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Mundo

"Desafio em 2014 é maior que o normal", diz chefe da conferência de Munique

Presidente da Conferência sobre Segurança, que completa cinco décadas, destaca cenário internacional como complexo, mas afirma que, em tempos de crise, é sempre possível encontrar um denominador comum.

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Wolfgang Ischinger preside a conferência desde 2008

A Conferência sobre Segurança de Munique, que completa cinco décadas, inicia nesta sexta-feira (31/01) mais uma edição, consolidada como um dos mais importantes fóruns sobre o assunto do mundo. Com uma série de conflitos e crises abertos pelo mundo, neste ano os desafios serão maiores que o habitual.

Em entrevista à DW, o alemão Wolfgang Ischinger, que preside a conferência desde 2008, diz que os principais temas do encontro neste ano serão: Síria, Irã, o conflito israelo-palestino, a crise ucraniana e a segurança cibernética. "Há tantos problemas mais urgentes neste ano que não vamos fazer grandes comemorações", afirma.

Deutsche Welle: Neste ano, a Conferência sobre Segurança de Munique completa 50 anos. O que foi planejado para lembrar a data?

Wolfgang Ischinger: Há tantos problemas mais urgentes neste ano que não vamos fazer grandes comemorações. Mas haverá três pontos altos: primeiramente, o presidente Joachim Gauck abre a conferência a meu convite – isso nos alegra muito, já que é a primeira vez que um presidente alemão aceita tal tarefa.

Em segundo lugar, haverá um painel de discussão especial de aniversário com participantes da primeira conferência – no passado, ela se chamava Conferência de Defesa. Helmut Schmidt e Henry Kissinger vão participar desse painel.

E em terceiro lugar, o nosso livro de aniversário Towards Mutual Security. 50 years of Munich Security Conference (Rumo à segurança mútua. 50 anos da Conferência de Munique) já está disponível. Nele se encontram muitas fotos e documentos sobre a história da conferência, e principalmente, inúmeros artigos sobre os debates mais importantes dos 50 anos, como também sobre os desafios mais importantes da política de segurança que enfrentamos hoje.

Quais foram as principais realizações da conferência nos últimos 50 anos?

O principal êxito alcançado pela conferência foi ter se tornado cada vez mais importante ao longo dos anos para especialistas e tomadores de decisão em todo o mundo. O contexto da segurança mudou em muitos aspectos, e a conferência sempre se adaptou de tal formar a se continuar sempre relevante e cada vez mais importante.

Eu vejo a MSC [sigla em inglês para a Conferência sobre Segurança de Munique] como uma plataforma para um diálogo aberto. Por exemplo, com os nossos parceiros mais próximos. Nem sempre todos estão de acordo, mas tentamos superar as nossas diferenças.

Também em tempos de crise sempre é possível trocar ideias na conferência e encontrar um denominador comum – por exemplo, no contexto da invasão no Iraque ou agora após as revelações sobre a espionagem da NSA.

Logo München Sicherheitskonferenz Bayern Deutschland

Citando Churchill, Ischinger diz que "negociar em vez de guerrear" poderia ser lema da conferência

Iniciativas como a política de redefinição dos Estados Unidos, que levou ao último acordo Start [pacto de redução de armas estratégicas], começaram em Munique. Não foi coincidência que Hillary Clinton e Serguei Lavrov tenham trocado aqui em Munique os certificados de ratificação do acordo. Às vezes, o fato de aqui ser tão lotado ajuda o diálogo, já que é mais fácil cruzar o caminho do que evitar o encontro.

Espero que possamos voltar a abrir um novo capítulo neste ano, por exemplo, através da oferta de um painel sobre o futuro da Sérvia e do Kosovo ou do conflito do Oriente Médio. Eu também acho que foi correto sempre ter convidado a liderança iraniana, ainda que suas contribuições tenham sido, até agora, decepcionantes na maioria dos casos. Mas sempre vale a pena apostar na diplomacia.

Winston Churchill disse uma vez que "to jaw-jaw is always better than to war-war" – o que significa que conversar é sempre melhor do que fazer uma guerra. Acho que esse é um bom lema para a conferência.

Neste ano, será possível tematizar tantos conflitos numa conferência de três dias?

Neste ano o desafio é ainda maior do que o normal. Sempre tentamos combinar os temas mais importantes com debates sobre questões conceituais mais genéricas, que serão importantes no futuro.

Neste ano, os principais temas são Síria, Irã e o conflito israelo-palestino, como também a segurança cibernética, principalmente em sua dimensão transatlântica. A crise na Ucrânia também é muito importante. Além disso, nós temos de avançar o debate sobre a integração europeia, principalmente em questões de segurança e política externa.

Todos estão ansiosos para escutar o que os novos ministros alemães Ursula von der Leyen e Frank-Walter Steinmeier vão falar sobre esses temas. Outros participantes proeminentes são o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon; o secretário de Estado americano, John Kerry; o secretário americano da Defesa, Chuck Hagel; o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius; o ministro da Defesa britânico, Philip Hammond, e o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

No ano passado, o papa Francisco fez repetidas considerações políticas, ele é bastante engajado, não somente em questões eclesiásticas, mas também em temas econômicos. Por exemplo, ele discutiu sobre o conflito na Síria com o ministro do Exterior russo. O senhor convidaria o Papa para a Conferência de Munique?

Tenho certeza de que a participação do Papa seria um forte sinal para a paz e a segurança mundiais. Ele possui e também divulga princípios elevados sobre muitos temas. Ele seria capaz de trazer as preocupações e os abusos de nosso mundo globalizado e também a desigualdade para mais perto de uma plataforma mais ampla e mais internacionalizada

E concordo com ele quando ele diz: "Estamos distantes do chamado fim da história, uma vez que as condições para um desenvolvimento sustentável e pacífico ainda não foram adequadamente articuladas." Por isso, ele seria sempre bem-vindo à Conferência de Segurança de Munique para discutir essas condições.

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