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Mundo

Descendente de alemães é novo presidente da Romênia

Pertencente a uma minoria étnica no país, Klaus Iohannis se elegeu fazendo do pragmatismo sua principal bandeira. O sucesso como prefeito de uma cidade onde o desemprego é hoje quase zero convenceu o eleitorado.

Ele não gritou "Yes, we can!" para seus seguidores. Mas o slogan de campanha por uma "Romênia do trabalho bem feito" garantiu ao candidato da aliança liberal-conservadora, Klaus Iohannis, a vitória no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (16/11). Ele, que no primeiro turno da campanha ficara cerca de dez pontos percentuais atrás do primeiro colocado, Victor Ponta.

Sucesso como prefeito

Pertencente a uma minoria alemã da Romênia, na verdade seu sobrenome seria escrito com "J", como na grafia alemã. Mas, na ocasião do registro do nascimento, há 55 anos, o tabelião obviamente não estava familiarizado com o nome estrangeiro. Por isso, a grafia oficial é "Iohannis".

Sibiu Hermannstadt Rumänien

Sibiu, Romênia: cidade administrada por Iohannis quase não tem desemprego

A ascensão política de Klaus Iohannis se deve à boa reputação como administrador público. Ele foi eleito quatro vezes prefeito de Sibiu, sempre com uma ampla maioria de 70% a 80%. Em sua cidade, o ex-professor de física de origem alemã é elogiado pela forma como reformou a administração local e renovou a cidade medieval, que se encontrava parcialmente em ruínas.

Sibiu se tornou em 2007 o melhor exemplo de integração europeia: no ano da adesão de seu país à União Europeia, "sua" cidade dividiu com Luxemburgo o título de Capital Cultural Europeia.

Mas a região também é próspera economicamente. Centenas de investidores estrangeiros, principalmente da Alemanha e da Áustria, se instalaram ali e ajudaram a garantir que a taxa de desemprego quase chegue a zero. Para efeito de comparação: segundo o instituto de pesquisa Eurostat, a taxa de desemprego romena está em pouco acima de 7%.

Político autoconfiante

Depois de seu notável sucesso na política local, este saxão luterano da Transilvânia conseguiu agora convencer a maioria do eleitorado de que é o homem certo para as reformas política, moral e econômica da Romênia.

"Estou me candidatando porque quero estabelecer uma forma diferente de política em nosso país. Menos show, menos barulho e soluções mais concretas para os cidadãos, para a Romênia", enfatizou repetidamente nas entrevistas e aparições públicas. Atrás dele não estão grupos de interesse nem impérios de mídia, assegura, numa alusão a seu adversário social-democrata, Victor Ponta.

A questão central antes do pleito presidencial era se a Romênia, com 80% de população ortodoxa, estava pronta para ter o membro de uma minoria étnica e religiosa como chefe de Estado. Aparentemente sim, a julgar pelo resultado das urnas. Hoje, menos de 40 mil alemães vivem na Romênia, numa população de quase 20 milhões de habitantes.

Eles são considerados trabalhadores e confiáveis, honestos e corretos. Muitos apreciam estas virtudes, especialmente na Romênia central e ocidental, onde vivem as minorias alemãs dos saxões da Transilvânia e dos suábios do Banato.

Isso se confirmou no primeiro turno das eleições, em 2 de novembro, em que Iohannis emergiu como vencedor na região. Já no sul e no leste do país, a maioria dos eleitores votou em Ponta.

Após o primeiro turno, passou-se a se falar na Romênia em "efeito Iohannis" – semelhante ao "efeito Obama" em 2008 nos Estados Unidos, quando o democrata Barack Obama, ganhou inesperadamente a eleição presidencial.

"As pessoas estão fartas dos políticos estabelecidos", declarou Klaus Iohannis numa entrevista, para explicar seu êxito em Sibiu. Essa atitude autoconfiante poderá garantir também o sucesso em escala nacional desse homem de ação.

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