Descendentes de turcos criticam sugestão que prevê policiais da Turquia na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 05.08.2010
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Alemanha

Descendentes de turcos criticam sugestão que prevê policiais da Turquia na Alemanha

Projeto do Sindicato dos Policiais da Renânia do Norte-Vestfália prevê atuação conjunta das polícias alemã e turca em comunidades alemãs com forte presença de descendentes de turcos. Moradores criticam.

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Policiais na Turquia

Assim como outras cidades da região do Vale do Ruhr, Duisburg, no oeste da Alemanha, tem uma grande comunidade de origem turca. Hatice Köks, de 32 anos, mora no bairro Marxloh, em Duisburg, onde tem uma loja de vestidos de noiva.

Questionada sobre a hipótese de a polícia do estado da Renânia do Norte-Vestfália de utilizar policiais trazidos diretamente da Turquia, ela se diz indignada. Seria "um grande insulto se policiais turcos patrulhassem por aqui". Isso acabaria com toda a integração, diz a comerciante.

O estabelecimento de Köks é uma das muitas lojas em uma rua de comerciantes de origem turca. Com tantos restaurantes, farmácias, supermercados e butiques com nomes turcos, um visitante da Turquia ali se sentiria em casa.

A ideia também é rejeitada pelos clientes de um cabeleireiro turco. "Eu teria de rir se visse aqui um policial com uniforme turco", diz um jovem cliente. Para ele, quem não respeita policiais alemães também não levaria a sério um policial da Turquia.

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Falta de respeito

Contudo, é justamente nisso que aposta o presidente do Sindicato dos Policiais da Renânia do Norte-Vestfália, Erich Rettinghaus. Ele quer rondas conjuntas entre policiais alemães e policiais trazidos da Turquia.

Ele espera com isso descobrir por que jovens de origem turca têm com frequência desrespeitado a polícia e, ainda, se eles reagiriam da mesma forma se fossem abordados por autoridades turcas.

Rettinghaus justifica que sua sugestão não é sinal de que a polícia alemã tenha fracassado. Pelo contrário, ele espera uma troca de experiências como a que ocorre, por exemplo, na fronteira com a Holanda, com policiais holandeses.

"Nas épocas de férias, policiais alemães uniformizados garantem a segurança dos locais onde muitos cidadãos alemães passam férias, como bares, restaurantes ou discotecas", explica.

Em bairros na Alemanha onde a maioria dos moradores são descendentes de turcos, como o Marxloh, em Duisburg, ou Ehrenfeld, em Colônia, a rejeição de policiais alemães é um problema recíproco.

Muitas vezes, os jovens de origem turca sentem-se maltratados. "A polícia chega para apartar uma briga entre imigrantes quando tudo já terminou", queixa-se um rapaz de 19 anos. Outro reclama que, "se um alemão estaciona seu carro sobre uma ciclovia, o policial apenas o manda sair. Um turco, porém, seria multado".

Convidados, mas sem atribuições

Rettinghaus, por seu lado, relata experiências diárias dos policiais alemães: geralmente, os jovens de origem turca tentam impedir detenções ao "cercar a viatura para libertar os prisioneiros. A situação escala e muitas vezes acaba em briga". Em tais situações, Rettinghaus espera que os "policiais convidados" possam intervir, apesar de não terem nenhuma atribuição legal, nem poderem portar armas.

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Em Berlim, academia de polícia incentiva ingresso de jovens de origem turca

Apesar de muitos descendentes de turcos serem contra a ideia, há alguns que acham que o projeto ajudaria a superar diferenças de mentalidade. Em um supermercado, por exemplo, a sugestão é bem aceita: um casal de idosos acha que os policiais de uniforme turco poderiam causar uma boa impressão sobre os jovens.

Numa das muitas tradicionais casas de chá que existem nos bairros de imigrantes, um homem de 32 anos considera absurda a ideia de trazer policiais turcos à Alemanha, que não conhecem nem a língua do país. Segundo ele, o Estado deve treinar os seus jovens de origem estrangeira para o ofício de policial.

Ele mesmo estaria disposto a fazer isso e desistir de seu emprego bem remunerado, se não houvesse empecilhos em sua formação escolar.

Atualmente, apenas um em cada sete aprendizes de policial na Renânia do Norte-Vestfália tem origem migratória. O presidente do sindicato dos policiais gostaria que fossem mais.

A sugestão deverá ser apreciada de forma científica pelo centro estadual de formação de policiais. Com as autoridades turcas, entretanto, ainda não foi feito nenhum contato, diz Rettinghaus.

Autor: Kemal Hür (rbc)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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