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Mundo

Desempenho de Hollande é modesto em primeiros 100 dias na presidência da França

Hiperativo Sarkozy ainda é parâmetro de comparação – positivo e negativo – para performance do socialista em Paris. Especialistas estão esperançosos e observam atentos relação com Alemanha, que começou com pé esquerdo.

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Francois Hollande

Até há pouco, os franceses estavam acostumados ao "Hiper Sarko" – apelido sarcástico de Nicolas Sarkozy. Do ex-presidente, o que sobrou na memória foi, sobretudo, seu estilo político exacerbado. Assim, não é de espantar que François Hollande esteja sendo medido a partir da hiperatividade de seu sucessor.

O resultado é fraco: 100 dias após sua eleição, 54% dos franceses estão descontentes com a presidência de Hollande, apontou uma pesquisa de opinião realizada pelo jornal Le Figaro. O Libération se interroga em sua manchete: "Normal ou devagar?" Outros são mais explícitos: Hollande é hesitante, numa época de crise em que a França necessita uma liderança firme.

O Anti-Sarkozy

"O estilo de Hollande é, com certeza, uma nova experiência para os franceses", descreve Dominik Grillmayer, do Instituto Franco-Alemão (DFI), de Ludwigsburg. "Mas, afinal, foi em favor dessa experiência que os franceses tiraram Sarkozy do cargo. Acho que estavam fartos desse 'hiper-presidente' e seu acionismo. E conscientemente se decidiram por alguém que incorpora um outro estilo."

Sai Sarkozy: mudança de ares

Sai Sarkozy: mudança de ares

Claire Demesmay, da Sociedade Alemã de Política Externa (DGAP), tem uma explicação para a imagem pública do político socialista. "Hollande sabe quão dividida está a sociedade. Ele não quer causar estranheza aos franceses, mas sim abordar os problemas com cautela." Por outro lado, falta de coragem também pode ser a explicação para a hesitação de Hollande – o motivo real ninguém sabe dizer ao certo.

Em agosto, toda a vida pública na França praticamente para. Porém, com o início do segundo semestre e a entrada do "outono quente" da política, Hollande deverá guiar seu país de forma bem mais decidida, crê o especialista Grillmayer. "É essa a expectativa dos franceses: que o presidente esteja presente, que formule projetos. Ele precisa fazer jus a essa pressão."

Importantes reformas estruturais são aguardadas no segundo semestre. Segundo diversos analistas, a França precisa conquistar competitividade e lidar com seu deficit econômico; a taxa de desemprego de 10% também é alta demais. "Ainda não se sabe qual é a resposta do presidente a esses problemas", observa a cientista política Demesmay.

Cumprindo promessas

Após quase 100 dias de silêncio autoimposto, Sarkozy também voltou a se manifestar, na função de porta-voz da oposição conservadora. Ele encontrou no conflito da Síria um tema com que atacar o socialista Hollande, acusando-o de hesitação excessiva.

Mas, mesmo sendo "devagar" demais para alguns, Hollande não está inativo, defende Dominik Grillmayer, do DFI. "Ele começou a se ocupar sistematicamente de suas promessas eleitorais."

Como anunciado, uma parte dos cidadãos poderá novamente se aposentar aos 60 anos de idade; as tropas francesas se retirarão do Afeganistão ainda este ano. E os ministros e o presidente passam a receber salários um pouco menores – ato simbólico de um chefe de Estado que pretende colocar a justiça social no foco de seu mandato.

França-Alemanha

Merkel e Hollande: a caminho do entendimento

Merkel e Hollande: a caminho do entendimento

Os analistas também observam como o presidente francês se dá com a chefe de governo alemã, Angela Merkel. Seus países são os dois membros mais poderosos da União Europeia, e, sobretudo em tempos de crise, é altamente importante ambos estarem de acordo. Entretanto, ainda durante a campanha eleitoral francesa, Merkel deixou claro que preferia um presidente Sarkozy a um presidente Hollande.

"De fato, o início de Merkel com Hollande foi capenga", adimite Grillmayer à DW, "mas parto do princípio de que vão acabar se entendendo. Em se tratando de dois pragmáticos como eles, é de se esperar que vão encontrar soluções". Afinal de contas, a relação da chanceler federal com Sarkozy também levou um bom tempo para entrar no eixos.

Portanto "o novato" cumpriu de forma passável seus primeiros 100 dias de mandato. Mas a verdadeira prova de fogo ainda está por vir. "Nunca foi tão urgente dar um sentido ao esforço conjunto de todos os franceses", escreve o jornal Libération. E Le Monde explicita: uma política de constância é bem vinda, após a frenética era Sarkozy, porém "também não pode ser lento demais".

Autoria: Hendrik Heinze (av)
Revisão: Francis França

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