Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 15.03.2011
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Economia

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas

Não somente o povo, mas também a economia japonesa foi fortemente atingida pelo terremoto e o tsunami. Ainda é difícil de estimar os danos, mas já existem análises dos efeitos sobre a economia global.

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Bombeiro observa veículos queimados no porto de Hitachi.

Enquanto a tragédia no Japão ainda não tem números definitivos, especialistas começam a avaliar suas consequências econômicas. Muitos já se perguntam se a catástrofe pode provocar um novo choque na economia global, recentemente abalada pela crise financeira.

Afinal de contas, até 2009 o Japão era considerado a segunda maior economia mundial, e ainda ocupa a terceira posição, atrás dos Estados Unidos e da China. Um de seus fortes é o comércio externo: cerca da metade das exportações japonesas destinam-se a países asiáticos, e 45% de suas importações também proveem da Ásia.

Atomkraftwerk Fukushima 1 mit zerstörtem Reaktorgebäude

Unidade nuclear de Fukushima não é a única com problemas

O Japão é um país industrializado com influência global nos setores automotivo, eletrônico e na engenharia industrial. É verdade que a região atingida pelo terremoto e pelo tsunami tem pequeno peso econômico, mas o consequente fechamento de fábricas e refinarias e a desativação de unidades de produção de energia afetam o restante do país.

Suspensão da produção em todo o país

As usinas nucleares japonesas só fornecem atualmente a metade da energia elétrica produzida antes dos tremores. Se algumas fábricas não tiveram prejuízos diretos, poderão sofrer efeitos indiretos. Devido à paralisação de alguns setores, muitas empresas terão dificuldade de cobrir sua demanda de matéria-prima.

A Toyota, maior montadora do planeta, suspendeu a produção em suas 12 unidades no Japão. A Nissan, outra megaempresa do setor, paralisou suas quatro zonas de produção. Varias companhia, desde a Honda, passando pela Canon, Sony e Panasonic, até refinarias e metalúrgicas, já informaram prejuízos e, segundo a mídia japonesa, reduziram sua produção pela metade. O tamanho do prejuízo em todo o mundo é difícil ainda de ser avaliado, em função da complexidade da catástrofe, alega a Munich Re, a maior resseguradora do mundo.

Não há temor de nova recessão

Apesar disto, o economista-chefe do Commerzbank, Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.

Além disso, o especialista em Japão da Universidade de Heidelberg, Harald Fuess, lembra que um fator positivo para a economia é o fato de o Japão ter uma certa rotina de reconstrução após catástrofes naturais. O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.

Para muitos especialistas, a situação é comparada ao terremoto de Kobe em 1995, quando a produção em todo o país foi também suspensa por algum tempo. Porém a paralisia pode ser compensada em poucos meses. Entretanto, os danos desta vez são mais graves do que os registrados há 16 anos. O economista-chefe da seguradora Allianz, Michael Heise, ressalta porém, que o Japão tem boas medidas de segurança.

Demanda retornará

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Desastres no Japão não são ameaça maior à economia global

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, se mostra bastante otimista sobre a economia do país. Ele espera que a demanda cresça, após a reconstrução das zonas afetadas pelo terremoto. Para Kan, o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o "New Deal" do presidente Franklin Roosevelt.

A curto prazo, a maior preocupação quanto a economia é o sistema financeiro. O Banco do Japão injetou o equivalente a quase 132 bilhões de euros no mercado financeiro, para aumentar a liquidez do seu sistema monetário. Trata-se do maior programa de emergência da história do banco central japonês.

Graças a uma política de taxa de juros zero, os bancos podem armazenar capital a uma taxa base de 0% a 0,1%. Já no fim de semana, formavam-se diante de certas agências filas de clientes que queriam retirar dinheiro, registrou o banco central.

O mercado financeiro japonês já estava bastante pressionado antes mesmo do terremoto. O país acusava encargos de dívidas duas vezes superiores a seu desempenho econômico em um ano. A isso acrescente-se uma população cada vez mais idosa, e que no futuro tenderá a economizar menos e consumir mais. Se ela deixar de comprar as ações do governo a juros baixos, como fazia até então, o Japão vai ter que se endividar no mercado financeiro internacional, a taxas bem mais altas.

Perigos para economia mundial são outros

Já em janeiro, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduzira a nota da dívida estatal do Japão de "AA" para "AA-". Essa dívida vai provavelmente se elevar com os necessários trabalhos de reconstrução, agravando a situação.

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Autoridades tentam resolver falta de mantimentos em regiões atingidas pelo terremoto

Em entrevista à Deutsche Welle, o importante economista Wolfgang Franz opinou que o governo japonês deveria financiar a reconstrução com o aumento de impostos, para evitar que o endividamento do Estado dispare. Porém isto teria que ser feito logo, já que, "diante das terríveis imagens", é consequentemente maior "a tolerância da população para a elevação dos impostos, claro".

Franz acredita que não há motivo para pânico. Ele não teme uma nova recessão global, nem um claro enfraquecimento conjuntural na Alemanha. Porém é possível um efeito indireto, partindo dos países que exportam muito para o Japão. Se forem afetados, eles poderão também reduzir também suas importações da Alemanha. No entanto, para o economista, isto ainda é muito difícil de calcular concretamente, e "possivelmente é só um efeito passageiro".

O especialista da Allianz Michael Heise não vê nos acontecimentos no Japão uma ameaça decisiva à economia mundial, mas sim na explosão do preço das matérias-primas e na crise de débitos na Europa. A economia mundial também se beneficia da inesperada recuperação de muitas economias nacionais no ano passado. Sobretudo os parceiros comerciais asiáticos do Japão experimentam forte impulso econômico. "Isso também ajuda o Japão, é claro", opina Heise.

Autor: Insa Wrede (MP)
Redaktion: Rolf Wenkel

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