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Cultura

Descoberto diário de outra garota judia

Encontram-se em posse de um arquivo holandês anotações feitas às escondidas por uma jovem judia que, tal como Anne Frank, foi deportada para um campo de concentração pelos nazistas.

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Helga Deen

O velho caderno de química, contendo 21 páginas com anotações de Helga Deen, estava dentro de uma bolsa feminina, ao lado de cartas, uma caneta-tinteiro e um cacho de cabelo. O material, que só agora se tornou conhecido, foi entregue ao arquivo regional da cidadezinha de Tilburg, na Holanda, por familiares de um homem ao qual a garota, então com 18 anos, se referia em suas cartas como "meu querido".

Gerrit Kobes, funcionário do arquivo, fala de uma "descoberta sensacional": nas páginas do caderno, a estudante anotou suas vivências e pensamentos durante as últimas quatro semanas em que esteve presa no campo de concentração de Vught. No dia 2 de julho de 1943, Helga Deen foi deportada juntamente com sua família para o campo de Sobibor, na Polônia, onde foi morta a 16 de julho.

O achado faz lembrar o famoso diário de Anne Frank, redigido durante os dois anos em que, com sua família, ocultou-se dos nazistas em Amsterdã. O registro da adolescente é interrompido pela revelação do esconderijo e a deportação dos Frank. Anne sucumbiu ao tifo em março de 1945, no campo de concentração Bergen-Belsen.

"A liberdade atrás do arame farpado"

Em suas anotações, Helga Deen descreve o cotidiano no campo de concentração, as deportações de crianças, e expressa principalmente sua sensação de impotência e desespero. "Se minha força de vontade morrer, eu também morrerei. [...] Todos os dias vemos a liberdade atrás do arame farpado."

Após chegar em Vught, no dia 1º de abril de 1943, ela alimentou durante certo tempo a esperança de escapar da deportação por meio de uma convocação para trabalhar na fábrica de lâmpadas da Philips. Até o 1º de julho, quando escreveu suas últimas linhas: "Empacotar as coisas, hoje de manhã vi uma criança morrer, o que me deixou totalmente confusa. Mas tudo isso não é nada em comparação com o que ainda vem. Vai haver de novo um transporte, e desta vez vamos ser levados juntos".

Um dia mais tarde, ela escreveu ainda uma última carta a seu amigo: "O que passamos nos últimos meses é indescritível e, para alguém que não passou por isso, inimaginável".

No próximo sábado (23/10), o arquivo de Tilburg vai apresentar o diário de Helga Deen ao público.

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