Desconfiança dos EUA aumenta pressão sobre governo paquistanês | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.05.2011
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Mundo

Desconfiança dos EUA aumenta pressão sobre governo paquistanês

Barack Obama diz que colaboradores da Al Qaeda poderiam até mesmo ter atuado de dentro do governo paquistanês. A oposição vê a soberania do país violada e pede que o primeiro-ministro e o presidente deixem o cargo.

In this image released by the White House, President Barack Obama listens during one in a series of meetings discussing the mission against Osama bin Laden, in the Situation Room of the White House, Sunday, May 1, 2011, in Washington. (Foto:The White House, Pete Souza/AP/dapd)

Barack Obama, na sala de onde acompanhou a operação

Foram "os 40 minutos mais longos de sua vida", disse o presidente norte-americano Barack Obama em sua primeira entrevista desde o dia em que acompanhou por um monitor a operação que matou Osama bin Laden.

No programa 60 Minutes, transmitido pela rede norte-americana de televisão CBS, o chefe de governo dos Estados Unidos contou detalhes do processo de tomada de decisões que culminou com a intervenção no Paquistão, admitindo que iniciar uma operação militar no território soberano de um outro país sem informar seu governo traz consigo grandes riscos.

Mas Obama também deixou clara a desconfiança que o fato de o chefe da Al Qaeda estar escondido no Paquistão provocou: "Achamos que devia haver algum tipo de rede de apoio a Bin Laden dentro do Paquistão. Mas não sabemos quem ou que tipo de apoio seja esse", afirmou. E ainda: "Não sabemos se havia pessoas dentro do governo, ou fora do governo, e isso é algo que temos que investigar e que, ainda mais importante, o governo paquistanês tem que investigar".

Governo em crise

Partidos de oposição ao primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani e ao presidente Asif Ali Zardari pedem que os chefes de governo renunciem diante da situação embaraçosa provocada pelo fato de o líder da Al Qaeda ter mantido seu esconderijo na cidade de Abbottabad.

"Nós queremos demissões, e não explicações pela metade", disse um membro da Liga Muçulmana do Paquistão, partido do ex-premiê Nawaz Sharif. O partido critica que a intervenção militar dos EUA feriu a soberania do país. Enquanto isso, o governo prepara uma manobra para "trazer confiança à nação" num discurso ao Parlamento.

Pressão sobre Islamabad

O governo norte-americano agora exige a ajuda do governo paquistanês a fim de encontrar os prováveis colaboradores da rede terrorista no país. Tom Donilon, consultor de Obama para assuntos de segurança, disse à rede NBC que, até o momento, não há provas de que o governo, as forças militares ou o serviço secreto do Paquistão conhecessem o paradeiro de Bin Laden, mesmo estando ele há anos tão próximo à capital.

Donilon cobrou ao governo em Islamabad que permita o acesso a informações conhecidas sobre a propriedade do terrorista, assim como a suas três esposas, que se encontram sob custódia das forças paquistanesas.

Mas, apesar de aumentar a pressão, os Estados Unidos também elogiaram a cooperação com o governo paquistanês. Segundo Obama, em nenhum outro lugar do mundo conseguiu-se matar tantos terroristas como no Paquistão, o que só foi possível devido à ajuda das autoridades locais.

Desconfiança aumenta

Mesmo assim, diante da incerteza do papel do governo paquistanês, o Congresso norte-americano já pensa em diminuir a bilionária ajuda financeira ao país asiático até que os detalhes sejam esclarecidos. O senador Frank Lauterberg defende que, antes que mais recursos sejam enviados ao Paquistão, é preciso ter certeza de que o país está de fato do lado norte-americano na luta contra o terrorismo.

Já o ex-vice-presidente Dick Cheney alerta para os riscos de virar as costas para a região. "Se formos embora do Paquistão e do Afeganistão, ou daquela parte do mundo em geral, temo que venhamos a ter ainda mais problemas. Precisamos manter em funcionamento as relações com o Paquistão, o Afeganistão e o resto. Não acho que devamos correr para a saída."

NP/rts/afp
Revisão: Rodrigo Rimon

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