, afirmou que não houve excessos por parte da corporação e que os policiais somente revidaram após serem atacados pelo grupo de sem-teto. De acordo com Carvalho, dois policiais ficaram feridos e uma sem-teto grávida foi encaminhada a um hospital da região. O comandante disse ainda que algumas pessoas se aproveitaram do momento e se agruparam para atacar a PM.

A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto do Centro (MTSC), Ivonete de Araújo, justificou a resistência alegando que a empresa proprietária do hotel ocupado não cumpriu o acordo que colocaria à disposição dos moradores caminhões e pessoal para ajudar as famílias a retirar os pertences do edifício.

"O proprietário não cumpriu. Ele prometeu 40 caminhões e 120 trabalhadores e não enviou. Como as pessoas vão sair? Como eles levarão seus móveis? Para onde eles vão? A Justiça não leva em conta a questão social", afirmou.

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o deficit de moradias na cidade de São Paulo era de 670 mil domicílios em 2013.

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PM teve que interromper o trânsito por causa do confronto

FC/dpa/abr

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